domingo, 28 de julho de 2013

Poesia: Colibri", "Absurdidade" > > Dois Sonetos, por Flávio Petrônio



COLIBRI

Jamais desejo ser algo exclusivo
A merecer a essência do jasmim.
Tudo o que se inicia tem meio e tem fim
Não me deixando da paixão cativo.

Você não me entende sendo impulsivo,
Nem haverás de aceitar sendo eu assim:
Um beija flor sobrevoando um jardim
Distribuindo todo o seu amor nativo.

Já não quero sentir o teu perfume,
O seu aroma é uma tragédia do ciúme,
Prenunciando o lado vão desta espera.

É que todo o fruto da tua semente
Obrigou meu coração a ser dormente
Ansiando o despontar da primavera.

Flávio Petrônio, 
São José do Egito-PE, 2004


ABSURDIDADE

Sou um espantalho que o espelho espantou,
Eu sou a sombra sem um teto ao meio dia.
Sou fóssil onde jaz a mãe poesia,
Que o mundo ignorando fecundou.

Sou o tempo quando o tempo não esperou;
Saliva no beijo que não sacia;
Procela saudosa da harmonia,
Daquele oceano que em tempos secou.

Sou os braços num abraço que consome;
Caneta que no cosmos fez o nome
Que até o momento ninguém diz que leu;

Presente de um passado sem futuro
Sou projetil que na razão fez furo
Renascendo o universo que morreu.

Flávio Petrônio,
Campina Grande-PB, Out 2008
Flávio Petrônio

Fonte: Facebook (Linha do tempo do autor)

CANTIGAS E CANTOS

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