Nossa música ainda é a cantoria
Dois poetas fazendo uma peleja
Os matutos pagando na bandeja
E pedindo coqueiro da bahia
Quanto é belo se ouvir no fim do dia
O vaqueiro aboiando na chapada
E um forró de oito baixos na latada
Do reflexo na luz do lampião
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada*
Eu me lembro que num sertão morava
Fui menino e brinquei de perna bamba
O forró hoje tem nome de samba
Deste instante do assunto eu me lembrava
Meia noite uma briga começava
Pois primeiro era grito, era zuada
Era tiro, tabefe, era facada
Era nêgo rolando pelo chão
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada**
Eu só quero ouvir o cantador
A viola gemendo no seu peito
E essa musica sua fazendo efeito
Quando o homem conhece igual valor
Que o poeta é simples como a flor
Na Espanha eu não quero ver tourada
Eu não quero axé nem a lambada
E essa musica baiana também não
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada*
Olha eu gosto de ouvir o sustenido
Da viola que é toda nordestina
De um som que é uma concertina
Disso aí não esqueço hoje eu duvido
Que um vaqueiro com um dedo no ouvido
Que começa cantar uma toada
Ele canta com voz tão afinada
Que penetra também no coração
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada**
O sertão é de Pinto do Monteiro
Lourival, o maior do Pajeú
Otacílio e Dimas, Zé Lulú
Que viveram a cantar no mundo inteiro
O sertão é o céu do violeiro
Onde canta pra Deus esta toada
Se eu pudesse escutava a baiaonada
E trazia meu rei lá pro baião
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada*
Outra coisa bonita que se acha
Pois além do verso do violeiro
No mourão a corrida do vaqueiro
Que ele monta na cela e se agacha
Que só bota a novilha lá na faixa
Só derruba na faixa que tá marcada
Uma perna encolhida, outra estirada
E o povo dizendo é campeão
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada**
A cultura é a nossa que ainda presta
Eu adoro ouvir a voz do galo
E um vaqueiro selando o seu cavalo
Pra correr meio-dia na floresta
Pra o sertão eu não quero outra festa
Eu só quero é ouvir essa toada
A perneira de couro já rasgada
E um vaqueiro emendando o seu gibão
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada*
O vaqueiro é que aboia sem estudo
Sanfoneiro é quem toca sem escala
O poeta cantando numa sala
Pois aí ele mostra o conteúdo
Quando eu canto repente eu faço tudo
Se calar minha boca eu não sou nada
Mas enquanto meu Deus me der toada
Tenho aplauso da bela multidão
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada**
É a musica do céu que Deus me ensina
Todo mundo conhece e bota fé
Um baião que cantou o Josué
E Zé Gonçalves nas rádios de Campina
Zé Viola cantando em Teresina
E a viola tocando e afinada
O Antônio Barbosa em Imaculada
E lugarejo do livro de Cancão
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada*
Vaquejada me dá muita alegria
De ouvir concertina que eu preciso
Ou um verso bem feito de improviso
Com um poeta que tem mais melodia
Quanto é belo se ver a cantoria
Quando vem já rompendo a madrugada
E um forró na poeira da latada
Paz lembrar também o rei do baião
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada**
Pra poder o sertão ficar feliz
E o roceiro cantar pelos caminhos
Só precisa escutar o Dominguinhos
E o baião que tocava o rei Luiz
É por isso que a gente canta e diz
Que essa música é por Deus abençoada
Fora isso meu Deus eu não quero nada
Só preciso da minha inspiração
A Cultura do povo do sertão
É forró, cantoria e vaquejada*
Valdir Teles* e Geraldo Amâncio**
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