
Mote: "Toda vez que morre um dia
De arrebol a arrebol
Todos os dias o sol
No firmamento passeia
A própria cara incendeia
Na alva do oriente
E apaga no ocidente
Quando a noite principia
Toda vez que morre um dia
As vezes a gente cresce
Com grande prosperidade
Mas se entrega a vaidade
E a decadência aparece
O tear do tempo tece
Uma teia transparente
Tão urdida e resistente
Toda vez que morre um dia
Que a gente viaja nela
Cruzando ponte e cancela
Para seguir na jornada
Até chegar à escada
Por onde todo vivente
Desce inapelavelmente
Ao fundo da fantasia
Do ermo à grande cidade
Com chuva ou sol escaldante
O dia é sempre brilhante
Pela sua claridade
Com o ocaso a saudade
Aparece impertinente
Enquanto o sino plangente
Badala a Ave Maria
Toda vez que morre um dia
Que causa o encolhimento
Da vida do diabético
Mesmo sendo dietético
Dosado diariamente
Não isenta o paciente
De momentos de agonia
Toda vez que morre um dia
Em qualquer ocasião
Seja no ócio ou na lida
Para empanar minha vida
Tudo em volta faz pressão
Até num bom avião
Eu não viajo contente
Sinto- me mal de repente
Devido a acrofobia
Toda vez que morre um dia

Nenhum comentário:
Postar um comentário