
Estruturas invisíveis
Irrompe em nova caminhada
Agora noutra direção, feito enigma; sem nome
(Tinge o lume do sol do sertão nordestino na textura do seu passo)
A estrutura física é a mesma
O semblante guarda a mesma expressão; rígida
De onde olhos perspicazes se lançam à captura de exatas imagens
Aprova seu novo não-nome
O poeta se reconstrói de dentro dos seus traços
Que se harmonizam com a criatura escondida no bojo de si mesmo
Não precisam saber de nada
Do cidadão que vai à rua com velada pretensão
Recolhendo retalhos de luzes, com os quais tecerá a roupa do seu dia
Não terá face o homem silente
O que fisga partículas poéticas que voam perdidas
Opacas, iguais à figura que não se vê luzindo nas próprias expressões
Não revolverá sonhos tecidos
Sorverá ares do norte; e estes moverão seus teares
(Há frutos sumarentos ali, por serem devorados e descritos seus teores)
Voando em seus próprios ares
Imprimindo-se em seus próprios sabores e formas
Vetando, ao nome que o descreve, qualquer definição à sua força e luz
Então voará nas asas da poesia
Jamais lhe emprestando o próprio nome ou lume
Portanto, aquele não terá rosto nem será exaltado por façanha vernácula
Reterá em si a fibra do silêncio
E deixará que as imagens e coisas, por si mesmas
Se façam imponentes e luzidias; sem o nome de quem as cultua ou versa
E o poeta, retido em si mesmo
Não se negará à entrega, na plenitude do silêncio
Onde será, apenas e tão somente, o sustentáculo de estruturas invisíveis
Virgílio Siqueira

VAGA-LUMEAR - Página 404
Facebook do Autor
Nenhum comentário:
Postar um comentário