As bandas em 1992, no início do movimento mangue, ainda com Chico Science na formação da Nação Zumbi e Otto na de Mundo Livre S/A
Foto: Heudes Regis/JC Imagem
A ideia
de duelo é trazida logo no título do álbum: Mundo Livre S/A X Nação Zumbi (Deck), mas combate é o que menos se
faz presente no registro que traz duas das maiores bandas pernambucanas e
brasileiras reinterpretando uma a outra. E com certeza é importante deixar bem
claro que o disco, lançado oficialmente nesta terça (27), se trata mais de um
complemento dos grupos, quase que um casamento no qual o CD representa um álbum
antigo de fotografias que vem sendo revisitado através do olhar diferente que o
tempo promove. O desafio foi lançado para as bandas: sete faixas para cada, sem
restrições quanto às músicas e álbuns a serem escolhidos, mas também sem
direito a saber quais faixas a outra banda escolheu.
De Mundo Livre para Nação Zumbi foram quatro músicas do primeiro
álbum, Da lama aos caos, de 1994: A
cidade, A praieira, Rios, pontes e overdrives eSamba makossa; uma de segundo disco, Afrociberdelia de
1996, Etnia, ambos
da fase com Chico Science; a faixa homônima do disco Meu
maracatu pesa uma tonelada, de 2002, e uma do último álbum da
Nação, Fome de tudo, de 2007:No Olimpo. Já de Nação Zumbi
para Mundo Livre, as escolhas foram Livre iniciativa e Musa da Ilha Grande, do
primeiro disco da banda, Samba esquema noise, de
1994; Bolo de ameixa, do álbum Carnaval na obra, de 1998; Girando
em torno do sol, Pastilhas coloridas e Seu
suor é o melhor de você, deGuentando
a ôia, lançado em 1996,e O velho James Browse já dizia,
do último álbum de Mundo Livre, Novas lendas da etnia de Toshi Babaa,
do ano passado.
Dentre os muitos discos e músicas de sucesso de cada banda,
não foi fácil a malha fina para se chegar a um resultado final de apenas sete
faixas. Para Fred 04, vocalista da Mundo Livre S/A, a escolha de selecionar
músicas do início da carreira da Nação Zumbi foi proposital desde o início e
celebra de uma certa forma os quase 20 anos de nascimento da cena mangue (o
manifestoCaranguejos
com cérebro foi escrito
em 1992). “A gente não podia deixar passar uma oportunidade como essa de estar
fazendo 20 anos de manifesto e dos lançamentos dos primeiros discos das duas
bandas. Não fazia sentido não aproveitar essa data redonda. É uma maneira de
relembrar a importância que foi a cena mangue”, explica.
A
reciprocidade na seleção das músicas do início da carreira da Mundo Livre foi,
segundo Fred, “uma coincidência feliz”. Mas em resposta, o baixista da Nação
Zumbi, Dengue, brinca dizendo que Mundo Livre “só sabe tocar músicas do nosso
primeiro álbum”. “Não foi tão difícil escolher apenas sete músicas porque,
apesar da Mundo Livre ter um trabalho extenso e muito bom, optamos naturalmente
por pegar as faixas que mais gostamos deles”, explica.
Mundo Livre S/A VS Nação Zumbi é daqueles discos que não apenas se ouve
repetitivamente, mas também que fazem o ouvinte querer descobrir e redescobrir
as canções e os álbuns originais e, assim sendo, também relembrar os primórdios
do relacionamento da Mundo Livre S/A e da Nação Zumbi. União cujo ápice das
bodas de porcelana será em palco, com as releituras tocadas ao vivo e emoções
por ambos os grupos – infelizmente ainda sem datas definidas para o Recife, mas
com a garantia que irá acontecer em São Paulo, provavelmente em setembro.
Jornal do Commercio
Nenhum comentário:
Postar um comentário