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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

sábado, 26 de novembro de 2016

Poesia: "A chegada do inverno", sextilhas de João Paraibano e Raimundo Nonato


A CHEGADA DO INVERNO

João Paraibano*  e  Raimundo Nonato **

O nordeste está mais lindo
No final da estiagem
O gado dormindo em cima 
Do sobejo da pastagem
E um pincel de tinta verde
Mudando a cor da paisagem*

O sertão tem outra imagem
Depois que ficou chovido
Deus escolheu o modelo
E a chuva fez o vestido
Pra por no corpo do campo
Que a seca deixou despido**

Em cada cravo despido
Tem quatro patas de abelhas
A grama está mastigada
Em dentadura de ovelhas
A bica enchendo a lata
E o lodo cobrindo as telhas*

A chuva caiu nas telhas
E as matas estão viventes
O rio engordou as margens
Para acoplar as enchentes
E as roças ficaram grávidas
Para dá luz de sementes**

O rio aumenta as enchentes
Formiga sai da panela
Se avista a borboleta
Beijando a flor amarela
Pedindo licença a pétala
Pra se deitar dentro dela*

A terra ficou mais bela
E o campo tá moderno
A Kodak do relâmpago
Com flash interno e externo
Gastou um ano de filme 
Em quatro meses de inverno**

Como é lindo no inverno
Se avistar filhos e pais
Assoviando na frente
E os filhos cantando atrás
Quebrando o pendão do milho
Pra “boneca” engrossar mais*

Que era um inferno a mais
De seca se anunciou
Nas BR afundou ponte
No sitio açude arrombou
Os cientistas erraram
Mas o carão acertou**

É linda a fogo-pagô
E abelha na primavera
Uma goteira na lata
Na bica de uma tapera
Como a voz de Deus dizendo
A fome daqui já era*

Tem pasto em toda cratera
Pra bode, cavalo e rês
O esparadrapo verde
Cobriu o nordeste um mês
Pra melhorar as feridas
Que a faca da seca fez**

Fruto maduro e de vez
Tem na galha da umburana
A cabra pasta no campo
Sete dias da semana
Com os dois beiços cheirando
A flores de gitirana*

A chuva chegando sana
Até problemas sem cura
O funeral da miséria
Foi feito sem sepultura
E a chuva botou tempero
No cardápio da fartura**

A bunda da tanajura
Era pequena e cresceu
Como é lindo o cururu 
No muro aonde choveu
Mostrando o olho estufado
Bem maior do que o meu*

Com a chuva que desceu
O sertão tem outro brilho
Quem ver de longe a “boneca”
Nos braços de um pé de milho
Pensa que é uma mãe
Dando de mamar um filho**

João Paraibano*  e  Raimundo Nonato **

Sextilhas extraídas de uma cantoria na cidade de Itapetim-PE.

Fonte: Blog do Josa Rabelo

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