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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

ENSAIO: A poética da margem final

Manuel Bandeira apresenta vários momentos em que põe em relevo a reflexão que faz sobre a morte

Não se trata, porém, à moda dos românticos, de uma evocação idealizada. O poeta, desde jovem, conviveu com a sombra de uma tuberculose que o perseguiu e influiu sobre sua poética. Não precisou, para isso, de uma eloquência desesperada e verborrágica. O poeta reduz a forma e as cenas ao essencial, buscando tirar delas a máxima significação poética, também quando tematiza a morte, como o que ocorre em "Momento num café" (Texto I):


Leitura do poema

O título do poema remete a uma circunstância cotidiana. O apelo a ambientações dessa natureza concorda com as iniciativas modernistas de retirar arte do aparentemente banal. O indefinido "num" do título sugere que o acontecimento poderia ter-se passado em qualquer Café. O poema-narração inicia-se com uma marca temporal indefinida: "Quando". Nota-se, então, que a referência circunstancial é um recorte de um instante. Nos versos 02 e 03, duas escolhas referenciam uma época passada: o "Café", estabelecimento onde a sociedade (intelectuais, burgueses) encontrava-se; e o (ainda) uso do "chapéu". Diante do "enterro" que passa fora, "os homens", de dentro do café, "tiram o chapéu" e saúdam "o morto".

O Eu, plurissignificando esses gestos com advérbio "maquinalmente" e o adjetivo "distraídos", denota, da parte daqueles, apenas uma automação ritualística da sociedade, e não manifestação de pesar, porque, afinal, todos estavam e precisavam continuar a estar "voltados", "absortos" e "confiantes na vida". Há, portanto, um contraste entre o café a rua. Oposição intensificada pela palavra "vida", reiterada três vezes como palavra final dos versos 05 ao 07. Na segunda estrofe, após a adversativa "no entanto", surge uma personagem, identificada como "Um", que, diferente de seus pares, é absorvido pelo fato de fora.

O Eu poético caracteriza seu gesto com os adjetivos "largo", "demorado" e, para identificar esse olhar lançado, o advérbio "longamente".

A polissemia

Observam-se, pois, dois significados atribuídos ao "enterro": o do grupo indiferente e o de apenas um indivíduo, voltado e absorto em sua reflexão. Como um narrador onisciente, o Eu traduz a conclusão metafísica daquele, definindo a vida como "agitação sem finalidade" e "traição".

Alegoricamente, expõe uma visão pessimista da vida, resultante da trágica tarefa de sobreviver a sua tuberculose mal curada. Aqueles da primeira estrofe, portanto, estariam confiantes no que é perecível e irreversível e traídos pela esperança no nada. A saudação feita pela personagem sensível, dá-se de modo espiritual, íntimo, e não convencional e frio. Nos dois últimos versos, ao atribuir liberdade à matéria e extinção à alma, subentende-se que o peso carregado pela vida não está no que nela há de orgânico, mas no que há de oculto.


Do Curso de Letras da Uece



TEÓFILO BEVILÁQUA

COLABORADOR*


Trechos

TEXTO I

Quando o enterro passou/Os homens que se achavam no café/Tiraram o chapéu maquinalmente/Saudavam o morto distraídos/Estavam todos voltados para a vida/Absortos na vida/Confiantes na vida.///Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado/Olhando o esquife longamente/Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade/Que a vida é traição/E saudava a matéria que passava/Liberta para sempre da alma extinta.

FIQUE POR DENTRO

Aspectos da vida do autor e ainda de sua obra

Manuel Bandeira nasceu (PE, 1886; RJ, 1968), uma vez eliminados os resíduos parnasianos e simbolistas dos primeiros livros (A cinza das horas; Carnaval), enquadra-se na vertente mais clássica do espirito modernista: tece, com a mesma habilidade, versos brancos e livres ou rimados e metrificados; rompe as barreiras entre a prosa e a poesia. Predomina em sua escritura o lirismo do eu, confessional, mas o cotidiano jamais desaparece de seus textos. Desenvolveu, principalmente, os temas da morte, do cotidiano, da infância, com pessimismo, humor e ironia. Seu poema Os Sapos (crítica ao formalismo parnasiano) foi declamado por Ronald de Carvalho, quando da abertura da Semana de Arte Moderna. 


Diário do Nordeste

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