
Que eu brincava no tempo de criança.
Tem um carro de boi como herança
E o chocalho dos bois dando aceno.
De uma linha maciça sem empeno
O batente fizeram num oitão.
E na frente da casa sobre o chão
Colocaram pra gente se sentar
E nas noites de lua namorar
"No batente de pau do casarão".
.No batente de pau ainda tem
Um poema que fiz pra minha amada.
Apesar de ter na casa calçada
Preferia o batente com meu bem.
É que nele podia ter vai e vem
Com abraços ardentes de paixão.
Contemplando as belezas do Sertão
Eu contava as estrelas e dizia:
Como é bom, meu amor, a poesia.
"No batente de pau do casarão".
.Minha mãe com meu pai também ficava
No batente sentados no passado.
Retornando ao lugar que fui criado
O batente de cedro ainda estava.
A saudade de tudo me apertava
E o cenário era só recordação.
Encontrei rascunhada uma canção
Num papel de bodega dos antigos
E uma frase fiel dos meus amigos
"No batente de pau do casarão".
Mote: Dedé Monteiro.
Recife PE, 28/01/201

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