
Sem ninguém divulgar o seu valor.
Sertanejo no campo é um guerreiro,
Corta mato de foice e de machado,
Corta cana e capim pra dar ao gado,
Tira leite e amansa mandingueiro;
Sua farra é ouvir o sanfoneiro
E os versos de um vate cantador,
O seu médico é um velho curador,
Um pilão de aroeira é seu sofá.
Sertanejo é herói que morrerá
Sem ninguém divulgar o seu valor.
É feliz com o dom que Deus lhe deu,
Não consegue formar o filho seu,
Não conhece uma letra do seu nome,
Mas o rico esquece que só come
Do que vem do suor do agricultor,
Mas difícil é ter um conhecedor,
Que lhe mande 100 gramas de jabá.
Sertanejo é herói que morrerá
Sem ninguém divulgar o seu valor.
A caneta pra ele é a enxada,
O seu traje é uma calça remendada,
A piscina pra ele é um açude,
Não faz parte de plano de saúde,
Por não ter lá no seu interior,
Quando sente uma gripe ou uma dor,
Seu remédio é café amargo e chá.
Sertanejo é herói que morrerá
Sem ninguém divulgar o seu valor.
Que trabalha com muita honestidade,
O que faz lucra menos da metade,
Mesmo assim ele mata o seu desejo,
Sua casa não tem um azulejo,
Nunca passa de um simples morador,
por não ter um condicionador,
Ele usa a espuma do juá.
Sertanejo é herói que morrerá
Sem ninguém divulgar o seu valor.
Tem pamonha, canjica e carne assada,
Arroz doce, cuscuz e panelada,
Feijão verde com carne de carneiro,
Tem galinha caipira o ano inteiro,
Sertanejo não perde esse sabor,
Quando tem um cachorro caçador,
Lá não falta tatu, peba e preá.
Sertanejo é herói que morrerá
Sem ninguém divulgar o seu valor.
Capim santo, mastruz e hortelã,
Quebra pedra e a casca de romã
eucalipto, tipi e aroeira,
Cumaru, umburana e trepadeira,
Com o mel que abelha faz da flor
Pra ficar mais gostoso o lambedor,
põe gengibre com malva e jatobá.
Sertanejo é herói que morrerá
Sem ninguém divulgar o seu valor.
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