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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Poesia: "Dois sertões", um poema de Gilmar Leite








DOIS SERTÕES

O Sertão é cruel e violento,
Mas também, é profundamente humano,
Quando seco, é macabro e desumano,
Quando verde, produz contentamento.
Tem miséria e também tem alimento,
Paradoxo de risos e de prantos;
Desencanta e demonstra mil encantos,
Revelando cenários de dois mundos
Um lugar de mistérios bem profundos,
Cada qual envolvido nos seus mantos.

Quando seco, os troncos contorcidos,
Das juremas com galhos ressecados,
Se parecem com corpos condenados
De famintos soltando mil gemidos.
Secos ramos são braços estendidos,
De fantasmas pedindo um alimento;
Num deserto de fome e de tormento,
Assustando quem passa no recinto,
Onde a vida é um fel feito absinto,
Amargando num triste sofrimento.

Se chover, tudo muda, velozmente:
Os fantasmas das árvores peladas
Vestem roupas de cores variadas,
Acabando o macabro ambiente.
O campônio vai pra roça contente,
Carregando no peito a esperança;
A mulher toma conta da criança
Tocaiando as panelas no fogão,
Na certeza de ter milho e feijão
Pra acabar sua fome, com bonança.

O deserto que, antes existia,
Com espinhos e serpes venenosas,
Dá lugar a paisagens primorosas,
Parecendo uma outra moradia.
Na campina aparece a sinfonia,
Duma orquestra de pássaros cantantes;
Borboletas, em ritmos dançantes,
Num balé, fazem mil vôos delicados;
Os sutis colibris, bem refinados,
Beijam flores, iguais a dois amantes.

Na vazante que estava ressecada,
A lagoa transborda na enchente;
Um tetéu solta seu canto contente
Num cantar que anima a passarada.
Sobre a terra que estava calcinada
Surge um córrego, puro e cristalino,
Dando beijo num grão bem pequenino,
Para em breve virar uma planta em flor,
Colorida e exalando um doce olor
Através de um perfume tão divino.

Sobre os galhos frondosos da aroeira,
Que na seca a visita era o sol quente
Quando chove, recebe alegremente,
Cada espécie de ave trepadeira.
Um tenor sabiá de voz brejeira
Solta um canto, coberto de esperança,
O qual mostra uma era de bonança
Diferente da época passada,
Quando quase morreu a passarada
Nos espinhos da vil desesperança.

O esquálido rio que estava morto
Ressuscita seu leito quando chove
O campônio no peito se comove
Que desperta a alma num conforto.
Fica olhando às águas, absorto,
Contemplando a mudança da paisagem
Onde antes só tinha a seca imagem
Vê o rio caudaloso com primores
Desenhando na tela mil fulgores
Onde o verde demonstra a mensagem.

O complexo sertão mostra dois mundos
Os quais são totalmente diferentes,
Com imagens e vidas oponentes
De heróis, que também são moribundos.
Os seus vales são ricos e fecundos;
Basta à chuva cair frequentemente,
Que do chão brotará uma semente
Demonstrando um sinal de esperança,
Igualmente o sorriso da criança
Que verdeja o sertão que há na gente.

Gilmar Leite
Gilmar Leite

Este poema   foi publicado na antologia poética "Retratos do Sertão", organizada pelo Poeta Marcos Passos


Blog Águas do Pajeú

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