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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Poesia: "Pé de mandacaru", um poema de Pedro Rômulo Nunes

 mandacaru

Este cacto verdejante
De muitos anos de idade
Serve de maternidade
Para qualquer avoante
Com este porte gigante
Acolhe bem sem tabu
Rolinha, xexéu e anu
Que vem pra fazer seu ninho
Recebe amor e carinho
Do pé de mandacaru.

Seus espinhos vigiando
Sempre alerta noite e dia
Ninguém tem a ousadia
De ficar atrapalhando
Só entra se for voando
Tem segurança de açu
Nem mesmo a surucucu
Querendo se alimentar
Não consegue aproximar
Do pé de mandacaru.


Pedro Rômulo Nunes 

Fonte: Jornal Besta Fubana

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Poesia: A poesia de Daniel Nunes

Foto de Daniel Nunes.
Foto: Arquivo de Daniel Nunes

Quando o escape da dor é um sorriso 
Uma lágrima em silêncio ecoa o grito 
Meus desejos rodeiam o infinito 
Até onde, não sei! Eu não diviso. 
As batidas no peito dão o aviso
E meu próprio sorriso mostra o quanto
O jardim da ilusão é sem encanto 
E com lágrimas de dor é que eu o rego
Entre os traços do riso que carrego
Se escondem as gotas de meu pranto

Nos momentos banhados com pudor
Envolvendo meu corpo em tua nudez
Deixo a mente perder-se de uma vez
Nos instantes selados pelo o amor…
Sinto o corpo viril com teu calor,
Aquecendo a minh’alma doentia
E no toque da mão que acaricia 
Sinto o ápice fugaz do teu prazer 
Indo além me fazendo enlouquecer 
No deleite da tua companhia.

Eu não quero viver de falsas juras
Nem criar ilusões em outras mentes
Eu só quero viver momentos quentes 
Aquecidos nas horas de ternuras
Junto a ela fazer mil travessuras
No jardim onde a vida é toda bela 
Desenhar em seu corpo a aquarela 
Já que o tempo não fez isso primeiro 
Só queria sentir de novo o cheiro
Do perfume que tem o corpo dela.

Daniel Nunes.

Fonte: Facebook do Autor poetaa

Poesia: "Despedida sem adeus", um soneto de Oliveira de Panelas

Imagem relacionada
Foto: Radar Sertanejo

DESPEDIDA SEM ADEUS

Não consigo falar de despedida,
Porque dói só pensar que vais embora.
Quando fores partir não diga a hora

Para que não machuque a minha vida.

Quando for no momento da partida
Não precisa dizer: Eu vou agora!
É minh`alma sofrida quem te implora
E não magoe uma alma já sofrida!

Mas se um dia voltares meu amor, 
Diga a hora, o minuto... por favor,
Que irei revestido de emoções

Reviver nossos beijos, nossas ânsias...
E nunca mais o tormento das distâncias
Será fel para nossos corações!

Oliveira de Panelas

Do livro: CINTILÂNCIAS – inédito.
Da série sonetos - nº 167º

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Poesia: "Na poeira da sala de reboco, o sertão está sempre reunido" um poema de Zé Marcolino



Na poeira da sala de reboco
O sertão está sempre reunido.

Numa casa de taipa no sertão
A parede de barro é rebocada
Com colher de pedreiro é inaugurada
Com a festa da “Grande Reunião”
A quadrilha se espalha no oitão
Depois dentro da casa no espremido
O xaxado ao deixar o chão batido
Bacamarte lá fora dá pipoco
Na poeira da sala de reboco
O sertão está sempre reunido.

Beradeiro do rio São Francisco
Quando tira da mala a concertina
Dá uma nota que agita a dançarina
Rodopia no vento e sai corisco
Chego perto da moça e lhe belisco
A cintura, ela olha, eu convido
Pra dançar no salão fui atendido
Dancei xote, baião, xaxado e coco
Na poeira da sala de reboco
O sertão está sempre reunido.

Marcolino, cantou a experiência
Que viveu numa casa do sertão
Pra mulher que tocou seu coração
Uma música, fez com grande essência
Constatou no final dessa vivência
Que o amor nele tinha florescido
Mas depois pelo tempo foi punido
Pois o tempo com os dois ficou bem pouco
Na poeira da sala de reboco
O sertão está sempre reunido.

Zé Marcolino 

Jornal Besta Fubana

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Histórias de Beiradeiro "Milonga", por Zelito Nunes



MILONGA

Milonga, era um dos doidinhos imprescindíveis de São José do Egito. Vivia catando coisinhas no chão, dormia na rua e ninguém (nem ele mesmo) lhe sabia o nome, ou de onde veio. Solícito, não era homem para negar um mandado a ninguém, por isso, um lhe dava a roupa, outro a comida e assim ia tocando a sua vida, debaixo da benevolência e da imensa piedade de Deus. Até que um dia Deus deixou ele pra lá.

Foi encontrado morto com uma pedrada na cabeça, sabe Deus pela mão de quem e qual a causa, uma vez que era manso e bom.

Otacílio era um rapaz ainda muito novo, quando morreu de um “sucesso”. Uma “Lazarina” de cano fino, uma medida de chumbo seis, outra de pólvora “Elefante”, duas buchas de corda bem vaquetadas, uma espoleta “Pica-pau” e um garrancho que bateu na queixa da espingarda, que era “muito doce” (espingarda doce é aquela que dispara com muita facilidade e que a gente conduz com muito cuidado, nos braços, assim como quem carrega roupa engomada), promoveram o tiro que lhe varou a “titela”.

Como ninguém tinha coragem de dar a notícia ao seu avô, bastante idoso e morando a uma certa distância, Milonga se encarregou de ser o emissário de tão triste novidade para o coitado, que era louco pelo neto, a quem chamava de Tercílio por que não conseguia pronunciar-lhe o nome corretamente.

Lá vai Milonga cumprir a sua missão macabra… Encontra o velhinho, sentado numa espreguiçadeira, na sala da casinha onde morava, conversando com as suas “apragatas”, assuntando coisas da vida, sem importância.

Milonga, sem “arrodeios”, botou a cabeça na janela e foi logo anunciando a tragédia:

– Seu Chiquinho, sabe Tercílio, seu neto?

– Sim, o que foi que houve?

– Morreu! Morreu dum tiro de espingarda, lá nele, bem na caixa dos peitos!

O pobre não se conteve:

– Ah meu Deus, meu neto morreu e eu não quero mais viver, eu quero ir junto com ele! Eu quero ir pro céu com ele!

Milonga, que a tudo assistia impassível, foi providencial:

– Apois “côide” logo, seu Chiquinho, que já tão fechando o caixão!

Zelito Nunes
 

Jornal Besta Fubana

Poesia: A poesia de Nenen de Santa

Foto de Valdecir Filho.

O vento passa agradando
Minha carcaça cansada
Eu debaixo da latada
Numa rede cochilando
Para o firmamento olhando
O infinito sem fim
Névoas cor de marfim
Num teatro de fantasias
Os risos e alegrias
Que a vida escondeu de mim.

Um cachorro ladra perto
No começo da baixada
De esquisita a chapada
Ta parecendo um deserto
Pelo caminho aberto
Somente sombras transitam
E as corujas crocitam
Magoadas e queixosas
Sua canções dolorosas
Parece que me visitam

Nenen de Santa