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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Livro: Retrato de Homero como sertanejo

capa caderno 3 02Na infância, o escritor e jornalista Cláudio Portella costumava chamar de "Cego Aderaldo" os amigos que usavam óculos. Os pequenos poderiam até não gostar, mas é fato: antes de uma "arenga", a denominação era quase uma homenagem, ao relacionar a criança portadora do óculos com um dos mais importantes versejadores e cantadores do Ceará.
Inspirado por essa reminiscência do passado e pela vontade de elucidar a história, Portella voltou-se ao resgate da vida e obra do personagem. O resultado é o livro "Cego Aderaldo - a vasta visão de um cantador", lançado neste mês pela editora Escrituras.
Nas páginas, além de um pouco da história de Aderaldo Ferreira de Araújo - marcada pela superação das limitações físicas - há glosas, quadrões, desafios e outros formatos da criação poética do cantador, ícone da cultura popular cearense. Destaque-se ainda o considerável acervo de fotos reunidas, com Cego Aderaldo em diferentes ocasiões de sua trajetória.
"Quando minha vó materna, Juvina Quinto Ribeiro, recitou-me pela primeira vez um cordel, percebi que o imaginário era mais real do que eu poderia imaginar. Minha vó sabia de cor vários cordéis. Meu predileto era o 'Pavão Misterioso'. Também me recitava 'A Pelaja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum'. Esse foi o meu primeiro contato com o Cego", recorda Portella.
Pesquisa
Segundo Portella, embora tenha escrito alguns poemas, Cego Aderaldo era essencialmente cantador repentista. "Há diferença entre repente e poesia", ressalta.
A vontade de investigar o universo do artista veio a partir de outro. "Organizei um livro sobre Patativa do Assaré, então também desejei escrever sobre o Cego Aderaldo. São dois grandes nomes da literatura popular do Ceará", justifica. "Mas a aproximação com as raízes literárias da minha terra é uma faceta que me agrada muito e, ao mesmo tempo, também me assusta. Como escritor, minha literatura é completamente diferente daquela que é praticada no nosso sertão", explica.
A pesquisa para o trabalho teve como base desde recortes de jornais antigos até obras raras e entrevistas. "Meu bom e querido amigo Gilmar de Carvalho me aconselhou a procurar arquivos de jornais. Foi o que fiz. Consultei também bibliotecas, além da sessão de obras raras da nossa biblioteca estadual. Pesquisei ainda na internet. Não deixei de consultar um só texto que eu soubesse que fazia referência ao Cego Aderaldo", resume.
"Viajei a Quixadá para conversar com o pesquisador João Eudes Costa, que era amigo do Cego, e foi-me de grande serventia", complementa.
Nesse sentido, Portella destaca um poema, presente em sue livro, que Aderaldo fez para o próprio João Eudes Costa. "O cineasta Rosenberg Cariry também contribuiu muito com a pesquisa, sobretudo na questão iconográfica", reconhece.
"Mantive contato ainda com Dona Nair Brito, viúva de Mário Aderaldo Brito, o guia mais importante de Aderaldo", lista o autor.
Segundo ele, ajudaram ainda o jornalista Zelito Magalhães, os escritores Arievaldo Viana, Oswald Barroso e Aderaldo Luciano. Ao todo, o processo de pesquisa e realização do livro durou 14 meses.
Mito
Para Portella, mais do que versador e cantador, Cego Aderaldo de sobressaiu como "marqueteiro". "Talvez ele tenha sido o matuto com mais tino pra coisa. Saiu tocando discos pelo interior, quando o povo achava que gramofone era um ET, depois foi exibir filmes e ainda se arriscou como comerciante", conta.
"Outra faceta importante é a de publicitário. No livro há um capítulo intitulado 'Cego Aderaldo e a propaganda', onde mostro os versos que ele fez para vender remédios e produtos de higiene pessoal", explica Portella. "Era um repentista que sabia deixar sua marca. Tanto é que virou mito", avalia. Em Fortaleza, o livro será lançado na primeira quinzena de março.

Livro

Cego Aderaldo - a vasta visão de um cantador
Cláudio Portela
Escrituras
2013, 192 páginas
R$ 28

DIÁRIO DO NORDESTE

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