O
estojo contém discos de canções, antologia e duas coletâneas inéditas
inicius de Moraes gostava de gente. É
só acompanhar o nome de seus discos para ver que ele sempre estava bem
acompanhado: Vinicus & Odette Lara, Vinicius & Caymmi no Zum Zum, De
Vinicius e Baden especialmente para Ciro Monteiro, Os afrossambas de Baden e Vinicius,
Vinicius e Toquinho, e por aí vai.
Além
dos discos que dividia com parceiros e intérpretes, outros álbuns que levam seu
nome estavam ligados a projetos coletivos, entre musicais, novelas e filmes,
como Orfeu da Conceição, Garota de Ipanema, Jesus Cristo Superstar e Deus lhe
pague. Sem falar dos dois infantis Arca de Noé, que habitam a memória afetiva
de muita criança grande.
No
ano em que se celebra o centenário do Poetinha, ao lado de sua obra literária
completa, que vem sendo editada pela Companhia das Letras, a Universal reúne
todos os discos de Vinicius de Moraes no estojo A arca do poeta. São 20 álbuns,
sendo dois deles – Pela luz dos olhos teus: cantando Vinicius – compilações de
interpretações de clássicos na voz de artistas de várias gerações.
A
vida de Vinicius de Moraes foi uma consagração à amizade e ao amor. Se suas
primeiras obras poéticas são marcadas pela inquietação metafísica e busca de
transcendência, num tom espiritualista, suas letras de canções parecem fazer as
pazes com o mundo e com as pessoas. As próprias escolhas do poeta indicam esse
caminho. De diplomata a compositor, Vinicius não se torna menos poeta, pelo
contrário, radicaliza sua obra e passa a encarnar a poesia na própria vida.
Às
vésperas do centenário, que será celebrado em 19 de outubro, e já parte da
história da cultura brasileira do século 20, é impressionante acompanhar a
colheita de acertos de Vinicius de Moraes em matéria de arte. Quando decidiu
escrever uma peça, Orfeu Negro, escolheu como parceiro Tom Jobim e, em seguida,
viu seu texto se tornar filme de Marcel Camus e ganhar o Oscar e a Palma de
Ouro.
Em
sua lírica para canções, criou um estilo que permitiu o desenvolvimento da
bossa nova, com versos limpos, imagens precisas, coloquialismo que não perde a
profundidade emocional e diálogo com vertentes até então marginais, como a
cultura afro-brasileira.
Muito
antes dos musicais se tornarem fenômeno do país, escreveu textos originais e
fez adaptações de clássicos da Broadway. Quando música infantil era folclore,
revolucionou e deu substância ao gênero com os maravilhosos álbuns Arca de Noé,
casamento perfeito de poesia e melodia.
Isso
sem falar na capacidade de encontrar em cada parceiro um modo próprio de
expressão. Há o Vinicius de Tom, de Lyra, de Baden, de Toquinho. Cada um com
sua singularidade em matéria de composição e novas contribuições para a
história da MPB. Até mesmo o gosto de declamar poesia, com seu risco para
cafonice, ganha em Vinicius um toque especial. O Poetinha deixou o terno de lado,
abriu a camisa até o peito, pendurou correntes, acendeu o cigarro, manteve o
copo de uísque na mão e não perdeu o charme. A elegância, no caso dele, vinha
da alma.
Esses
e outros momentos da carreira de Vinicius de Moraes na música brasileira podem
agora ser conferidos de uma vez só com A arca do poeta. Como definiu Chico
Buarque, no caso de Vinicius, “a vida é pra valer, a vida é pra levar”. Saravá.
Vida
e obra
Vinicus
de Moraes nasceu em 1913, no Rio de Janeiro. Estudou direito no Rio e inglês e
literatura na Universidade de Oxford. Entrou para o Itamaraty em 1941 e em 1946
assumiu seu primeiro posto diplomático, como vice-cônsul em Los Angeles, onde
conviveu com Carmen Miranda e se apaixonou pelo jazz. Seu primeiro livro de
poesia, O caminho para a distância, foi publicado em 1933. Além de poeta,
Vinicius foi dramaturgo e cronista. Conheceu Tom Jobim em 1953 e iniciou
parceria que seria definitiva para a consagração da bossa nova. Estreou nos
palcos como cantor em 1962. Em 1969, é exonerado do Itamaraty pela ditadura
militar. Em 1979, participa de leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos
de São Bernardo do Campo (SP), a convite do líder sindical Luiz Inácio Lula da
Silva. Casou-se nove vezes. Sua lista de parceiros musicais inclui Baden Powell,
Carlos Lyra, Edu Lobo, Chico Buarque e Toquinho. Vinicius de Moraes morreu em
1980.
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Todos os direitos
EM
COMPANHIA
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Vinicius & Odette Lara – Álbum de estreia de Vinicius ao lado da estrela de
cinema Odette Lara, com acompanhamento de Baden Powell ao violão e arranjos de
Moacyr Santos. Entre os temas, Samba da bênção e Berimbau.
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Vinicius & Caymmi no Zum Zum – Só craques no palco da boate, além do baiano
e do carioca, o Quarteto em Cy e o conjunto de Oscar Castro Neves. O resultado
é um registro de época que soa eterno. Vinicius lê sua “Carta ao Tom”, declama
poemas e canta clássicos como Primavera e Formosa.
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De Vinicius e Baden especialmente para Ciro Monteiro – Parcerias de Baden e
Vinicius feitas na medida para o canto sincopado de Ciro, grande amigo do
poeta.
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Os afro-sambas de Baden e Vinicius – Com arranjos e regência de Guerra Peixe e
participação do Quarteto em Cy, este é um dos mais importantes discos da
história da MPB. Com a incorporação da matriz africana, divide a história da
bossa nova e a carreira de Vinicius.
TRILHAS
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Músicas de Orfeu da Conceição – Trilha original da peça que lançou a dupla Tom
e Vinicius, com participações de Luiz Bonfá e Roberto Paiva. Destaque para
Overture, em arranjo de Tom para tema de Vinicius, e para a canção Se todos
fossem iguais a você.
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Garota de Ipanema – Trilha sonora do filme dirigido por Leon Hirzsman.
Participações do Zimbo Trio, Nara Leão, MPB-4, Ronnie Von e um raro dueto de
Chico e Elis em Noite dos mascarados.
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Jesus Cristo Superstar – Versões de Vinicius para a saga pop de Andrew Lloyd
Weber e Tim Rice, com participações de Eduardo Conde, Jarbas Braga e César
Roldão Vieira.
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Vinicius canta: Nossa filha Gabriela – Trilha original da novela da extinta TV
Tupi (não confundir com Gabriela, baseada no romance de Jorge Amado, da Globo),
que traz as primeiras parcerias com Toquinho, como Sei lá, a vida tem sempre
razão, na voz da dupla.
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Deus lhe pague – Parceria com Edu Lobo em espetáculo musical de Aloysio de
Oliveira, com Walmor Chagas, Marília Pêra e Marco Nanini. O texto de Joracy
Camargo foi transformado em comédia por Millôr Fernandes, dando a Vinicius a
oportunidade de ir do lirismo ao sarcasmo em suas letras.
COM
TOQUINHO
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Toquinho e Vinicius (1974) – Primeiro disco da dupla, traz os clássicos Como é
duro trabalhar, As flores de abril, Carta ao Tom 74 e a homenagem de Toquinho e
Chico ao parceiro, Samba para Vinicius.
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Toquinho e Vinicius (1975) – Consagração da parceria com canções próprias e
interpretação de temas de outros compositores. No repertório, O filho que eu
quero ter, Onde anda você?, Turbilhão e Meu pranto rolou.
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10 anos de Toquinho e Vinicius – Um apanhado da parceria em registro emocionado
e com comentários de algumas faixas, organizado em forma de pot-pourris, ao
modo que a dupla vinha apresentando no palco durante uma década.
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Um pouco de ilusão – Último registro da dupla, traz as valsas Gilda e Valsa do
bordel e a canção Escravo da alegria, além de incorporar mais um parceiro,
Carlinhos Vergueiro, em Por que será?.
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Arca de Noé e Arca de Noé 2 – Álbuns que mudaram a cara da música feita para
crianças no Brasil, nos quais Vinicius trabalhou até seus últimos dias.
Melodias de Toquinho e Paulinho Soledade para poemas de Vinicius, que se
preocupou com todos os detalhes, dos arranjos aos intérpretes convidados para o
segundo volume, entre eles Ney Matogrosso, Chico Buarque, Paulinho da Viola e
Tom Jobim.
POESIA
E COLETÂNEAS
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Vinicius: poesia e canção – Em dois volumes lançados em 1966, mescla canções e
poemas declamados pelo próprio Vinicius, pela filha Suzana de Moraes e pelo
ator Paulo Autran. Participação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, com
arranjos de Luiz Eça, Guerra Peixe e Radames Gnatalli, com regência de Diogo
Pacheco. Participam Edu Lobo, Carlos Lyra, Francis Hime e Ciro Monteiro.
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Antologia poética – Vinicius declama poemas selecionados por ele para sua
antologia poética lançada em livro. Algumas leituras são acompanhadas
discretamente por Roberto Menescal, Edu Lobo, Francis Hime, Toquinho e Tom
Jobim.
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Pela luz dos olhos teus – Cantando Vinicius – Dois álbuns com seleção de
interpretações de canções de Vinicius de Moraes. A nata da MPB: Tom e Miúcha,
Secos e Molhados, Emílio Santiago, Caetano Veloso, Bethânia, Zeca Pagodinho, Os
Cariocas, Chico Buarque, Elis Regina, Milton Nascimento e Simonal, entre
outros. São os únicos inéditos do pacote.
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