Na época o local de encontro de boêmios, poetas, cantores, compositores, intelectuais, entre outras pessoas, era Bar/Mercearia de João Macambira. Este lugar ficava nos fundos da minha casa, consequentemente, esta moradia, foi suporte do bar, servindo muitas vezes de banheiro e várias vezes recebendo nosso almoço que servia de tira-gosto, quando João Macambira não podia cozinhar.
Ouvi muitas vezes Zé Marcolino cantar: Cacimba Nova, Serrote Agudo, Estrada, Pedra de Amolar, Pássaro Carão, Cantiga de Vem-vem, Matuto Desconfiado, Nicodemos, Sala de Reboco, Pássaro Fura-Barreira, entre outros clássico do compositor do cariri paraibano.
Depois de muitos anos, sentindo saudade do poeta/compositor senti a inspiração palpitar na forma de saudade. Usando alguns títulos de sua música, fiz um poema em sua homenagem, intitulado SAUDADE DE MARCOLINO.
Algum tempo depois o grande compositor e cantor, o natalense Galvão Filho, fez uma melodia para tal poema e algumas pequenas adaptações na letra para que ficasse melhor para musicalização do tal poema.
Santanna O Cantador, ao ouvir tal música se apaixonou por ela de imediato, chegando a gravá-la no cd FORRÓ DE ABRAÇAS.
Vai logo abaixo o poema na íntegra.
Saudade de Marcolino
Marcolino, poeta cantador,
A “cacimba” secou de tanto pranto
O “carão” não escuta o teu canto
“Sabiá” padeceu de tanta dor.
O “ciúme da lua” se acabou
Hoje vives morando perto dela
Desenhando teu canto numa tela
Seduzindo-a com tua serenata
Despertando teu riso cor de prata
Num desenho de linda aquarela.
O “serrote agudo” está tristonho
O “fura-barreira já não tem mais casa
“Maribondo” já bateu a sua asa
O “sertão de aço” perdeu seu sonho.
Só os vates de cima estão risonhos
O teu canto é a “saudade imprudente”
Que machuca o sertão que há na gente
Como o pranto na “mágoa de um vaqueiro”
Que tristonho, num banco do terreiro,
Faz aboios saudosos e dolente.
Oh! Poeta “caboclo nordestino”
As caboclas “cintura de abelha”
Soltam prantos em forma de centelha
Com saudades do canto campesino.
A “cantiga do vem-vem” pequenino
Sobre os galhos da “flor do cumaru”
Faz sentir Cariri e o Pajeú
A saudade das noites de São João
Ou as tardes tristonhas do sertão
Entre os cantos dolentes do nambu.
Hoje já não se faz a mesma dança
“Nicodemos” partiu pra outros cantos
Não se encontram mais os mesmos recantos
Duma “sala de reboco” com pujança.
A saudade dos “tempos de criança”
A “rolinha” com passos delicados
Um poeta com sonhos encantados
Numa “estrada” pisando no destino
Pra partir nos deixando um lindo hino
Através dos seus cantos coroados.
Gilmar Leite.

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CANTIGAS E CANTOS

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