Seguidores

Para Que Vim


Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Música: Martinho da Vila reúne em disco os sambas que criou para o carnaval

CD “Enredo” traz 24 composições feitas para a Aprendizes da Boca do Mato e Unidos de Vila Isabel
Foto: Agência O Globo

RIO - Carlos Gomes era o enredo da Aprendizes da Boca do Mato para o carnaval de 1957. Martinho (que anos depois se tornaria famoso como “da Vila”, pegando emprestado o nome da escola de samba que abraçaria, Unidos de Vila Isabel), jovem compositor da comunidade, ainda não chegado à casa dos 30, leu uma reportagem sobre o homenageado e decidiu fazer um samba juntando aquelas informações. Não pensava em concorrer. Afinal, naquele tempo, como lembra o próprio artista, “quem fazia samba-enredo eram os antigos da escola”. Mas mostrou a música aos amigos.


 — O pessoal gostou — conta Martinho. — Tinha um compositor chamado Tolito que pediu para eu cantar o samba para ele. Anotou, passei a letra certinha e tal. No dia em que os compositores iam apresentar os sambas, ele começou a cantar o meu. Achei estranho, pensei que ele ia mostrar o dele depois. Mas ele terminou e falou: “Este samba é do menino ali, vou retirar o meu e apoio este”. Os outros três concorrentes fizeram a mesma coisa, e aí eu ganhei sem disputar.
O samba aclamado, gravado agora pela primeira vez, abre o CD “Enredo” (Biscoito Fino). No álbum, Martinho registra 24 sambas-enredo, feitos para a Boca do Mato e a Vila. A lista vai de “Carlos Gomes” até “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo, água no feijão que chegou mais um” (campeão de 2013). E inclui todos os sambas-enredo compostos por Martinho — com exceção dos que ficaram perdidos na memória (“Dos sete sambas de enredo meus de desfiles da Boca do Mato, só consigo cantar quatro”, escreve ele no encarte). E teve ajuda para recuperar

— A ideia era gravar para fazer um documento particular com os sambas inéditos — diz o cantor. — Mas o (filho do artista e gerente artístico da Biscoito Fino) Martinho Filho sugeriu misturar tudo e fazermos um disco bonito, para lançar. O projeto foi crescendo, e vão sair em abril um DVD (com bastidores da gravação e depoimentos de Martinho sobre os sambas) e um livro, “Sambas e enredos”, sobre a minha história como compositor das escolas.

Afinado com “Enredo” mas independente dele, o documentário “O samba” foi exibido nesta semana em Berlim. O filme, do franco-suíço Georges Gachot (diretor de “Música é perfume”, sobre Maria Bethânia, e “Rio sonata”, sobre Nana Caymmi), tem Martinho como guia de uma jornada pela dinâmica das escolas (por meio da Vila), do carnaval e do próprio samba.
— Pelos meus filmes, você nota que minha bagagem sempre foi a música clássica, o jazz ou a canção romântica — explica Gachot. — Eu achava que o samba estava distante da minha ideia de beleza na música, com a qual cresci ao longo da vida e do trabalho. Eu era muito influenciado pelos clichês que existem fora do Brasil sobre o samba. Então um dia um amigo me deu o CD “Martinho canta Noel”. Isso foi uma revelação e o início do projeto. Descobri pela voz de um grande cantor um lado do samba de que eu nem suspeitava. Percebi que o samba não tem o respeito que merece no exterior, e meu filme deveria corrigir isso. Samba não é só carnaval, caipirinha, mulheres na praia.
Driblar os clichês é vocação de Martinho. Seu olhar sobre “Enredo” reafirma isso: “não é um típico disco de samba-enredo”.
— Em vez da pompa da bateria, que é o esperado num disco de samba-enredo, me preocupei mais com a harmonização, para destacar a riqueza melódica e as pessoas poderem ouvir as letras — avalia o compositor.
Muitos arranjos remetem aos enredos, como a latinidade de “Por ti América” e a charanga de “Vila Isabel anos 30”. A filha Maíra Freitas assina dois deles, além de tocar teclados e cantar. Os irmãos dela (Mart’nália, Analimar, Martinho Tonho, Juju Ferreirah e Tunico da Vila) também estão no disco, assim como Beth Carvalho, Alcione e o estreante Samba do Barão.
Um inovador no gênero, Martinho mostra isso na poética de “Sonho de um sonho” e também na coloquialidade:
— Em “IV séculos de modas e costumes”, tirei palavras como “magistral”, “céu de anil" (risos). E “Glórias gaúchas” tem até um “incrementada”.
Martinho lança o CD nos dias 26 e 27, na Miranda. Além do filme de Gachot e de seu disco/DVD/livro, o artista se espalha. Entre março e maio, ele viaja ao lado de Roberta Sá, Diogo Nogueira e Alcione com um show sobre a história do samba. E, neste fim de semana, a modernidade de Martinho é reafirmada em show de Otto em São Paulo, sobre o álbum “Canta, canta minha gente".
— O que mais me impressiona em Martinho é sua contemporaneidade — diz Otto.

LEONARDO LICHOTE
O GLOBO

Nenhum comentário:

Postar um comentário