Peço a inspiração
Pra prestar uma homenagem
Ao Frade do sertão,
O defensor da verdade,
Meu Santo Frei Damião.
Em outra terra nasceu,
Seu país é a Itália,
Mas, Jesus o escolheu
Pra comandar um projeto
De interesse meu e seu.
Feito aqui para o sertão
De chamar os nordestinos
Para o amor e conversão,
A concórdia e a caridade,
A fé e a confissão.
A reza e a devoção,
O amor ao batismo
Que é um dever do Cristão.
Foi para isso que veio
O homem frei Damião.
Jesus Cristo lhe ensinou,
Deu-lhe paz e paciência,
Perseverança e amor
E o projeto de Jesus
O Frade realizou.
Através de seu sermão,
Sabe o quanto ele lutou
Em favor da conversão.
Foi contra o adultério,
Pregou a libertação.
De suas Santas Missões:
Das crismas, dos batizados,
Das missas e dos sermões,
Das rezas, dos casamentos,
Das filas pra confissões.
Pregando a Bíblia Sagrada,
Jamais será esquecida
Porque era abençoada.
E as belas “Marchas Santas”
Feitas pelas madrugadas.
Dizia Frei Damião.
Pregava a paz e o amor,
A tolerância e o perdão.
Pedia sempre ao Pai:
Livrai-nos da tentação.
As coisas do meu sertão.
Até sobre o inverno
Ele dava opinião.
Os nordestinos pediam
E ouviam a previsão.
Assistindo à pregação
Ficava mais animado
Ao ouvir o seu sermão,
Renovava as esperanças
Dentro do seu coração.
E apesar da idade,
O capuchinho rezava
Nas Missões pelas cidades.
Ao lugar que visitava
Levava felicidade.
Conforto, ânimo e carinho
Nos dava Frei Damião.
Do mais jovem ao velhinho,
Quem estava na escuridão
Ele mostrava o caminho.
Das ovelhas, bom pastor.
Assim foi Frei Damião
Por ordem do Criador,
E está entre os grandes homens
Que a humanidade gerou…
Sofria perseguição
Como sofreu Jesus Cristo,
Filho do Pai Abraão.
Mas, o povo é testemunha
De sua dedicação.
Tem um começo e um fim,
Numa tarde sertaneja
Chegou a notícia ruim:
“Frei Damião está doente
E a doença é grave sim”.
O sertão logo parou.
E depois de internado
Sua saúde se agravou
E o povo nordestino
Entristeceu e chorou.
Só se ouvia o comentário:
“Estava muito doente
O Santo Missionário”.
E os Frades Capuchinhos,
Juntos rezaram o Rosário.
Disse para o Criador:
– Tenho notícias da Terra,
Frei Damião piorou,
De repente se chegar
Nada a gente preparou.
– Vá e procure Jesus,
Comece a se preparar
E encher o céu de luz
E avise a São Francisco
Que pode enfeitar a cruz.
Ornamente com narciso
Que Frei Damião merece,
Procure o que for preciso:
A luz, a cor e o som
E enfeite o paraíso.
Pra saírem em procissão:
Na frente vai São Francisco
Com o Cruzeiro na mão
E convide pra tocar
Gonzaguinha e Gonzagão.
Também devem estar presentes
E aquelas que aparecem
No Nascente e no Poente,
Quando o sol está se pondo
E chamam a atenção da gente.
Imediato foi feito.
Jesus Cristo trabalhou
Com coragem e respeito
Até que o céu ficou pronto,
Melhor dizendo, perfeito…
Do ano noventa e sete.
O sol estava morrendo,
Lá nas bandas do Oeste,
Também morria em Recife
Nosso Santo do Nordeste.
Quando o santinho partiu.
Frei Damião dos conselhos
Nas madrugadas de frio…
Houve muito choro e pranto
Porque seu povo sentiu.
Mas, a alma viajou.
Precisava prestar conta
Ao nosso Pai Criador.
E os fiéis nordestinos,
Choram suportando a dor.
Ao povo celestial:
– Frei Damião de Bozanno
É um homem especial,
Sempre defendeu o bem
E lutou contra o mal.
São Francisco e São Miguel,
Que ele com sua bondade
E seu espírito fiel,
Possui a cópia da chave
Daqui da porta do céu.
E todo o céu aplaudiu,
Mesmo estando com a chave,
Parou um pouquinho e riu…
São Pedro correu depressa
Pegou na porta e abriu.
Um anjo bateu num sino.
O céu estava repleto
De devotos nordestinos,
E então deram início
Ao cerimonial divino.
Começou nesse momento:
São José e Jesus Menino
A cavalos num jumento
Foram ao encontro do Frade
E lhe deram os cumprimentos.
Todos com velas nas mãos,
O céu bastante enfeitado
Pra grande celebração.
E soltaram muitos fogos
Como em noite de São João.
Começou a caminhada,
Como aquelas que fazia
O Frade de madrugada.
E o coral foi puxado
Por Maria Imaculada.
Agradecendo aos Santos
Pela boa acolhida,
O céu estava um encanto.
Quando falou no sertão
De saudades foi ao pranto…
E da boa recepção,
Os sinos foram soando
Chamando a população
Porque estava na hora
Da grande reunião.
Pois, todos queriam ver
Alguns Santos perguntarem
E Frei Damião responder
As notícias do Nordeste,
Muitos queriam saber.
Levaram Frei Damião
Ao centro do paraíso
Para um bonito salão
Pra responder as perguntas
Da santa reunião.
Padre Cicero Romão,
Depois de um forte abraço
Que deu em Frei Damião
E os dois juntos choraram
Ao falar do sertão.
Pra reunião começar,
Milhares de nordestinos
Ficaram a escutar,
Padre Cícero mandou
São Francisco perguntar.
– E o Brasil como está?
Frei Damião respondeu:
– Dá vergonha até falar,
Tem desmantelo demais,
Só o Pai pode salvar.
É uma bagunça danada,
Poucos com quase tudo
E o resto vive sem nada,
Por isso, a fome campeia,
A nação está acabada.
Só mesmo quando Deus manda.
O povo só fala em festa
Em carnaval e em banda,
A novela e o futebol
Vão conquistando a demanda.
Fala-se pouco de paz,
Gasta-se muito com armas
E com drogas muito mais,
Por isso, a nação inteira
Está andando pra trás.
CPI, tem uma lista,
Escândalos, outro bocado
E os políticos são artistas
Roubam o dinheiro do povo
Não deixam nenhuma pista.
Levantou logo a questão:
– Estão dizendo na Terra
Que o senhor deu proteção
A muitos desse políticos,
Isso é verdade ou não?
– O povo sabe quem sou,
Dediquei a vida inteira
Ao serviço do Senhor
Que foi pregado na cruz
E a todos não agradou.
Se encostaram em mim
Pra ganhar as eleições.
Aceitei, achando ruim,
Não discriminei ninguém,
Pois, achei melhor assim.
Pondo as mãos no meu pescoço.
Com palavras tão bonitas
Que só de ouvir dava gosto,
Porém, depois de eleitos,
Davam-me grandes desgostos.
– “Frei Damião, se eu ganhar
Dou camisa a quem não tem
E terra pra trabalhar,
Prometo que no Brasil
Não fica um só marajá”.
Dei um voto de confiança.
Depois que ele ganhou,
Acabou minha esperança,
Fez pior do que os outros
Fez uma grande lambança…
Dediquei à pregação,
Enquanto estive na terra
De alma e de coração,
Sempre ao lado dos pobres
Cumprindo a minha missão.
Conquistei o coração
Fui bem aceito e querido
Do litoral ao sertão,
Por isso, alguns políticos
Buscaram aproximação.
Com o microfone na mão:
– Sei que já faz muito tempo
Que eu deixei o sertão.
Já falavam num projeto,
Chamado “irrigação”.
Se o projeto já chegou,
Se a miséria foi embora
E a fome, já acabou?
Ou se o sertão ainda sofre
Com a seca, aquele pavor?!
Quase sem poder falar…
Disse: – “A seca ainda existe
E ainda mata por lá”.
O céu ficou em silêncio
Sem querer acreditar.
Pra sequer amenizar
A fome do nordestino
Quando a chuva faltar.
Só dão mesmo as esmolas
Quando tem seca por lá.
A região é lembrada
Para ouvir as promessas
Enganosas, deslavadas.
Quando os políticos ganham,
Somem e não fazem nada.
E muitas reuniões:
Falam, falam e nada fazem,
Ficam faltando as ações.
Enquanto isso, o pobre
Perde suas plantações.
E a vontade de viver
Naquele lugar sofrido
E foge pra não morrer,
Vai para as grandes cidades,
Continua a padecer…
Voltou a querer falar:
– O governo quer a fome
E a miséria por lá
Porque o povo com fome
É mais fácil de comprar.
Sem acesso à educação,
Quase não entende nada,
É isso, Frei Damião!
Lá o povo troca o voto
Por um pedaço de pão.
Começou logo a chorar,
Frei Damião ficou triste,
Não pôde continuar…
Aí chegou o momento
Da reunião terminar.
“Viva” pra Frei Damião,
Houve uma salva de palmas
Que estrondou no salão
E eu me acordei suadoCom o travesseiro na mão.

Sensacional parabéns
ResponderExcluirlindo. Parabéns.
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