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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Poesia: "Fiz do peito meu cofre de saudade Pra guardar as lembranças do sertão", um poema de Donzílio Luiz










Fiz do peito meu cofre de saudade
Pra guardar as lembranças do sertão

Fiz do peito uma aliança
Que conservo trancada a sete chaves
Coloquei um ferrolho e duas traves
Para tê-la com muita segurança
E guardei dentro dela por lembrança
Umas ramas de fava e de feijão
Conservando umas flores em botão
Como símbolo da nossa ansiedade
Fiz do peito meu cofre de saudade
Pra guardar as lembranças do sertão

Como tanto queria estar agora
Visitando essa faixa geográfica
Conduzindo uma máquina fotográfica
Pra tirar uma foto de hora em hora
Registrando o crepúsculo e a aurora
Responsáveis pela transformação
Onde a noite começa a escuridão
E o dia inicia a claridade
Fiz do peito meu cofre de saudade
Pra guardar as lembranças do sertão

Outra cena que sempre se repara
É o contraste fugaz do arrebol
Os mosquitos tomando a luz do sol
Parecendo uma nuvem de confete
A represa um espelho em que reflete
A imagem da garça e mergulhão
Ajudando na nossa formação
Sem carência de outra faculdade
Fiz do peito meu cofre de saudade
Pra guardar as lembranças do sertão

Nesse cofre abstrato estão guardados
Meus primeiros brinquedos infantis
E o retrato de muitos dos guris
Nos cipós balançando pendurados
As vazantes, as baixas, os roçados
Onde o povo fazia plantação
Sem nenhum agrotóxico pôr no chão,
Pois a terra já tem fertilidade
Fiz do peito meu cofre de saudade
Pra guardar as lembranças do sertão

Eu ainda me lembro que o roceiro
Que habita naquelas regiões
Quase sempre tem duas profissões,
Pois durante o inverno é enxadeiro
Quando estia ele muda para oleiro
Cava barro e amassa com a mão
Para a casa que está em construção
Fabricando os tijolos numa grade
Fiz do peito meu cofre de saudade
Pra guardar as lembranças do sertão

Donzílio Luiz

Poema retirado do livro “Pelas trilhas da memória”, de Donzílio Luiz de Oliveira.

CANTIGAS E CANTOS

terça-feira, 23 de maio de 2017

Poesia: "Sinfonia matinal ", um poema de Antônio Nunes

Foto de Antonio Nunes Batista Nunesabn.

Sinfonia matinal 

Muito cedo se escuta a sinfonia
E cada musico utiliza um pedestal 
Da galhada mais fina usa o pedal
E convidando o Coral a música cria 
Muito perto um canário currupia
Cortejando atenção da namorada
Que declara por ele apaixonada 
Exaltando a paixão canta sem medo 
É bonito escutar de manhã cedo
As canções matinais da passarada.

Cada nota da música que ele entoa 
Enaltece a primeira luz do dia
Me parece escutar a melodia
 
Sobre a copa da árvore e quando voa
Quando chove se abriga da garoa
 
Passa a chuva e festeja em revoada
Por saber pelo tom da enxurrada
 
Que tem água nos tanques do rochedo
 
É bonito escutar de manhã cedo
As canções matinais da passarada.

As manhãs do Sertão ficam mais belas 
Ao se ouvir a zoada da cascata
Muitas flores enfeitam a verde mata
Que eu não sei de onde vem o cheiro delas
 
Xique xique e facheiro as sentinelas
Pra deixar a floresta bem guardada
E a orquestra de pássaros bem postada
 
E cada músico enfeitando o arvoredo
É bonito escutar de manhã cedo
As canções matinais da passarada

Se escuta a zoada do riacho 
Nas nascentes dos rios da ribeira
 
Do barulho que vem da Cachoeira
Quando o sol da manhã acende o facho
A beleza da fruta em cada cacho
E a rolinha chocando uma ninhada
 
E numa rede eu lembrando mãe deitada
 
Escutando a cantar do passaredo
É bonito escutar de manhã cedo
 
As canções matinais da passarada.


Autor: Antônio Nunes 
Mote : do autor

CANTIGAS E CANTOS

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Poesia: "Não conheço esquerdista que não mude Quando pega nas rédeas do poder", um poema de Ivanildo Vilanova

 

"Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder"

Radical se transforma em moderado
Se quiser jogar bem no outro time
Ou acopla-se aos moldes do regime
Ou por outra depois tu é cassado
Quando não ele fica deslumbrado
Com mulheres, passeios e prazer
Mordomia, jetom, luxo e lazer
Tudo isso é efêmero, mas ilude
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

O ministro, o prefeito, o deputado
Com direito a chofer e secretária
Segurança, assessor, estagiária
Gabinete com ar condicionado
Vai lembrar-se do proletariado
Com favela e cortiço pra viver
Ou será que não vai se aborrecer
Com esgoto, favela, mofo e grude
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

E o mártir que tem convicção
De arriscar sua vida, seu emprego
A família, o futuro, o sossego
Por um povo, um projeto, uma nação
Um Sandino tentou mas foi em vão
Um Guevara esforçou-se por fazer
Hoje em dia é difícil aparecer
Marighela, Lamarca ou Robin Hood
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Que fará um sujeito agitador
Bóia-fria, sem-terra, piqueteiro
Camarada, comuna, companheiro
Se um dia tornar-se senador
Vindo até se eleger governador
Qual será o seu novo proceder
Vai mudar, mentir ou vai manter
As promessas que fez de forma rude
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Quem tem honra, da mesma não se aparta
É querer liberdade pra o Nordeste
É Xanana Gusmão do Timor Leste
Enfrentando os exércitos de Jacarta
Boutros Ghali primando pela carta
Que o Pentágono queria prescrever
É qualquer palestino a combater
Um Netanyahu ou Ehud
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

No período que o adolescente
Quer mudar o planeta e o País
Através dos arroubos juvenis
Vira líder, orador e dirigente
Mas se um dia ele vira presidente
O que foi nunca mais poderá ser
Aí diz que o remédio é esquecer
As loucuras que fez na juventude
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Todo jovem a princípio é sectário
É o atuante grevista, condutor
Exaltado, anti-yankee, pregador
Um perfeito revolucionário
Cresce, casa-se e torna secretário
E aí o que trata de fazer
Leva logo a família a conhecer
Disneylândia, Washington e Hollywood
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Quem vivia de luta e de vigília
Invasão, pichamento e barricada
Através disso aí fez uma escada
Pra chegar aos tapetes de Brasília
Vai pensar no progresso da família
E o que faz pra do posto não descer
Nunca falta quem queira se vender
Sempre acha um covarde que lhe ajude
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Eu já vi muita gente amarelar
Por pressão covardia ou por dinheiro
Jornalista, cantor e violeiro
Metalúrgico, político e militar
Só Luís Carlos Prestes foi sem par
Defendeu sua tese até morrer
E Gregório Bezerra sem temer
Levou seus ideais ao ataúde
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder...


Ivanildo Vilanova

Fonte: Blog A arte do meu povo

Poesia: "Místico", um soneto de Daniel Nunes













Mistico

Sou do místico, o intérprete da estrada 
Que, em vultos esconde-se no imenso
Sou o ser que da flor rouba o incenso
Matando-a de forma desgraçada.

Sou o mistério que envolve a madrugada
Da amargura e da dor, a quem pertenço,
Sou a fumaça, de um nevoeiro denso
Onde vive a carne amortalhada.

Sou seus lírios em pálidos fulgores
A vida e eu não passam de sorores
Aos quais o rude tempo despetala.

Eu sou o oculto que destrói prazeres
Sem ter piedade eu devasto seres
Que neste mundo seu perfume exala.

Daniel Nunes.

CANTIGAS E CANTOS

domingo, 21 de maio de 2017

Poesia: “Do alpendre da casa dos meus pais se observa a beleza do sertão”, um poema de José de Sousa Dantas


Foto: Imagem/Google

“Do alpendre da casa dos meus pais
se observa a beleza do sertão”

Do alpendre da casa dos meus pais
Se observa a beleza do sertão
Toda casa que tem uma fazenda
Seu alpendre é feito com firmeza,
Sob as leis da divina natureza,
Pra que nada no mundo lhe ofenda;
Tem engenho, um curral, uma moenda,
Conferindo o costume e tradição,
Vai causando desejo e impressão,
De quem vem visitar esses locais.
Do alpendre da casa dos meus pais
Se observa a beleza do sertão.

Se vê tudo o que passa pela frente,
No mais amplo e bonito panorama,
Vê o verde da mata com a rama,
Alegrando demais o ambiente;
Facilita fazer grande repente,
Na mais doce e real inspiração,
Expressando com força e emoção,
Tudo o quanto a natura forma e faz.
Do alpendre da casa dos meus pais
Se observa a beleza do sertão.

Ele tem a visão para o nascente,
Para o lado do sul e para o norte,
Bate o vento sutil trazendo a sorte,
Outras dádivas de Deus chegam pra gente;
Uma estrada que passa bem na frente,
Realenga de gente e condução,
De cavalo, de pé, de caminhão,
Bicicleta, charrete e outros mais.
Do alpendre da casa dos meus
Pais se observa a beleza do sertão.

Do alpendre se vê o sol nascer
E a barra do forte nevoeiro,
Miunceira passando no terreiro,
O orvalho brilhar no alvorecer;
Uma planta que passa a florescer,
O velame, o mofumbo e o pinhão,
Pé de milho soltando o seu pendão,
Com seus cachos e lindos visuais.
Do alpendre da casa dos meus pais
Se observa a beleza do sertão.

Vê o verde do pé de juazeiro,
Canafístula,  algaroba  e angelim,
Oiticica, pau d’arco e jaumirim,
Aroeira, o angico e marmeleiro,
Cajazeira, avelós e o pereiro,
Tamarindo, o jucá, rompe-gibão,
Cumaru, muçambê e algodão,
Cajarana, o embu e bananais.
Do alpendre da casa dos meus pais
Se observa a beleza do sertão.

Eu sentado na velha preguiçosa,
Procurando olhar e balançar,
Vejo o campo, o curral e o pomar,
E a ave cantando furiosa,
Vejo a réstia passando luminosa,
E a galinha ciscando no oitão,
A ninhada de pinto e um pavão
E no pátio pastando os animais.
Do alpendre da casa dos meus pais
Se observa a beleza do sertão.

Tem a margem formada pelo rio,
Com destaque da faixa do roçado,
Tem a área de pasto para o gado,
Outra parte somente pra plantio,
E ao lado um roçado no baixio,
Com lavoura de milho e de feijão,
Na lombada se planta o algodão,
E nas baixas se formam os arrozais.
Do alpendre da casa dos meus pais
Se observa a beleza do sertão.

O alpendre é bom para dançar,
Pra dormir, meditar e escrever,
Ver a nuvem passar, o entardecer,
Balançar numa rede e conversar,
Fazer verso, cantar e declamar,
Outra hora assistir televisão,
Realizar uma bela descrição,
Contemplando as riquezas naturais.
Do alpendre da casa dos meus pais
Se observa a beleza do sertão.

José de Sousa Dantas


Jornal Besta Fubana

sábado, 20 de maio de 2017

Kid Vinil morre em São Paulo aos 62 anos

Vocalista da banda Magazine, de sucessos como 'Sou Boy' e 'A Gata Comeu', também foi radialista e apresentador. Ele estava internado mais de um mês após sofrer parada cardíaca.
Kid Vinil posa em sua casa em São Paulo, setembro de 2016 (Foto: Alessandra Gerzoschkowitz/EGO  )
Kid Vinil posa em sua casa em São Paulo, setembro de 2016 (Foto: Alessandra Gerzoschkowitz/EGO )

O cantor, apresentador e radialista Kid Vinil morreu na tarde desta sexta-feira (19) em São Paulo, depois de passar mais de um mês internado. Ele passou mal depois de um show em Conselheiro Lafaiete (MG), e foi levado a um centro médico da cidade.

Depois, foi transferido de helicóptero para o Hospital da Luz, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Em seguida, foi para o Hospital TotalCor, onde morreu. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do TotalCor.

Kid Vinil era diabético e sofreu uma parada cardíaca no dia 16 de abril. Ele chegou a ser colocado em coma induzido.

Antes de passar mal, Kid Vinil cantava com outros artistas dos anos 1980, como Kiko Zambianchi e Ritchie, em um clube de Conselheiro Lafaiete. Nos últimos dias, amigos afirmaram nas redes sociais que o quadro do cantor tinha se agravado e pediram orações por sua recuperação.

Hits nos anos 80

Antônio Carlos Senefonte nasceu em Cedral, no interior de São Paulo, em 10 de março de 1955. Com o apelido Kid Vinil, ele se destacou com trabalhos como cantor, radialista, jornalista, VJ e DJ.
Kid ganhou fama no cenário do rock nacional nos anos 80 com a banda Magazine, anteriormente chamada de Verminose. Ted Gaz, Lu Stopa e Trinkão completavam o grupo.

O Magazine lançou hits como "Tic Tic Nervoso", “Sou Boy” e “A Gata Comeu”. O quarteto encerrou suas atividades definitivamente em 2004. Kid saiu e retornou para a banda várias vezes, sempre com projetos musicais paralelos.

Em uma dessas idas e vindas, criou o projeto Kid Vinil e os Heróis do Brasil. Retornou pela última vez ao Magazine em 1998. Ainda na parte musical, ele se dedicou ao projeto Kid Vinil Xperience, em 2005. Seu último trabalho, o EP Kid Vinil Xperience, foi lançado em 2014.

MTV e TV Cultura

Kid também teve projetos voltados para a TV. Em 1987, o cantor participou do programa “Boca Livre”, na TV Cultura. De 1989 a 1993, apresentou o “Som Pop”, da mesma emissora.


Ainda nos anos 1990, tornou-se VJ da MTV, onde trabalhou de 1999 a 2001. Entre os programas que participou na emissora estava o “Lado B”, voltado para a música alternativa.
Em 2008, lançou o livro "Almanaque do Rock", que contava um pouco da trajetória do rock desde os anos 1950. Tinha planos de escrever mais um livro.

DJ e radialista

No último anos, atuou como DJ em festas por todo o Brasil, trabalho que desenvolvia desde a década de 1980, além de comandar um programa semanal na Rádio Rock 89FM (SP), desde 2015.
No mesmo ano, teve sua história contada na biografia “Kid Vinil: um herói do Brasil”, escrita pelo jornalista Ricardo Gozzi e pelo guitarrista e produtor musical Duca Belintani.

Por G1 SP