
Para Louro do Pajeú
O verso é a poesia
Pretensamente capturada
Tentativa de eternidade do momento raro; único
O objeto de desejo do verso é a poesia
Aquela que está sempre solta
E voa; e, feito ventos
Risca no espaço, traços em raios
Com invisíveis asas
De transparências, reflexos e lampejos
A poesia tem corpos multiformes
Envoltos em matizes de múltiplas tonalidades
Incandescida
Quando tocada de acesos tons
Lívida
Quando envolvida pelo manto soturno
Do vazio ou das sombras
Rainha com ou sem reino
Seu reino está em si mesma
Que sequer o percebe, porque imenso
E, ao mesmo tempo, ínfimo
Pela boca ou pela escrita
Faz-se palavra – Aí, inexata
(A poesia quase nunca cabe na palavra)
Sublime
Entrega-se, não raro
A humildes luminares
Num balcão de bodega
Numa cidadezinha qualquer do sertão
Em íntimo ato; em ínfimo e mágico momento
Deixa-se envolver-se pela verve do iluminado
Que se faz encantado, para trazê-la à tona
Aí, se manifesta; luzidia
Em expressões acesas – reflexivas
Fazendo incandescido todo um lado da terra
Ao mesmo tempo em que evidencia
A parte que ficara escura
A poesia abre e fecha o facho de seus faróis
Acende e pisca nos olhos do poeta
Que se deixa invadir
Pelos encantos dos raios dela
Que se reveste com a flama
Que o encantou
“Do sol que, ao nascer fulgura
E que, ao se por, deixa escura
A parte que iluminou”
Virgílio Siqueira

VAGA-LUMEAR - Página 291
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