FATOS HISTÓRICOS DA CANTORIA DE REPENTE
Eita que estou “silibrinado”. Resolvi girar as engrenagens do “matulão teletransportador” do passado. Fui ter uma breve conversa com o compadre Pedro Baptista, irmão de Chagas Baptista para trazer informações ao presente.
Não mais se faz necessário provar que o nosso Teixeira é, como costumo espalhar aos quatro ventos, "O ÚTERO DA CANTORIA". Tal denominação, criamos com o fito de distinguir a Cantoria de Repente, surgida em Teixeira, das denominações que ainda uns poucos costumam usar como, por exemplo: "Teixeira, berço da cantoria", "Teixeira, terra onde nasceu a poesia" e por aí vai. Ora! Quanto à poesia, não podemos mensurar quanto tempo tem sua origem, nem ao certo o seu local de nascimento, ao passo que a [CANTORIA DE REPENTE] sim, é possível ter a precisão do seu local de nascimento. É um fenômeno que, para o mundo surgiu pela primeira vez no Sertão da Paraíba, em final do Século XVIII e início do XIX, precisamente na cidade de Teixeira - PB.
Ouso informar e, é primordial que saibam, que foi Ugolino Nunes da Costa quem fez a fusão dos versos de repente ao som da viola. Que feito extraordinário! São muitos do Teixeira que ainda teima em não valorizar. Lamento sinceramente.
Para os que ainda não estão bem informados, por não gostarem do estudo aprofundado da história local, em Teixeira não só houve o nascimento da cantoria de repente, mas, também, houve a primeira escola de cantadores. E quem "danasco" seria o seu mestre, seu fundador? Ele mesmo, o grande Romano do Teixeira. Já pensou? E nos dias atuais, o que dizer, quanto ao incentivo de tão rica arte surgida em nossa terra?
Certa vez, lembro-me do amigo Jomaci Dantas “Lola”, numa luta medonha pra implantar aulas de cantoria e repente em Teixeira. Não obteve o menor incentivo. E eu, o que poderia dizer? Disse que se dependesse de minha pessoa o projeto já estaria em execução. Mas...
O amigo Nenem Patriota, pelo menos uma vez foi acolhido e ministrou oficina sobre a arte em comento. Uma vez! Que eu me lembre.
Vamos mais, voltando à história: Germano de Araújo Leitão (da Lagoa), nascido no Sítio Lagoa de Dentro (Teixeira), genro de Agostinho Nunes da Costa, foi o inventor e introduziu na cantoria o verso de dez linhas, ou seja, a décima. Segundo afirmações de Romano do Teixeira, Germano da Lagoa era invencível nas cantorias em que participava e houvesse a modalidade de décima. - Ora, Romano! Não tinha como ser diferente, homem.
Agora, imaginem os senhores a nossa Cadeia Velha. Veríssimo, irmão de Romano da Lagoa, ao tempo que era cantador, era também cangaceiro profissional. Preso, na Cadeia Velha, Veríssimo recebeu a visita do irmão Romano e lá, entre as grades entraram em peleja e prolongaram-se cantando noite adentro. - Acredito ter sido “mesmo que achar” para os demais encarcerados.
Deveríamos ter vasto acervo dos versos de Ugulino Nunes da Costa – com certa exclusividade, já tive o prazer de ler alguns – mas, o nosso poeta e cantador repentista Germano da Lagoa, que ficou com parte do acervo de Ugolino Nunes da Costa, fez-me o favor de queimar boa quantidade, alegando ele “que cada um procurasse se divertir de seu tempo, pois o passado e o futuro não passam de conversa fiada!”. – Mais, ora basta!!! Não sebe ele o prejuízo que causou ao nosso patrimônio histórico cultural.
Sobre o nosso grande Ugulino, assim descreveu Germano da Lagoa:
“Tua presença, Ugulino,
Faz tremer e faz terror,
Faz mais medo a cantador
Do que boi faz a menino;
Fez ficar mudo ferino
A tua veia composta;
Do teu cantar tudo gosta,
Pra contestar és um dunga;
É um deus de águias-punga,
Ugolino Nunes da Costa”.
Bom, por enquanto é o que podemos dispor. DEVEMOS VALORIZAR MAIS O QUE É NOSSO!
Juliano Rodrigues
Fonte: Facebook do Autor
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