A história sem fim de Michael Jackson continua, agora com a mais volumosa de suas dezenas de biografias: Intocável – A estranha vida e a trágica morte de Michael Jackson, do jornalista americano Randall Sullivan, que o escreveu a convite do editor da revista Rolling Stone, Will Dana. O resultado foi uma reportagem que, na versão brasileira, estende-se a 864 páginas (incluindo o índice remissivo). O foco do livro é centrado no período mais conturbado da vida do cantor, entre 1993 e 2005, “quando a vida de Michael Jackson e sua reputação pública foram gradualmente destruídas por duas acusações públicas de abuso sexual de crianças”.
Pela narrativa de Randall Sullivan, a vida de Michael Jackson foi uma série interminável de desastres até o dia 25 de junho de 2009, data de sua morte
Intocável começa com os shows dos 30 anos de carreira de Michael, em 2001, nos dias que antecederam o fatídico 11 de Setembro. Entre 7 e 10 de setembro daquele ano, ele se apresentou no Madison Square Garden, em Nova Iorque. Nesta época, ele estava sendo perseguido apenas pelos pais e irmãos, que tentavam extrair o máximo de dólares do artista, na época, mais bem pago do universo. “Em 29 de junho de 2005, dezesseis dias após o veredicto de inocente no julgamento por abuso sexual infantil no condado de Santa Bárbara, Michael Jackson chegou ao final de uma viagem em que cruzou todo o país, o Oceano Atlântico, Mar Mediterrâneo e o Golfo Pérsico, e seu jato particular pousou no Aeroporto Internacional do Bahrein, perto de Manama, a 13 mil quilômetros de sua antiga casa, na Califórnia. Ele teve de ir tão longe para conseguir um pouco de paz, e mesmo lá não duraria muito tempo”.
O problema com esta biografia é que ela se ocupa muito mais da atribulada vida particular de Michael Jackson, entrando em detalhes até mesmo sobre que só devem interessar a fãs mórbidos ou interessados em medicina legal. Randall Sullivan entrevistou o médico legista que realizou a autópsia no cadáver do cantor, e entra em detalhes: “Uma bandagem cobria um nariz tão dilacerado que, sem a prótese, parecia ser pouco mais do que um par de narinas levemente rugadas. O Dr. Rogers e seus assistentes contaram treze perfurações no corpo, espalhadas de um lado do pescoço até os dois braços e os dois calcanhares, indicando aplicações recentes de agulhas”, descreve o biógrafo do Rei do Pop.
HERANÇA
A história é contada sem ordem cronológica. Pode-se ir, por exemplo, para o capítulo 25, onde, as confusões começam a acontecer enquanto o corpo de Michael Jackson ainda está sendo dissecado no morgue: “O que o artista havia deixado, além de três filhos e sua obra, foi uma das maiores e mais complexas heranças na história da Califórnia. Um exército de credores e reclamantes reconheceu que a fortuna que eles buscavam crescia num ritmo que ninguém poderia ter previsto”.
É aí, uma das poucas vezes em que o autor entra em detalhes sobre a música, ratificando o impacto que o artista havia causado e a miríade de fãs que o idolatravam.
Intocável termina com ma família Jackson chegando um acordo quanto à morada final de todos: “O negócio que Katherine fez com Forest Lawn para comprar a cripta no Santuário da Ascensão havia incluído a compra de outros onze jazigos no Terraço Sagrado garantido que, na morte, Michael Jackson estaria cercado de perto pelos integrantes a família que havia tentado manter à distância durante a maior parte da vida”. São muitas páginas, pouco conteúdo inédito, e preço salgado, R$ 64.
José Teles
jornal do commercio
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