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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Poesia: "Encontrei um pedaço de saudade No terreiro da casa que morei. ", um poema de Antônio CArneiro


ENCONTREI UM PEDAÇO DE SAUDADE
NO TERREIRO DA CASA QUE MOREI

Regressei ao lugar que fui criado
Como quem foi cumprir um juramento
Avistei o arreio do jumento
Pendurado na cerca do cercado
No curral que papai tangia o gado
O chocalho da vaca eu procurei
Bem ao lado da casa encontrei
Os resquícios da minha mocidade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.

 Avistei o meu cabo de Enxada
Encabando uma velha Tramontina
A ferrugem comendo a Lamparina
Uma Cela de Couro empoeirada
Mas chorei quando vi uma latada
E o Cavalo de Pau que eu montei
No cavalo da história disparei
Retornei aos quarenta de idade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.   

A gamela que pai tomava banho
O cajado assassino d’uma rês
Algaroba, Angico dois Ipês
Era a sombra “Maiada” do rebanho,
Vi um prato branquinho de estanho
A Rural de madeira que ganhei
Vi o cinto de pai que apanhei
Com requinte de pura crueldade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.

 A Cumbuca de mãe guardar Azeite
Enxerguei pendurada no Pereiro
Avistei lá em cima do Chiqueiro
A Caneca que pai tirava leite,
A Cabeça de Vaca como enfeite
Que um dia na cerca enganchei
Vi um Banco velhinho que sentei
E o Cupim só deixou uma metade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei                      

Encontrei um pedaço de Cocão
Uma Mesa de Carro sem Fueiro
Uma roda “Tarugo” e Tamoeiro
Do transporte mais belo do sertão,
Uma Tira de Pano e um Pilão
Uma Agulha de Saco que comprei
A Monark que eu tanto pedalei
Eu garanto revê-la ter vontade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.


Uma tampa do Vinho Indiano
Com o rótulo do índio “Jurubeba”
O cotôco do rabo de um Peba
A moldura do nosso soberano
Uma quarta da peça de um pano
Que num ano de safra eu comprei
Uma braça de terra que enterrei
As agruras da minha enfermidade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.   

A Cangalha surrada do Jerico
Pendurada no torno da parede
Candeeiro, Pavio e uma Rede
Uma Foice, Machado e Maçarico,
Uma Mala, Martelo, um Pinico
Um Gibão que um dia campeei
Cavalgando a procura da verdade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.

 Vi o Caco que mãe torrava massa
Caldeirão de botar milho de molho
Uma lasca de Lenha, um Ferrolho
Chaminé, um Isqueiro, uma Cabaça,
A garrafa verdinha de Cachaça
Que papai dava trago, não traguei
Eu pensando voltar, inda pisei
Numa foto de minha identidade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.   

Encontrei bem no pé do casarão
O meu Carro de Flandre na poeira
Adentrando avistei uma Roqueira
Dos folguedos de noite de São João
Vi meu Rádio de Pilha campeão
Meu Cachorro de Caça não achei
Mas a Cama velhinha que deitei
Inda mora comigo na cidade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.


Vi pedaços de Bola canarinho
Enganchados em cima do telhado
Vi um Saco de Estopa amarelado
Que a Galinha de mãe fazia ninho,
A camisa bonita do meu pinho
Que em noite de lua dedilhei
O balanço que um dia despenquei
Lembrarei para toda eternidade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.     

Na sapata da casa vi salina
Vi Bezerro de Osso no oitão
Vi pegadas de Gado pelo chão
No aceiro a carcaça de Turina,
E lembrei de uma tarde de neblina
Da Arapuca no mato que armei
Quando vi a chinela que calcei
Relembrei toda minha castidade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.

 No oitão enxerguei uma balança
Onde a pedra de quilo era peso
Um Arame Farpado que foi teso
Uma estaca apontada como lança,
O Sapato usado numa dança
O Sabugo de Milho que usei
Pra prender toda minha liberdade
Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei.   

Poeta Antônio Carneiro 

CANTIGAS E CANTOS

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Poesia "Sintomas da saudade", um soneto de Andrade Lima



SINTOMAS DA SAUDADE

Nesta cama me encontro sem te ter;
Se a saúde anda mal, o coração
Só caminha sem prumo e direção,
Desde quando partiste sem dizer.

Apesar desta ausência, de te ver,
Não descarto de mim esta opção.
Dói saber que nenhuma ligação,
Tu tens feito pra quem tanto em teu ser

Tem pensado de forma positiva.
Só te peço, se tu queres qu'eu viva,
Traz de volta pra mim, felicidade!

E se queres sentir meus sofrimentos,
Olhe as fotos e lembre dos momentos,
Que verás - os sintomas da saudade!

Andrade Lima
10/06/2018.


CANTIGAS E CANTOS

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Poesia: "Certas leis", um soneto de Paulo Passos



Certas leis


Senti das leis, a fétida carniça,
Dos insensatos códigos tiranos;
Dos poderosos, rudes, desumanos,
Que calam a voz de quem pede justiça.

São leis da lama podre que enfeitiça
E que nos julgam com a voz dos enganos,
São vis parágrafos que causam danos
E dão razão a quem vive em cobiça.

São calabouços de cruéis sentenças
Que, baseadas na hipocrisia,
Colocam o manto da lei, sem razão.

Porém, a luz que brilha em minha crença,
Rasga a mordaça e grito em poesia:
Eu quero paz, pois sou um cidadão.

Paulo Passos 

CANTIGAS E CANTOS

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Poesia: " Nunca Transforme em Vermelho O Sinal Verde da Vida", um poema de Oliveira de Panelas


Nunca Transforme em Vermelho
O Sinal Verde da Vida

É louvável quem respeita
Os sinais de advertência
Se a esquerda é preferência
Nunca passe pra direita.
A estrada não foi feita
Pra ser pista de corrida
Ao cruzar a avenida
Mire-se bem neste espelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Repare bem o motor,
Viaje com confiança,
O cinto de segurança
Coloque pra onde for,
Examine o extintor,
Se a carga está vencida,
Não se torne um homicida
Por causa deste aparelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Não dirija embriagado,
Evite a fatalidade,
Não corra em velocidade,
Nunca viaje drogado,
Se caso estiver cansado,
Tente achar uma dormida,
Evite numa batida
Ferir mão, braço e joelho.
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

No congestionamento,
Nunca perca a esportiva,
Dirija na defensiva,
Fique atento ao movimento,
Cuidado com o cruzamento
Olhe a faixa proibida,
É grande quem não liquida
Sequer a vida de um coelho
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Prossiga a viagem em paz,
Seja feliz no retorno,
Jamais tente com suborno
Comprar os policiais,
Pois um suborno não faz
A vida restituída
Depois da vida perdida
É tarde, não há conselho.
Nunca transforme em vermelho
O sinal verde da vida.

Oliveira de Panelas

Fonte: Jornal Besta Fubana
Aristeu Bezerra – Cultura Popular

sábado, 2 de junho de 2018

Poesia: “Fiz do choro das cordas viola O maior ganha-pão da minha vida”, um poema de Zé Vicente da Paraíba


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“Fiz do choro das cordas viola
O maior ganha-pão da minha vida”

Fiz o que desejava em minha infância:
Correr prado de um ponto a outro ponto;
Lá chegando cansado e meio tonto,
Boca aberta, tremendo e tendo ânsia.
Sem pensar ser por causa da distância,
Sem usar nem metragem, nem medida,
Muitas horas esquecia da comida
E trocava a merenda pela bola,
Fiz do choro das cordas da viola
O maior ganha-pão da minha vida.

Fiz cachimbo de barro e matricó,
Conhecido também por “pai de fogo”,
Onde havia castanha, havia um jogo,
Que eu era o atleta do bozó,
O porreta no fojo e no quixó,
Só não era viciado na bebida,
Mas já tinha a ideia evoluída
Fabricando o alçapão e a gaiola
Fiz do choro das cordas da viola
O maior ganha-pão da minha vida.

Fiz um plano de vida pra viver
Com amor, com o riso e a saudade,
Como Deus é amor e é Trindade
Sabe e pode sustar o meu sofrer,
Muitas vezes cantando sem poder
Nem tocar na viola sustenida,
Agradeço à Maria Concebida,
Solitário na minha casinhola
Fiz do choro das cordas da viola
O maior ganha-pão da minha vida.

Zé Vicente da Paraíba

Fonte: Jornal Besta Fubana
Pedro Fernando Malta – Repentes, motes e glosas