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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cinema: Eduardo Coutinho > Um legado de histórias

Caderno3Em uma única frase, o documentarista Eduardo Coutinho conseguiu resumir a essência do fazer cinematográfico. "Cinema é isto: se você conta mal, não adianta ter uma boa história. Saber contar é essencial", disse em julho de 2013, durante palestra na 11ª Festa Literária Internacional de Paraty, na qual foi homenageado.
Infelizmente, o público não poderá mais aguardar a próxima história bem contada de Coutinho, assassinado a facadas na tarde de domingo (2) pelo filho, que sofria de esquizofrenia. O cineasta tinha 80 anos e deixa um legado importante no campo do documentarismo, graças a títulos como "Edifício Master" (2002), "Cabra Marcado para Morrer" (1985) e "Jogo de Cena" (2007).
Difícil discordar da mencionada afirmação de Coutinho na Flip frente a cenas pungentes como a de Henrique, em "Edifício Master", que canta uma "My Way" (Frank Sinatra) tão emocionada; ou a do homem que chora ao cantar "Esmeralda", de Carlos José, por lembrar da mãe de 85 anos, em "As Canções" (2011).
Isso tudo a partir de uma estrutura de câmeras e iluminação relativamente simples. Extrair o íntimo de pessoas desconhecidas frente às lentes estava entre as habilidades mais pronunciadas de Coutinho - que, nos primeiros filmes, fazia-se presente corporalmente nas cenas; com o tempo, apenas sua voz o identificava no ambiente, caso de "As canções", sua última produção.
Carreira
Eduardo Coutinho cursou Direito em São Paulo, mas não concluiu. Em 1954, aos 21 anos, travou o primeiro contato com cinema em seminário promovido pelo MASP e dirigido por Marcos Marguliès.
Ganhou um concurso cultural de televisão e, com o dinheiro do prêmio, foi para a França estudar direção e montagem, onde realizou seus primeiros documentários.
De volta ao Brasil, integrou-se ao Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC da UNE), no qual passou a contribuir em funções ligadas ao audiovisual. É dessa época, na década de 1960, o projeto do filme "Cabra marcado para morrer" - lançado somente em 1985.

O longa foi idealizado quando Coutinho conheceu a história de João Pedro Teixeira, líder da Liga Camponesa da Paraíba, assassinado por latifundiário da região em 1962.
Decidiu, então, fazer um filme de ficção com a história de João Pedro. Os próprios camponeses atuaram nas gravações e a esposa de João Pedro, Elizabeth Teixeira, fez seu próprio papel. As gravações, porém, foram interrompidas pelos militares logo após o golpe. Quase todo o material foi apreendido, sob alegação de ser propaganda comunista.
Coutinho só retomou o projeto em 1981, mas com a ideia de transformá-lo em documentário. O resultado foi tão bom que até hoje "Cabra marcado para morrer" é considerado sua obra-prima.
Antes, lançou seus primeiros títulos, como "O Homem Que Comprou o Mundo" (1968). Paralelamente, entre 1975 e 84, trabalhou no Globo Repórter, o que contribuiu para ratificar seu talento como documentarista.
Reconhecimento
A qualidade de seu trabalho seguiu ao longo da década de 1990, com filmes que se tornaram marcos do gênero documentário no Brasil - caso de "Boca de lixo" (1993), sobre catadores de lixo de São Gonçalo (RJ).
Nos anos 2000, os destaques foram "Edifício Master" (2002), sobre histórias de moradores de um enorme edifício em Copacabana, no Rio; "Peões" (2004), sobre as histórias pessoais de trabalhadores envolvidos no movimento grevista do ABC Paulista, em 1979 e 1980; e "Jogo de cena" (2007), que mistura ficção e realidade a partir da filmagem e encenação de relatos de mulheres e suas histórias.
Pelo conjunto de sua obra, Coutinho recebeu, em 2007, o Kikito de Cristal, um dos mais importantes prêmios do cinema nacional. Em junho de 2013, junto com o colega cineasta José Padilha, foi convidado a integrar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela premiação do Oscar.
No mesmo ano, foi homenageado pela 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que realizou retrospectiva completa de sua filmografia - incluindo trabalhos de ficção. Coutinho certamente um recorte significativo da alma do povo brasileiro.
Filmografia
Longas-metragens

O Pacto (episódio do longa "ABC do Amor" - 1966)
O Homem que Comprou o Mundo (1968)
Faustão (1970)
Cabra Marcado para Morrer (1985)
O Fio da Memória (1991)
Boca de lixo (1993)
Santo Forte (1999)
Babilônia 2000 (2000)
Edifício Master (2002)
Peões (2004)
O Fim e o Princípio (2005)
Jogo de Cena (2007)
Moscou (2009)
Um dia na vida (2010)
As Canções (2011)

Diário do Nordeste

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