
Nunca me vi ganhando uma parada
Também nunca me vi perdido
Dentro do meu próprio chafurdo
Onde a vida se processa sem projetos
Parece-me que tenho que pensar
Obrigatoriamente
Que as coisas são assim
Porque assim se fazem acontecer
Não há como esculpir imagens
No mármore do destino
Esse bloco se molda de dentro de si mesmo
E reinventa-se de formas inexistentes
Aprendi a mirar longes horizontes
Mas não cuidei em defini-los
Ou dosar os seus teores
Principalmente, não aprendi a extrair deles
Algo que me pudessem ofertar
Além das miragens
O horizonte, por si só, é o que me extasia
Assim, é o meu limite
O abrigo do primeiro e do último arrebol
Virgílio Siqueira

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