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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Poesia: "O cego e o guia", por Gonga Monteiro



O CEGO E O GUIA 

Um compadre meu um dia 
Contou-me um caso engraçado 
Dum ceguinho que pedia 
Na calçada do mercado. 
Passava o dia pedindo, 
O povo entrando e saindo, 
Quand'um não dava outro dava. 
E ele, nos louvores seus, 
Dizia: “graças a Deus!” 
Quando uma esmola ganhava. 

Mais ou menos meio dia, 
O sol quente feito brasa, 
As esmolas recolhia 
Pra levar tudo pra casa. 
Dava um assovio fino, 
Aí chegava um menino 
Que eu não sei donde saía 
E, alguns minutos depois, 
Dividia o saco em dois, 
Um pra ele, outro pro guia. 

Nos sacos tinha de tudo: 
Milho, farinha, feijão, 
Doce pequeno e graúdo, 
Biscoito, bolacha e pão, 
Manga, laranja, banana, 
Uma garrafa de cana, 
Não que o povo tenha dado; 
É que o cego cachaceiro, 
Depois que conta o dinheiro 
Compra a cana no mercado. 

Mas deixe a cana de lado, 
Nenhum crime nisso eu vejo. 
Na saída do Mercado 
Ganharam um taco de queijo. 
E o guia falou: “Ceguinho, 
Quando chegar no caminho 
Esse queijo a gente come?” 
E o cego, de voz maneira: 
“Na sombra da ingazeira 
Vamos matar nossa fome.” 

O guia era uma beleza: 
Desenrolado e ladrão. 
Se o patrão desse moleza 
Ele roubava o patrão... 
E como o patrão não via, 
Foi então aí que o guia 
Deu uma de espertinho, 
Enganando o pobre cego, 
Tirando o bucho do prego, 
Comendo o queijo sozinho. 



Chegando no pé de ingá, 
Botaram os sacos no chão 
E o ceguinho disse: “Vá, 
Desamarre o matulão... 
Tire esse queijo pra fora 
Que eu acho que está na hora 
De alimentar a matéria: 
Você se fortificar 
E eu também quero tirar 
A barriga da miséria.” 

O condenado do guia
Se fazendo de inocente, 
Virava o saco e dizia 
Ao patrão deficiente: 
“Pode ter acontecido 
Desse queijo ter caído...” 
E o cego, contrariado, 
Ao sujeito respondia: 
“Como é que o queijo caía 
Se o saco estava amarrado? 

Deixe de senvergonheza! 
Conte o que aconteceu, 
Que eu tenho quase certeza 
Que foi você quem comeu! 
Eu tava desconfiado 
Que você vinha calado 
Desde o centro da cidade... 
Cabra da vergonha pouca, 
Deixe eu cheirar sua boca 
Que a gente sabe a verdade... 

Aí o pobre do guia 
Ficou sem jeito e sem clima, 
Sem saber o que faria. 
Pra dar a volta por cima... 
Tirou a roupa ligeiro, 
Colocou o “fevereiro” 
Assim de boca pro ar 
E cochichou em voz rouca: 
“Tá aqui a minha boca, 
Se quiser pode cheirar...” 

O cego botou a venta 
No fê-o-fó do rapaz, 
Disse: “Eita coisa nojenta! 
Tu tás fedendo demais!” 
Depois disse assim: “Menino, 
Eu a ninguém recrimino, 
Cada um faz o que gosta. 
Você não comeu meu queijo, 
Mas pelo jeito que eu “vejo”, 
Meu “fi” tá comendo é bosta!...”

Gonga Monteiro


Fonte: Facebook de Lucas Rafael

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