Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Erasmo Carlos, Ney Matogrosso e o emblemático Queen com o jovem Adam Lambert no lugar de Freddie Mercury, são as atrações que voltam ao palco do festival na edição que começa nesta sexta
Queen, com sua nova formação, é um dos destaques da programação neste ano
Foto: Reprodução da interne
Medina
bate no peito e diz com bons argumentos que se fez o que fez numa época em que
o Brasil era uma selva aos olhos dos incrédulos empresários estrangeiros, fará
de novo e muitas vezes. Só é bom lembrar que o rock, o Rio e o Brasil não são
mais os mesmos. Se em 1985 sentiam-se os ventos de otimismo soprados na
nascente da democracia, 30 anos depois são todos atingidos por um caminhão
desgovernado. A saída do rock é a nostalgia. A do Brasil, ninguém sabe.
As
estruturas da monumental Cidade do Rock, no isolamento de Jacarepaguá, parecem
firmes. Medina negociou suas atrações quando o dólar ainda não havia chegado a
R$ 3, o que preservou sua saúde mental e financeira. Ainda assim, e por outras
questões, não fechou uma programação indispensável em nenhuma das noites.
Metallica está de volta, Elton John está de volta, System of a Down está de
volta, Slipknot, Rihanna, Katy Perry, todos de volta. E os que não voltaram por
falta de uma política de curadoria mais agressiva e inspirada, amparam seus
flashbacks no conceito. Ao comemorar seus 30 anos, o Rock in Rio ganha tempo e
carta branca para também trazer de volta Paralamas do Sucesso, Lulu Santos,
Erasmo Carlos, Ney Matogrosso e o emblemático Queen com o jovem Adam Lambert no
lugar de Freddie Mercury, uma peça de magnetismo ainda em teste para a
renovação de suas plateias.
Além dos
prejuízos que um câmbio punitivo impõe às contratações de um festival, um outro
detalhe dificulta cada vez mais a surpresa e o ineditismo. Ídolos de aço são
criações de gravadoras, não da internet. E esta geração que um dia criou o
próprio conceito de festival está morrendo. Black Sabbath, Eric Clapton, The
Who e Rush já anunciaram suas despedidas das grandes turnês. Roger Waters e
AC/DC não estarão mais em cena em 10 ou 15 anos. Keith Richards vai ter de
procurar outra banda para exercer sua eternidade.
Não há
mais no mundo muitos artistas capazes de colocar 85 mil pessoas em uma praça de
show. Pelas contas de Medina, eles não passam de 25. E então, por mais dura que
pareça a frase que o empresário não diz, é ela que deve reger cada vez mais o
festival para que ele sustente sua tradição bienal: o rock, neste contexto,
será cada vez menos importante. "Acho que a tendência é fazer com que a
experiência, em geral, seja cada vez melhor do que a atração maior do palco principal."
O empresário acredita
que a salvação para a crise de ídolos de massa seja seu próprio conceito de
'parque de diversões'. Ao colocar roda gigante, montanha- russa,
tirolesa, áreas gourmet e lojas bem decoradas na Rock Street, ele ameniza o
protagonismo daqueles que naturalmente seriam os protagonistas em formatos
clássicos de festival e dilui os focos de entretenimento. "É muito comum
ter um artista de primeira linha no palco enquanto há uma fila enorme na
montanha-russa ou na tirolesa." Essa já parece uma vitória consolidada ao
menos parcialmente, uma vez que milhares de pessoas compram seus ingressos no
escuro, antes de saberem quais serão as atrações.
Ao mesmo
tempo em que reforça sua ‘rockland’, Medina pensa como o empresário. Quando
precisa ter certeza de que o retorno de público será garantido em determinado
dia, aciona a tecla ‘Metallica’. Ao todo, contando as vezes em que a banda se
apresentou no Brasil e em edições da marca no exterior, esta será a sétima. Ele
responde sobre o assunto dizendo a frase "não me importo com o que vocês
da imprensa pensam" de uma forma um pouco mais polida. "Sim, existe
esse ponto da repetição, mas a questão é que eu tenho de agradar ao cara que
quer comprar o bilhete. E se eu botar o Metallica todo ano, ele vai lotar todo
ano. Essa questão que você levanta procede, é um debate acadêmico, mas eu tenho
pouca gente para variar."
Ainda que
veja o cenário com preocupações, Medina não pode ser acusado pelo clichê de
traidor do movimento. Sem julgamentos do valor de cada banda que passa por seus
palcos maiores nestes dois próximos finais de semana, o Mundo e o Sunset, o
rock está mais presente agora do que em 1985, e os camisas pretas, fãs do metal
e das ramificações mais pesadas do tronco originário do rock and roll, são os
que mais deveriam comemorar. No dia 19, sábado, eles terão Mötley Crüe e Korn,
além de Metallica e de toda as demais bandas do Sunset. Na semana seguinte, dia
24, quinta, System of a Down e Queen of the Stone Age. Um dia depois Slipknot,
Mastodon, De La Tierra e Faith no More. Os que dizem que em 1985 é que o Rock
in Rio era mais rock deveriam se lembrar de que passaram por aquele palco Elba
Ramalho, Alceu Valença, Ney Matogrosso, James Taylor e um assustado Erasmo
Carlos. "Eu tomei vaia porque cantei no dia dos metaleiros. A gente não
sabia que havia uma tribo dos metaleiros. Não sabíamos nem que havia
tribos", diz Erasmo.
O Rio de
30 anos depois do primeiro festival, quando incríveis 1.380.000 pessoas se
reuniram por dez dias em uma área de 250 mil metros quadrados, é sempre um
fator de risco. O que se deve preservar da edição de 2013 é o sistema de
transporte saindo de terminais na Barra direto para a Cidade do Rock. Uma
operação ágil, que sufoca o oportunismo dos taxistas. Contra, neste ano, deverá
ser o acesso ao portão principal, na Avenida Salvador Allende. As obras
municipais do BRT, os ônibus de interligação, estão neste momento estrangulando
as vias de acesso. As massas terão de ter paciência.
Já o rock
de 30 anos depois, ainda que feito muitas vezes pelos mesmos representantes,
continua tendo o poder de ser, sobretudo no Brasil de hoje, a única força capaz
de reunir 600 mil pessoas em um mesmo lugar, cantando uma mesma música. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Da Agência Estado
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