Seguidores

Para Que Vim


Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

sábado, 11 de janeiro de 2014

MÚSICA: A vida de Lia de Itamaracá é como o vaivém de uma ciranda

 /

Para Lia de Itamaracá, cirandar é verbo que se conjuga em coletivo; o mar e a areia são as pontes que lhe unem ao sagrado e a viagens antes nunca imaginadas. Alta, negra e elegante, a mulher que sempre sonhou em cantar (“O povo perguntava por que eu não quis cantar música de Nelson Gonçalves e Ângela Maria. Mas eu nasci pra ciranda. Cada qual com o seu qual”, lembra) se transformou em uma figura lendária na cultura brasileira. Hoje, com os pés na areia, vestido brilhoso, brincos e colares, e ostentando com orgulho o título de Rainha da Ciranda, Maria Madalena Correia do Nascimento (“Lia vem de Maria. Foi o apelido que me deram quando eu era menina.”) celebra seus 70 anos de vida, carregando consigo o que considera os maiores presentes: vitórias e amizades. A festa, neste domingo, é na beira-mar da Praia de Jaguaribe, em Itamaracá, a partir das 20h.
 Lia nasceu e cresceu em Itamaracá. Foi criada por uma família adotiva, e logo na infância se apaixonou pelos folguedos populares. Adorava assistir aos pastoris e reisados, quando decidiu, aos 12 anos, fugir à regra e ser a primeira – e única – artista da casa. Nos anos 1960, período de efervescência do Movimento de Cultura Popular, Lia viu o auge da ciranda e virou um dos nomes recorrentes do ritmo praieiro. Em 1978, a cirandeira gravou seu primeiro LP, Rainha da Ciranda, entrando no ostracismo logo depois e ficando mais de 20 anos como merendeira numa escola pública da ilha.
Só nos anos 1990 é que Lia voltou à cena, graças ao empenho de regaste artístico do escritor Ariano Suassuna, à época secretário de Cultura do Estado, e do Movimento Mangue. Desde então, Lia se mantém ativa, e gravou dois CDs: Eu sou Lia (2002) e Ciranda de todos os ritmos (2008), chegando a viajar por todo o Brasil e também no exterior. “Eu vivia num mato sem cachorro. Mas já conheci o mundo, graças a Deus e graças à minha luta. Mas Itamaracá já me virou as costas”, diz. Nomeada Patrimônio Vivo de Pernambuco, em 2005, a cantora projeta, agora, gravar seu primeiro DVD.  


Mas o maior sonho de Lia é outro: reconstruir o Centro Cultural Estrela de Lia, que desabou  na última quinta-feira, com a força da chuva e do vento. No local, aconteciam rodas de ciranda e eram dadas oficinas de música e cabelo afro. “Isso mais cedo ou mais tarde ia acontecer. Não tenho ajuda de ninguém. Sozinha eu não posso fazer nada", disse a cirandeira, emocionada. Ele se deparou com a cena enquanto recebia a reportagem na sua casa.  O espaço, de madeira e palha de coqueiro, já estava em estado crítico há pelo menos dois anos. Sem condições para reformá-lo, Lia aguardava a ajuda da Prefeitura de Itamaracá, o que não aconteceu. No entanto, procurada pelo JC, a secretária de Educação e Cultura da Ilha, Conceição Menezes, garantiu que vai ser tomada alguma providência até amanhã.

Em 70 anos de vida e 58 de carreira, Lia considera ter sido as amizades suas grandes forças para conseguir o sucesso. Na sua colorida casa, em Jaguaribe, ele empilha lembranças e as relembra numa conversa – sempre é assim – bem humorada. Foi com o sorriso que ela conquistou o carinho de muita gente, como é o caso do percussionista Naná Vasconcelos, que define a cantora como uma “explosão de cores, mas sempre sóbria e elegante”. Naná se lembra bem das primeiras vezes em que ouviu Lia cantar. Junto com a cantora Teca Calazans (a quem a Rainha da Ciranda atribui a autoria do clássico Quem me deu foi Lia), ele frequentava as rodas de ciranda para pesquisar a música e se encantou pelo trabalho dela. “Nos anos 60 e 70, depois do teatro, nossa diversão era ir para a ciranda. Teca adorava e cantava nos shows. Chegou a gravar, inclusive. Ela e o Quinteto Violado”, lembra o percussionista. “Lia é a ciranda viva. É simples, mas tem uma lírica poética maravilhosa, com profundidade. Ela é sinônimo de resistência, e guarda uma africanidade muito forte.”
Se na música ela é reconhecida por seu estilo particular – Lia já foi chamada de “diva da música negra” pelo New York Times, e é convidada de honra em todos os shows de Marisa Monte no Recife – a cirandeira da Ilha de Itamaracá é também querida pelo carinho com os amigos nos bastidores. “Ela é uma pessoa muito boa e batalhadora. Sempre me chama de mãe. E a gente brinca muito quando se encontra”, diz a coquista. “Quero que Lia viva muito, muito.”

ateus Araújo
Especial para o JC  

Nenhum comentário:

Postar um comentário