
Onde é sertão
O sol se expande, lume
E corresponde ao aço, exato gume
Da mesma forma que à flor
Espinho ou perfume
Quando fonte
Veio d’água, minado
Quando chovido, encantado
À noite, enigma e negrume
Encantamento: lua, estrela, breu-sertão
Vaga-lumeado
Céu-acalanto, céu de aboio, céu/baião
Chuvisco, pesponteado
Reino de tão intensa luz
E de tão rara escuridão
Rasteiro e alado
Vastidão-flama, céu de chumbo
Véu que se derrama ao chão
Nuvem que chora, quando é chuva
Enlevo à alma, como ao coração
Dentro da gente que trilha
Ante entrevero ou penedia
Ao sol, incandescida pilha
No pino do meio-dia
Dentro do que se finca
Na fibra e no afinco do andarilho
Na entranha do que míngua ou perde o trilho
E do que se irradia
Do que voa, avança e vence
Do que desentoa, mirra ou medra
Dentro da alma de pluma
Dentro da alma de pedra
Virgílio Siqueira

VAGA-LUMEAR - Página 365
Musicado por DAVI
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