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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

terça-feira, 26 de abril de 2016

POESIA: Zé Catota, a metralhadora do Repente


José Lopes Neto nasceu no Riachão, município de São José do Egito, em 05 de agosto de 1917 e faleceu 22 de abril de 2009, com 92 anos de idade.


Filho de José Lopes Filho e de Euflasina Maria da Conceição, o popular Zé Catota fez do improviso sua marca registrada, o que lhe rendeu o reconhecimento da imprensa pernambucana, aparição no Fantástico e a gravação de especiais para televisões da França e da Holanda.

Seu domínio com a poesia e a viola rendeu-lhe o título de Metralhadora do Repente.

Zé Catota era considerado o mais antigo poeta da cidade e pertencia à última geração de grandes cantadores de São José do Egito. Ele nasceu no dia 5 de agosto de 1917 e iniciou sua carreira artística aos 17 anos de idade. O improviso era sua marca registrada.

Há pouco tempo, em sua casa modesta na cidade de São José, o poeta foi perguntado, por um eventual visitante, quais dos cantadores antigos ainda restavam pra contar a historia da poesia, o mestre respondeu com um improviso: 

Dos cantadores antigos
Tem eu e Pedro Amorim
Eu aqui em São José
Pedro lá em Itapetim
Por lá ninguém lembra dele
Aqui esquecem de mim



Como diria Pinto do Monteiro, “A cascavel do repente”, “Poeta é aquele que tira de onde não tem e bota aonde não cabe”.

Até nas flores se vê 
A diferença da sorte 
Umas enfeitam a vida
Outras enfeitam a morte".


Zé Catota a sextilha que o mestre pega na deixa  um verso do cantador Expedito
:"Em breve irei açoitar os vates do Pajeú". Zé Catota disse:

Saia de Caruaru,
Passe pelo Moxotó,
Vá açoitar os poetas
De Patos a Piancó,
Na volta, apanhe dos três:
Louro, Zé Catota e Jó.



Cantando com Pedro Amorim, quando este improvisou a sextilha:

Vivo muito bem na vida
E tu vives atrasado.
Possuo fazenda, açude
E cana do outro lado.
Tu só tens um Jeep velho,
Além de velho, quebrado.

Zé Catota disse:

Chamar fazenda sem gado,
Eu acho melhor que deixe;
A sua cana cortada
Talvez não dê nem um feixe.
Esse açude de que fala,
Tem mais dono do que peixe.


Num congresso em Caruaru,Mocinha de Passira terminando um verso dizendo:“Eu não acredito em homem e acredite quem quiser”
Catota pegou a deixa e metralhou com esse verso:

Não acredito em mulher
Não tem essa, nem aquela
Seja branca, seja preta
Nem no tempo de donzela
Que eu não creio em fechadura
Que toda chave dá nela.



Falando em noite mal-assombrada, Catota fez os seguinte versos:

Na noite que eu nasci
O diabo pisava em brasa
A peitica no quintal
Cantava e batia asas
Passava um rasga mortalha
Rasgando em cima da casa


Na noite que eu nasci
Na terra deu-se um abalo
Ladrava cão no munturo
Corria burro e Cavalo
E as galinhas no puleiro
Cantava mais do que galo


Fontes: Poesia de Cordel
            Nordeste.com
            Cantigas e Cantos

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