que não têm sentimento nem receio
de cantar nos salões serviço alheio,
de Raimundo Pelado e Azulão,
de Zé Duda ou Manuel do Riachão,
maltratando os colegas com lamúrias.
Descarrego em um destes minha fúria,
porque sempre abomino o vitupério,
eu só canto com homens de critério,
pois cantar verso alheio é uma injúria.
pra viver do serviço de alugado,
pega numa viola e bota ao lado,
compra logo o “Romance do Pavão”,
a “Peleja do Diabo e Riachão”
e a “História de Pedro Malazarte”.
Sai no mundo a gabar-se em toda a parte
e a berrar por vintém em mei da feira.
Parasitas assim desta maneira
é que têm relaxado a minha arte.
que, além de banais, são pervertidos,
namoristas, gabolas, enxeridos,
imprudentes, pedantes e devassos,
que nas partes que andam, deixam traços
comprovantes de infames impostores.
Denuncio estes vis conquistadores,
porque deles tornei-me adversário.
Qualquer pai de família é necessário
ter cuidado com certos cantadores.
nem das feras carnívoras da mata,
não faz nojo a matéria putrefata
que alimenta os famintos urubus.
Das hienas, chacais e caititus,
nojo algum me provoca aquele cheiro.
Os micróbios que há no mundo inteiro
não me fazem ficar nauseabundo.
Só o que me faz nojo neste mundo
é a língua de um cabra fuxiqueiro.
pra cantar não me chame, que eu não canto,
se sentado ao meu lado, eu me levanto,
não dou gosto a cantor escandaloso,
porque todo indivíduo audacioso
tem baixezas que a honra lhe consomem.
Eu só canto com homem mesmo homem,
cabra ruim não escuto dois minutos,
que quem dá liberdade a certos brutos
tá comendo no cocho que eles comem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário