Seguidores

Para Que Vim


Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Poesia: "Falo do ventre", um soneto de Reinivaldo Pinheiro

Foto de Reinivaldo Pinheiro Pinheiro.

Falo do ventre

Uma das nossas fontes de liberdade é falar,
Dos currais das oligarquias nos libertamos,
Se somos do bem somos luz nos expressando,
Somos bem melhores ainda ao falar e cantar.

É da nascente do ventre da mãe que temos mesmo,
Que declamar, protestar até mesmo discursar,
Se nesse Brasil provinciano não devemos silenciar.
Para não passarmos nossa vida inteirinha a esmo.

Defenderemos nosso bem maior por toda vida,
A cada dia a cada instante que pulsar o coração,
Sem dar crédito as negativas falsas e más da lida.

Sendo sempre o olho do condor em nossa passagem,
Olhando de longe aconselhando com mensagem,
Com nossa Poesia, nosso Eu, nossa música mais garrida.

Reinivaldo Pinheiro
Petrolina PE
17/08/2017 

Fonte: Facebook do Autor/poeta

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Paulo Silvino, ator e humorista, morre aos 78 anos no Rio

Silvio estreou na TV Globo em 1966, apresentando o Canal 0, programa humorístico que satirizava a programação das emissoras de TV. Ele morreu aos 78 anos e lutava contra um câncer no estômago.

Paulo Silvino posa com Serginho Groisman, Belo e Suzana Vieira durante gravação do programa Altas Horas em julho de 2014 (Foto: Zé Paulo Cardeal/Globo)
Paulo Silvino posa com Serginho Groisman, Belo e Suzana Vieira durante gravação do programa Altas Horas em julho de 2014 (Foto: Zé Paulo Cardeal/Globo) 

Morreu, na manhã desta quinta-feira (17), aos 78 anos, o ator Paulo Silvino, que lutava contra um câncer no estômago. Segundo a Central Globo de Comunicação, o humorista morreu em casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, no início da manhã. Em redes sociais, o filho mais novo do ator, João Paulo Silvino, lamentou a morte do pai. "Que Deus te receba de braços abertos meu pai amado".

“Ser comediante nasceu por acaso. Talvez seja pela minha desfaçatez, porque eu nunca tive inibição de máquina. Tenho tranquilidade com a câmera e tive vantagem em televisão por isso. O riso dos cinegrafistas é o meu termômetro”. Paulo Silvino.

Segundo a família, Silvino chegou a ser submetido a uma cirurgia no ano passado, mas o câncer se espalhou e a opção da família foi que ele fizesse o tratamento em casa. A filha do humorista, Isabela Silvino, também usou as redes sociais para falar sobre a morte do pai. "Amigos, obrigada por todas as mensagens. Ainda estou naquele processar isso tudo. Mas posso dizer que ele foi bem. Sem sofrer.", afirmou.

Os amigos também lamentaram a morte de Silvino. “Um dia triste. O Paulo Silvino é um super artista. A gente falando aqui nesses tempos de Pop Star (programa dominical da TV Globo), é bom lembrar que o Paulo Silvino foi um dos primeiros pop star do Brasil, um dos primeiros atores que cantava, teve disco gravado na época da Jovem Guarda, foi roqueiro, quer dizer, foi um homem de mil facetas. E pra mim, em especial, ele foi uma espécie de padrinho porque minha primeira aparição na TV foi junto dele no Balança Mais Não Cai e eu tinha só oito anos de idade. Quero mandar meus sentimentos para a família”, disse o amigo e também ator Lúcio Mauro Filho.

O artista estreou na TV Globo em 1966, apresentando o Canal 0, programa humorístico que satirizava a programação das emissoras de TV.

Paulo Ricardo Campos Silvino cresceu nas coxias do teatro e nos bastidores da rádio. Isso porque seu pai, o comediante Silvério Silvino Neto, conhecido por realizar paródias de figuras públicas no Brasil dos anos 1940 e 1950, levava o menino para acompanhar seu trabalho. Paulo Silvino também mostrava talento para a música, revelado durante as aulas que tinha com a mãe, a pianista e professora Noêmia Campos Silvino.

“Eu nasci nisso. Com seis, sete anos de idade, frequentava os teatros de revista nos quais o papai participava. Ele contracenava com pessoas que vieram a ser meus colegas depois, como o Costinha, a Dercy Gonçalves.”, disse o ator em entrevista ao Memória Globo.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Poesia: "Realidade da vida", a poesia de João Gomes Correia "João Bem-te-vi"

Foto de Gilberto Lopes.

Poucas pessoas sabiam, mas João Gomes  Correia “João Bem-te-vi” de São José do Egito, brincava de fazer versos nas horas de lazer, uma pessoa permanentemente bem humorada e divertida que tinha uma grande disposição espirituosa. Para cada pessoa que conhecia sempre colocava um apelido. Foi mecânico e músico, onde tocou em diversos carnavais no Clube Hotel de sua cidade nas décadas de 70 e 80. Ele será sempre lembrado por nós Egipcienses, onde se tornou uma personalidade divertida de nossa cidade por seu bom humor constantemente. Tive o grande prazer de conhecer grande parte de suas poesias, onde a maior parte delas eu a digitei. Compartilho aqui neste espaço duas de suas poesias para que fique na nossa memória a grandeza e a simplicidade de seus versos. 

Realidade da vida

A intempérie dos anos
Mudou meu comportamento
Tingiu meus cabelos negros
Com um branco nevoento
É o pincel da idade
Pintando a realidade
Do meu envelhecimento

Mas, tomei conhecimento
Das coisas que não previ
Ao me olhar no espelho
Aí é que percebi
Que essas rugas no rosto
São as parcelas de imposto
Do tempo que já vivi

João Gomes Correia - 30 de janeiro de 2003


Gosto da simplicidade
Porque nasci dentro dela
Numa casinha pequena
Humilde pobre e singela
Nesse jardim de humildade
Mãe era a rosa mais bela

Me  nutri do sangue dela
Sem nada dar de retorno
E ainda tinha o adorno
Do seu abraço apertado
Mãe por tudo que lhe devo
Não pago mesmo queimado

João Gomes Correia – 12 de maio de 2006

CANTIGAS E CANTOS

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Poesia: "Ser poeta", um soneto de Graças Nascimento

Foto de Paulo Fernando Fragoso de Carvalho.
Foto: Paulo Fernando Fragoso de Carvalho 

Ser poeta

Ser poeta, pra mim, é ter um sonho.
Ter um sonho abstrato sem imagem;
É correr ao encontro da miragem
Carregando no olhar um ar tristonho.

Mas, também ser poeta é ser risonho.
Entregar-se ao prazer e à vadiagem.
Se arriscar sem ter medo na viagem,
Como arrisca-se um deus, assim suponho.

Ser poeta é saber que ser poeta
É fazer do impulso sua meta,
É beber cada instante eternamente;

É viver sem ter medo de morrer,
É morrer sem ter medo de viver,
É sentir sem ter medo do que sente.

Graças Nascimento. 

Fonte: Facebook da Autor/poetisa

domingo, 13 de agosto de 2017

Poesia: "Ao meu Pai", um soneto de Antônio Nunes

 Foto de Antonio Nunes Batista Nunesabn.

Ao meu pai (in memoriam)

Um recado sequer ninguém me traz
E a saudade demais doi de tal jeito
Que é difícil encontrar pra comprar feito
E de encomenda, parece, ninguém faz

Procurei encontrar... não fui capaz...
Pois em tudo que achei botei defeito
Um presente amoroso e tão perfeito!
Que elevasse pra ele a minha paz

Tanto tempo e a saudade não se vai
Sentindo a falta perene de meu pai
Cada som que escuto ouço a voz dele

Nesse dia dos país, não acho espaços
Pra guardar a saudade dos abraços
Que há muito tempo reservei pra ele.

Autor: Antônio Nunes


Dedico esse poema a todos os pais. A todos eles um feliz dia dos país, com amor, paz e harmonia. 

Fonte: Facebook do Autor/poeta

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Crescer em São José do Egito: a trilha sonora poética de viver no Sertão pernambucano

Grupo Poesia Cantada canta e declama músicas brasileiras de outras décadas. Foto: Rafael Martins/DP

Diário de Pernambuco - Em São José do Egito, cidade conhecida como Berço Imortal da Poesia, tudo vira rima. E a vida do povo, desde muito cedo, ganha beleza e métrica - há um poeta em cada esquina. Nossa história é um bom exemplo, são matérias-primas, cultura e educação. Ela começa na Escola Técnica Estadual Professora Célia Siqueira, onde jovens querem fazer poesia e canção. Eles planejam ganhar a vida como engenheiros, médicos, advogados - mas a paixão pelos versos é a maior das certezas à qual têm chegado. Criaram, em 2016, o grupo Poesia Cantada: cantam e declamam músicas brasileiras de outras décadas, dizendo terem nascido na época errada.

Gestor Niedson Amaral é um grande incentivador do grupo. Foto: Rafael Martins/DP

“Nosso repertório é feito de clássicos da MPB, hits da Jovem Guarda, boleros, coisas mais antigas. Entre um trecho e outro das músicas, os meninos declamam poesia”, explica Larissa Gabrielly de Souza, 17 anos, a vocalista da banda. Ela canta desde os sete anos e começou bem cedo a fazer planos: quer ser médica e cantora – no destino, ela é quem manda. É o rosto do grupo de sete jovens do Sertão pernambucano, criado para um show de talentos da escola. Há pouco mais de dois anos, a estreia deu tão certo, que decidiram viajar Sertão afora. Articularam pequenos shows e caíram na estrada, levando os violões na sacola. Segredo (Herivelto Martins/Marino Pinto), Pense em mim (Douglas Maio/José Ribeiro/Mário Soares) e Linda flor (Henrique Vogeler/Luis Peixoto/Marques Porto) estão sempre entre as mais pedidas, seja qual for a cidade. A única composição autoral do grupo também ganha aplausos - e se chama Saudade.

Quem acompanha tudo de perto, desde o primeiro ato, é um atento gestor. Niedson Amaral, de 40 anos, chegou há dois no centro de ensino e se tornou grande incentivador. “O projeto começou despretensioso, espontâneo, mas tem mudado a perspectiva do grupo quanto ao futuro”, avalia o educador. Ele inscreve o grupo em eventos, dá carona para os shows, aconselha os meninos a continuarem a compor. “Eles se tornam seres humanos mais completos, porque a arte é fundamental para desenvolver a sensibilidade, o exercício de ver o outro”, diz o professor. Na Célia Siqueira, como em todas as escolas estaduais do município, poesia é disciplina da grade curricular. Os professores ensinam as métricas, citam poetas locais, fazem de tudo para estimular. Somente na ETE, são mais de 450 alunos pondo a tal veia poética para trabalhar.

Parentes e vizinhos também entram na roda. Aqui, todo mundo se chama de “poeta”, dizem que é costume secular que não sai de moda. Veja Gabriel Guilherme de Souza, 17, tocador de cajón da banda e filho de artista popular. O pai, Chiquinho do Egito, figura conhecida no município, foi quem lhe ensinou a rimar. “A poesia é uma tradição, isso une as pessoas aqui. Quando entrei no Poesia Cantada, fizemos vaquinha para comprar meu cajón”, lembra o rapaz. “Fomos para a beira da estrada cobrar 'pedágio', todo mundo ajudou”, completa, como quem diz e também faz. Ele quer ser psicólogo, mas não pensa em deixar de tocar. A saga do cajón, ele assegura, serviu para lhe ensinar: a poesia é força poderosa nessas bandas que não se pode ignorar.

Completam a tal banda Péryclys Pereira da Silva, 19, e Rodrigo Veras da Silva, 17, de quem não é irmão. Também Edvaldo da Silva Pereira Filho, 16, Mikael da Silva de Melo, 17, e Everson Heleno Aguiar, 17, são dos poetas a roubar a cena no Sertão – na tal banda, juntam-se aos vocais de Larissa e ao cajón de Guilherme, que já ganharam apresentação. Péryclys e Rodrigo, os trovadores do grupo, são quem improvisam os versos conforme o tema da canção. “Tentamos incentivar os mais novos a continuarem, criarem coisas parecidas que mantenham a poesia viva”, diz Péryclys, junto aos planos de gravar um disco até o próximo São João. 

Concluída a escola técnica, os meninos querem fazer faculdade, vão cada um pra uma cidade, sabem do risco de se separar. Larissa quer cursar medicina, Rodrigo, fisioterapia e Péryclys quer advogar. O sonho era viver de rima, mas se ser adulto e sonhar nem sempre combina, eles pretendem conciliar. “A música e a poesia que a gente faz nem sempre têm espaço no mercado, sobretudo fora de São José do Egito”, lamenta a menina que só quer cantar. “Hoje toca muito sertanejo, é muito difícil pra quem gosta de outras coisas”, pondera Larissa na escola, onde todo fim de semana vai ensaiar. Ela canta, sonha e estuda, lhe disseram que a poesia tudo muda e pode a sua sorte virar. Essa reportagem é para Larissa - e quem faz poesia com ela - nunca desanimar: a vida dá muitas voltas, é preciso colocar os sonhos nas costas e por eles querer lutar. Mas no fim tudo se ajeita, o percurso é o que mais se aproveita, só não vale deixar de rimar.

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Por: Rafael Martins (fotos) - Estúdio DP