Um querido e velho amigo
Aborreceu-se comigo.
Disse que eu era incapaz
De reconhecer quem faz
O melhor para o país.
Que era um erro ouvir quem diz
Que a praga da inflação
Unida com a recessão
Faria o povo infeliz.
Que, na verdade, a razão,
Dessa preocupação
Que estava a me incomodar,
Era o jeito de falar
De muitos economistas,
Que baseados em listas
De dados condicionantes,
Tornavam preocupantes
As previsões futuristas.
– disse eu, na ocasião –
“Saber que a corrupção
No país, é alarmante.
Esse esquema tão gigante,
Envolvendo os empreiteiros,
As estatais, os doleiros
Partidos de várias cores,
Periga trazer mais dores
Aos corações brasileiros”.
Me chamou de pessimista.
Disse que a mídia golpista
Há muito me dominou.
Que em minha mente implantou
Um ódio quase mortal
Da pobreza nacional,
Que mudou de condição.
E ver pobre em avião
É coisa que me faz mal.
Achei melhor me calar,
Esperançoso de estar
Realmente equivocado.
Mas hoje vejo, assustado,
A coisa se complicando.
Vejo os preços aumentando,
A economia encolhendo,
O desemprego crescendo,
O país desmoronando.
Que zombou do que eu falava
E dizia que eu estava
Torcendo contra a nação.
Será que já tem noção
Do que está acontecendo?
Será que está percebendo
O caos na Economia?
Que o governo, a cada dia,
O controle está perdendo?
Que, além da economia,
A política, hoje em dia,
É uma fruta que apodrece?
Que todo dia aparece
Na imprensa um novo fato,
Um desvio em um contrato,
Uma entrega de propina,
Coisas que já são rotina
Na Operação LavaJato?
Que tu tivesses razão,
E aquela preocupação,
Que eu expus naquele dia,
Fosse apenas fantasia
Da mídia dita golpista.
Mas, sendo bem realista:
Brasil hoje é um veleiro,
Que segue sem timoneiro,
Nem sinal de terra à vista.
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