Forrozeiros botam o bloco na rua e lançam discos com o ritmo típico do carnaval pernambucano
“O frevo e o forró são irmãos legítimos, filhos de uma mesma terra e meus conterrâneos”, crava Alcymar Monteiro, antes de falar sobre o mais novo projeto, intitulado Vozes do frevo, a ser lançado nesta segunda-feira e apresentado no Sábado de Zé Pereira, no Polo do Ibura. Há 15 anos, quando escolheu gravar músicas de carnaval, o forrozeiro fez escola para nomes como Dudu do Acordeom ao incorporar elementos do forró no frevo. Os dois colocaram a sanfona junto dos metais e deram caldo ao frevo-sanfonado.
Uma fila de forrozeiros seguiu o mesmo caminho, evidenciada no período momesco, quando multiplicam os lançamentos do gênero. Irah Caldeira começou gravando canções pontuais, até tomar a decisão de gravar um disco completo, fruto de um show de carnaval. O espetáculo será apresentado em duas oportunidades nas Folias de Momo, no Polo de Casa Amarela, na segunda-feira, e no Polo de Jardim São Paulo, na terça.
No palco, nem sanfona nem metais se sobressaem. A ideia é que ambos trabalham juntos por uma sonoridade menos comum, mas familiar. “Às vezes, a junção é meio involuntária. É fruto de uma vivência do músico, tanto com o forró, quanto com o frevo. É a cultura popular”, atesta Rogério Rangel, autor do álbum Outras levadas. E a turma gosta. Confira lançamentos de cantores forrozeiros cantando frevos.
Alcymar Monteiro
Vozes do frevo
Preço:R$ 20 CD e DVD.
Vendas na Passa Disco, Gramophone e durante os shows. Lançamento no dia 17 de fevereiro
Pensado para homenagear nomes que marcaram a história do frevo, o novo projeto de Alcymar relembra um pouco da trajetória de Capiba, Nelson Ferreira, Carlos Fernando e outros compositores. São 23 músicas, “uma rica viagem por cirandas, caboclinhos e maracatus, além de frevos”, descreve o cantor. O trabalho faz parte de um projeto iniciado há 15 anos, quando o forrozeiro passou a gravar canções de carnavais.
Dudu do Acordeon
Fole em folia
Preço: R$ 5
Venda na Passa Disco
Desde 2007 cantando frevo, o forrozeiro iniciou a trajetória nas folias momescas durante o Concurso de Música Carnavelesca daquele ano. Ali, conquistou o terceiro lugar com um frevo-canção. O álbum Fole em folia reúne a experiência acumulada desde então. São 18 músicas, oito autorais, além de sucessos como Voltei, Recife e Hino do elefante. Todas aliando a sanfona aos metais. “Sou um admirador do frevo. Terminei me envolvendo”, explica Dudu.
Diego Cabral
Diego Cabral
Preço: R$ 10
Vendas na Sol CDs, Passa Disco e Gramophone
O forrozeiro tomou a decisão de cantar os sucessos da década de 1990, relembrando os hits de Almir Rouche, Marrom Brasileiro e André Rio. “É um trabalho que vem resgatando a musicalidade do Recifolia. Damos continuidade a esse carnaval, atualizando-o. É o resgate de uma bandeira esquecida”, conta o cantor. O álbum tem A vida inteira te amar, É tanto amor e outros clássicos, tocados ao som da casadinha sanfona-metais.
Walkiria Mendes
Cheiro de guerra
Promocional
Distribuído em shows
Depois de lançar um CD de samba, outro de música católica e, há pouco, um em homenagem a Luiz Gonzaga, a cantora divulga um trabalho de frevos, apoiada em composições do parceiro Júlio Vieira. Além da faixa título, tem uma canção em homenagem ao Galo da Madrugada e outra sobre o Rio São Francisco. Valquíria canta os carnavais há mais de 29 anos, mas sempre acompanhada da sanfona, antiga companheira.
Rogério Rangel
Outras levadas
Promocional. Distribuído
A primeira vez que participou de um festival de frevo foi na década de 1990, quando foi finalista do Canta Nordeste com a canção Maraca tu. Daí em diante, acumulou outras participações e foi guardando canções na bagagem. Em Outras levadas, além de Maraca tu, tem Marco Zero, Lá vai Chico e O romance da Asa Branca com o Galo da Madrugada. Nessa canção, uma orquestra de frevo divide espaço com a sanfona. Spok e a Orquestra Popular do Recife participam.
Cylene Araujo
Frevos e maracatus
Preço: R$ 10 CD e R$ 15 DVD.
Vendas na Sol CDs
“Desde a época do vinil” gravando músicas de carnaval nos CDs de forró, a cantora passou a dedicar projetos exclusivos ao frevo em 2005. “É o ritmo do meu estado. Me sinto realizada cantando”, confessa. Frevos e maracatus reúne frevos-canções e instrumentais. Nessas últimas, a sanfona toma a frente da folia. Duas faixas são de autoria da forrozeira: Menino bonito, gravada por Quinteto Violado em álbum, e Olinda, carnaval emoção.
Irah Caldeira
Irah Caldeira cai na folia
R$ 7 (www.irahcaldeira.com.br) e R$ 5 (nos shows).
Álbum da forrozeira foi gravado em um show, com repertório de 35 músicas de carnaval. Tem frevo-canção, de bloco, cirandas e maracatus. “Fiz visita às folias das décadas de 1950 e 1960, em que relembro até marchinhas de Mário Lago”, conta. A decisão de entrar no território da folia veio em 2005, quando começou a se cantar no período momesco. Tudo aconteceu por “um desejo pessoal de agregar ao trabalho”.
Diário de Pernambuco
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