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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Música: Armandinho critica invasão de sertanejos no carnaval: 'Acaba com originalidade. É horrível!'



Multi-instrumentista, reconhecido como um dos maiores guitarristas do mundo, Armando Macedo – o Armandinho – concedeu entrevista exclusiva ao Bahia Notícias e falou sobre temas polêmicos, como a ampliação dos espaços para os músicos no carnaval, a manipulação da indústria do entretenimento, o jabá nas rádios e o comportamento do público. Filho do pai da guitarra baiana e do trio elétrico, Osmar Macedo, o soteropolitano não vê com bons olhos a "invasão" de outros estilos – como o sertanejo – na folia momesca de Salvador. "Isso aí acaba com a originalidade da festa, acaba com a cultura musical baiana, porque vai deixando de escanteio os artistas do carnaval. Isso é horrível! Tem que se pôr determinados limites nas coisas", opinou. Se por um lado ele se mostrou favorável à tese do secretário municipal de Desenvolvimento, Turismo e Cultura, Guilherme Bellintani, de que a democratização da festa não passa pelos tradicionais caminhões sonoros, por outro cobrou a necessidade de se repensar o evento. "Hoje não se faz a música para o carnaval, mas para o ano ou para a passagem dos trios. A Bahia perdeu muito as alegorias do carnaval, o público virou um expectador de shows na rua. As pessoas se fantasiavam antigamente, e hoje basta pôr uma bermuda, tênis e ir para rua, encostar em um isopor e ficar parado. Cada um faz seu camarote em toda a avenida", criticou. Longe dos conglomerados empresariais que, segundo ele, têm na "manipulação dos espaços nas rádios" um "esquema dominante", Armandinho comentou a supervalorização de "estrelas da moda" em detrimento aos artistas, mas negou ter mágoa do comportamento dos foliões. "Ressentimento de ver essas situações, não. Até porque a gente sabe que nem tudo que faz sucesso é bom. Agora se está na televisão, o povo corre atrás. [...] Eu sempre fui multi-instrumentista e, desde cedo, eu vi que tinha um público sério que parava para ouvir você tocar. Me incomoda muito o público diferente desse, que só grita durante o show, e não está nem aí para o que se toca", disparou. Aos 60 anos, sem apoio midiático e sem emplacar um grande sucesso desde "Chame Gente", de 1985, o compositor aposta que a marchinha "Ave Maria da Praça" pode emplacar como hit do verão de 2014.



Bahia Notícias – Você estreia, nesta quarta-feira (5), seus ensaios de verão, no Clube Fantoches. Quantas edições o projeto terá?
Armandinho Macedo – Na verdade, é uma comemoração dos meus 50 carnavais, são 50 anos de carreira. Vamos fazer esses três ensaios (nos dias 5, 12 e 19 de fevereiro) com diversos convidados. 
BN – E como foi a escolha pelo local? O Clube Fantoches é sempre lembrado por sua relevância nas festas de clube e nos carnavais antigos...
AM – De um tempo para cá, talvez de dois anos para cá, o Fantoches reativou essa coisa de shows – apesar de que ainda não reformaram aqui lá. É um espaço central, grande, oferece um salão, camarotes, tem toda uma disponibilidade ideal para se fazer esse tipo de coisa. Carece, realmente, de uma reforma. Parece que reativaram da forma que estava, mas é um espaço bacana pela história também. Você vê, pelos quadros que eles têm lá, as raízes do carnaval. 
BN – Armandinho, você é filho de Osmar Macedo, grande inventor do trio elétrico. Recentemente, o secretário municipal de Cultura, Guilherme Bellintani, veio aqui e disse que a democratização do carnaval e uma forma de inserir mais artistas na festa não necessariamente passam pelo trio elétrico, que foi a invenção da família Macedo. Ele defende que haja outras formas de inserção, via fanfarras, blocos de rua, shows em praças... Queríamos que você comentasse essa declaração.
AM – Tinha uma coisa que acontecia anos atrás, que eram os palcos de bairros. Essa era uma opção bacana, até para distribuir a festa. A gente ia para Macaúbas, para o Uruguai, eu tenho três troféus que eu ganhei nos anos de 1964 e 65 nesses bairros. Tinha gente que não ia nem no centro da cidade, ficava ali; os festejos rolavam nos palanques e os trios pequenos passavam por lá também. Antes mesmo de criarem oficialmente o circuito Barra-Ondina, a gente já descia com os trios pela Ladeira da Barra quando terminava a festa na Avenida. Hoje em dia, além de ter aumentado o número de trios elétricos, o tamanho do trio inviabilizou isso. A gente tem estruturas que só podem ser montadas na saída do percurso.
BN – Então você concorda com essa afirmação do secretário? 
AM – Sim, eu acho, inclusive, que os camarotes são uma porta de deságue para muitos artistas, já que essas estruturas promovem shows particulares. Concordo que algo do tipo possa ser feito nos bairros populares como Cajazeiras, Itapagipe, Rio Vermelho... Existe uma coisa hoje em dia no Carnaval que é o estrelato. Antigamente, o povo ia correndo atrás do trio, se divertindo, sem nem querer saber quem estava em cima do palco. Se a intenção é promover os artistas, então tem de ser feito algo desse tipo, para pulverizar essas atrações e prender as pessoas. Senão elas vão mesmo atrás de Ivete e não vão dão crédito a um artista desconhecido.
BN – E que opções seriam essas para prender a pessoas?
AM – Temos muitos artistas baianos que atuam bastante em palco. Luiz Caldas é um, Gerônimo, Magary Lord... Se pegar aí tem  uma galera...Assim como eu não concordo que, durante o carnaval, no espaço que é do empresário ele contrate dupla sertaneja, sucessos que nada têm a ver com o Carnaval. Aí ficam de fora Luiz Caldas, Gerônimo, Moraes Moreira, Pepeu Gomes
BN – Então você é contra a invasão desses outros gêneros musicais, como o sertanejo, o eletrônico?
AM – Ah, com certeza, isso aí acaba com a originalidade da festa, acaba com a cultura musical baiana, porque vai deixando de escanteio os artistas do carnaval. Isso é horrível! Tem que se pôr determinados limites nas coisas. Acho que convidados têm de ser convidados de Margareth, de Carlinhos Brown, de Dodô e Osmar, de Daniela e que subam no palco ou no trio e cantem o que quiser, mas quem comanda ali é uma entidade baiana do carnaval, é daqui. 
BN – E o pagode baiano que não participava até os anos 90 e depois entrou nos circuitos e subiu no trio também?
AM – Isso aí eu acho até mais natural. Márcio Vitor é do trio elétrico, Harmonia do Samba... No começo, eu ficava meio ressabiado porque era samba. Samba, rapaz, na época dos trios de guitarra baiana, não pegava na rua. O povo só queria marcha e frevo, a lógica binária. No samba tinha que se parar para rebolar. Eu me lembro que quando estourou aquela música "Olha a flor da laranjeira/ Alô, Bahia", ela não virou sucesso instantâneo. Hoje, esse samba é o típico samba que todo mundo acompanha, mas na época não era. A nossa bateria também era aquela charanga de frevo, não encarnava no negócio do samba, não pegava, o pessoal pedia para trocar a música. Quando eu aprendi a tocar esse samba, meu pai me dizia: "Meu filho, samba não dá, não pega, o povo não dança, eles querem o frevo, o binário, para pular. É música para pular brasileira!".
BN – Desde 1985, ano do "Chame Gente", que a banda Armandinho, Dodô & Osmar não consegue emplacar um grande sucesso de rua. A que você atribui isso? É pela inserção desses outros ritmos na festa, pela lógica da indústria do entretenimento?
AM – A indústria começou a manipular a comunicação, a ter uma coisa contratada. Quando a gente começou a gravar os discos de trio, em 1975, não tinha um produto do carnaval e aqui na Bahia era a história dos trios elétricos. Então, quando os discos começaram a sair, isso foi um prato feito para as rádios, que tocavam o disco inteiro. As rádios não só punham as músicas cantadas não, eram todas, inclusive, as instrumentais. Nos anos 80, a voz começou a tomar conta do negócio, vieram os blocos, que começam a armar esquemas com o pessoal de rádio, e aí passaram a não tocar nossos discos. Eu me lembro que quando saiu a música "Chame Gente", a gente já sofria com essa manipulação dos espaços nas rádios. Foi aí que a gente viu surgir e crescer esse esquema, que hoje é dominante. "Chame Gente" ficou pela sua força mesmo, pelo seu efeito contagiante nas pessoas, mas não é uma música que fica tocando nas rádios. Ela é algo como "Colombina" nos tempos passados...
BN – As chamadas "músicas do carnaval" são escolhidas exclusivamente por essa inserção nas rádios e na TV ou realmente há algo nelas que motiva a inserção?
AM – A maioria das músicas de hoje é descartável, não tem o menor conteúdo para ficar na memória, então, com elas são fáceis... É a coisa do oba oba, da sacanagem para entreter. Na verdade, elas vão para a boca do povo porque são fáceis e porque são tocadas. Fizemos um disco no ano 2000 e agora, em 2010, a gente preparou uma música e nada repercutiu. Isso desestimula você a gravar no carnaval. Em 2010, a gente foi apresentar essa música na rádio, fizemos uma entrevista de duas horas e, em nenhum momento, tocaram a música de trabalho inteira, porque todos os espaços musicais eram vendidos. A gente está com uma música agora que é muito boa, chamada "Ave Maria na Praça": "Ave Maria, cheia de graça, que alegria é ser do chão da praça". Um negócio bacana, dentro do nosso espírito mesmo. A gente vai tentar emplacar, mesmo com esse esquema de jabá. O tema do Carnaval de Salvador esse ano é "Salvador é diferente" e até colocamos uns versos fazendo referência a isso. A gente acredita, mas não tem mais aquela coisa dos tempos antigos. Hoje também não se faz a música para o carnaval, mas para o ano ou para a passagem dos trios. A Bahia perdeu muito as alegorias do carnaval, o público virou um expectador de shows na rua. As pessoas se fantasiavam antigamente e hoje basta pôr uma bermuda, tênis e ir para rua, encostar em um isopor e ficar parado. Cada um faz seu camarote em toda a avenida.
BN – Certa vez, há um tempo já, encontrei você em um supermercado ali da Barra fazendo compras tranquilamente. No mesmo dia, ao sair do mercado, no Shopping Barra havia uma parafernália de segurança e gente por conta da presença de Carla Perez. Um grande artista, um dos maiores guitarristas do mundo, segundo a revista Rolling Stone, fazendo compras tranquilamente a metros de distância de uma celebridade que mobiliza todo um aparato para ir ao shopping. Te dá algum tipo de ressentimento dessa fama exacerbada de alguns artistas que vivem do carnaval iniciado por você?

AM – Ressentimento de ver essas situações, não. Até porque a gente sabe que nem tudo que faz sucesso é bom. Agora se está na televisão, o povo corre atrás. Engraçado você lembrar isso, porque outro dia eu estava em uma farmácia e a mulher saiu dizendo que queria tirar uma foto comigo porque eu estava no Rede Bahia Revista. "Você estava na TV, não foi? Eu te vi, faça uma foto comigo!". Imagine então quem está na TV todos os dias? Eu sempre fui multi-instrumentista e, desde cedo, eu vi que tinha um público sério que parava para ouvir você tocar. Me incomoda muito o público diferente desse, que só grita durante o show, e não está nem aí para o que se toca. O que a gente sente falta também é o reconhecimento da imprensa: você toca quatro dias de carnaval e quando vai ver a retrospectiva feita pela mídia, nem cita. Mas aí você entende que é muita coisa acontecendo nesse período, muita coisa que interessa à mídia, isso é natural. 
BN – Participar de bloco fechado não seria uma opção interessante, no passado, para conquistar esse espaço frente à mídia e ao público?
AM – A gente tentou ter um bloco, em uma ocasião, chamado "Adrenalina", mas o público da gente não tinha esse perfil de bloco. Fizemos dois anos, foi crescendo. No primeiro ano tivemos 700 compradores, no segundo foi mais de 1,3 mil (além dos abadás promocionais). No segundo ano, o dono da vaga começou a chiar, dizer que não estava lucrando. E eu contra-argumentava dizendo que tínhamos que educar o público, que o retorno financeiro só se teria depois de, no mínimo, cinco anos. Tem muita gente que pula atrás do nosso trio e que pede isso, mas a gente tem mostrado que a seleção natural daquela pipoca que sai com a gente é de quem gosta da história, da música, da guitarra, tem toda uma ligação com a coisa. Um bloco associado não segura a estrutura, tem de ter os patrocinadores e nós estamos bem arranjados com os nossos. Além disso, não começamos desse modo nos anos 80. Não é uma coisa de sucesso, de mídia, mas é uma coisa que arrasta muita gente, de crianças a pessoas mais velhas.

BN – Com essa formação musical instrumental, como vai esse tipo de música hoje na Bahia?
AM – Eu não posso fazer uma avaliação geral, mas para mim existe um respeito do público pelo que faço. Eu tenho um público na Bahia, mas eu não vivo só daqui. Eu viajo muito, para fora do país, inclusive. Eu acredito que se eu dependesse, como músico, só desse mercado aqui, eu não viveria de música. Salvador não é uma cidade que tenha bons espaços para shows; artistas famosos têm de fazer apresentações em barezinhos. Por isso que o Fantoches, do jeito que está, é o lugar que muitos artistas acharam para fazer seus ensaios de verão. A gente tem que cobrir tanta parede estragada, mas de noite, com os enfeites, dá para disfarçar.
BN – Como é o formato do show?
AM – É uma banda tanto para mim, quanto para os convidados. Nós fazemos as apresentações juntos mesmo, tudo ensaiado. A ideia da comemoração não foi fazer algo necessariamente para o carnaval ou para o que a gente vai apresentar no trio elétrico. Chamamos Geraldo Azevedo, Lenine, Fafá de Belém e Elba Ramalho, que é a mais ligada a essa coisa do Carnaval, porque está sempre aqui com trios elétricos. A ideia foi comemorar meus 50 anos de carreira com essa coisa mais MPB mesmo. A minha ideia é interagir com outros ritmos, afinal a guitarra baiana é um instrumento que pode estar presente em vários estilos. Um instrumento moderno, um instrumento novo, que está ressurgindo agora.
BN – Queria que você comentasse um pouco esse ressurgimento...
AM – A guitarra baiana é um híbrido de bandolim com cavaquinho, então já é um instrumento que mistura os dois. Eu coloquei uma quinta corda, o que já diferencia dos dois instrumentos originais. Assim como o trio elétrico, a guitarra baiana absorve tudo que é novo, tudo que é musical. 

Fonte:  Bahia Noticias / Pajeu da Gente

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