Sanfoneiro compunha
espontaneamente e registrava as melodias em um gravador
| As melodias de Dominguinhos eram registradas em fitas cassete demoravam anos para ganhar letras, como no caso de Tantas palavras (1983), parceria com Chico Buarque. Foto: Bruno Bravo/olhONu. |
Eram
tantos amigos quanto parceiros musicais, em uma lista que contempla até a
roqueira paulista Rita Lee, parceira em Anjo forasteiro, do fim da década de 1970. Dizem que Dominguinhos
criava melodias fácil e rapidamente como quem abre a geladeira para pegar um
copo d’água. “Todas surgiram tão rápido, de forma tão mágica que pareciam
psicografadas”, conta Alceu Valença, parceiro de Lava
mágoas e Estrela somos nós, ambas de 1982.
Exímio
instrumentista e compositor, carecia de habilidade para escrever as letras. O
manejo e criatividade com a sanfona se tornaram explícitos durante a parceria
com o mestre Luiz Gonzaga. O mestre não abria mão da companhia de Neném - como
era conhecido na infância antes de ser “rebatizado” pelo Rei do Baião - nas
anuais gravações de discos e nos eventos importantes. Da sabedoria musical,
saiu uma safra de 42 discos em 50 anos de carreira. A maioria está fora de
catálogo.
O dom para a criação foi despertado por Anastácia, com quem viveu junto durante 12 anos e assinou mais de 200 músicas. Ela conta que, certa vez, em Sergipe, durante uma turnê pelo Nordeste, Dominguinhos começou a tocar pela manhã e ela, mesmo de outro quarto, inspirou-se para escrever. Ainda no início de namoro, em 1969, fizeram De amor eu morrerei e Um mundo de amor. “Era uma declaração de amor, sem perceber”, confessa.
O dom para a criação foi despertado por Anastácia, com quem viveu junto durante 12 anos e assinou mais de 200 músicas. Ela conta que, certa vez, em Sergipe, durante uma turnê pelo Nordeste, Dominguinhos começou a tocar pela manhã e ela, mesmo de outro quarto, inspirou-se para escrever. Ainda no início de namoro, em 1969, fizeram De amor eu morrerei e Um mundo de amor. “Era uma declaração de amor, sem perceber”, confessa.
A partir de então, o gravador era item
obrigatório. As melodias registradas em fitas cassete, algumas vezes, demoravam
anos para ganhar letras, como no caso de Tantas palavras (1983), parceria
com Chico Buarque. “O músico pernambucano já não se lembrava da fita e muito
menos da melodia, quando se encontraram para terminar o trabalho”, conta o
biógrafo Wagner Homem, no livro Histórias de canções. Mais de dez anos depois,
a fita rendeu ainda Xote de navegação (1998).
Djavan não esperou tanto, mas demorou um ano para devolver Retrato da vida (1998). “Eu encontrei Dominguinhos e ele me perguntou: ‘Dja, se eu te mandar uma musiquinha, você faz uma letrinha?’ Ele me enviou oito! A primeira que eu ouvi já era maravilhosa”, recorda. As outras sete permanecem “brutas”.
Outro parceiro da música popular brasileira foi o baiano Gilberto Gil, fã declarado de Luiz Gonzaga, influência direta no início da carreira musical.
Antes de escrever com ele os clássicos Lamento sertanejo (1975) Abri a porta (1979), Gil gravou Só quero um xodó (Dominguinhos e Anastácia), a primeira composição de sucesso de seu Domingos, em 1974. “Quando Xodó tocou no rádio, (Luiz) Gonzaga disse ‘eita, Neném, tu és danado mesmo’. E chorou copiosamente”, recorda a prima, Maria Lafaete Gonzaga. Ela o viu chorar duas vezes. A segunda foi com o arranjo do Quinteto Violado para Asa branca.
Dominguinhos, aliás, chegou a ser conhecido como sexto membro do Quinteto Violado, durante turnê de A feira, no início da década de 1970. Nessa época, ele e Toinho Alves compuseram Sete meninas (1975), gravada também por Jackson do Pandeiro. Também na estrada, quando se encontrava com João Silva, sempre saía uma música. “Uma vez, eu vi uma moça beijando um retrato várias vezes. Achei que era um santo, mas era o namorado dela. Quando contei a Dominguinhos, ele perguntou ‘e a música já está pronta?’”. Não estava, mas virou Retrato redondinho, umas das mais de 20 parcerias da dupla.
Em março deste ano, o cearense radicado no Recife Xico Bizerra lançou Luar agreste no céu Cariri (Passa Disco, R$23), com 11 parcerias inéditas da dupla nas vozes de Dominguinhos, Waldonys, Elba Ramalho, Guadalupe, Maciel Melo e André Rio, entre outros. As melodias foram feitas em poucas horas, durante almoço na casa do amigo Paulo Vanderley. O surgimento das canções foi registrado no vídeo Da criação à gravação, acessível no site do Viver. O dom do músico pode ser observado e compreendido em documentários, CDs e DVDs nos quais Dominguinhos desponta como talento puro por trás de uma sanfona nunca silenciada.
Djavan não esperou tanto, mas demorou um ano para devolver Retrato da vida (1998). “Eu encontrei Dominguinhos e ele me perguntou: ‘Dja, se eu te mandar uma musiquinha, você faz uma letrinha?’ Ele me enviou oito! A primeira que eu ouvi já era maravilhosa”, recorda. As outras sete permanecem “brutas”.
Outro parceiro da música popular brasileira foi o baiano Gilberto Gil, fã declarado de Luiz Gonzaga, influência direta no início da carreira musical.
Antes de escrever com ele os clássicos Lamento sertanejo (1975) Abri a porta (1979), Gil gravou Só quero um xodó (Dominguinhos e Anastácia), a primeira composição de sucesso de seu Domingos, em 1974. “Quando Xodó tocou no rádio, (Luiz) Gonzaga disse ‘eita, Neném, tu és danado mesmo’. E chorou copiosamente”, recorda a prima, Maria Lafaete Gonzaga. Ela o viu chorar duas vezes. A segunda foi com o arranjo do Quinteto Violado para Asa branca.
Dominguinhos, aliás, chegou a ser conhecido como sexto membro do Quinteto Violado, durante turnê de A feira, no início da década de 1970. Nessa época, ele e Toinho Alves compuseram Sete meninas (1975), gravada também por Jackson do Pandeiro. Também na estrada, quando se encontrava com João Silva, sempre saía uma música. “Uma vez, eu vi uma moça beijando um retrato várias vezes. Achei que era um santo, mas era o namorado dela. Quando contei a Dominguinhos, ele perguntou ‘e a música já está pronta?’”. Não estava, mas virou Retrato redondinho, umas das mais de 20 parcerias da dupla.
Em março deste ano, o cearense radicado no Recife Xico Bizerra lançou Luar agreste no céu Cariri (Passa Disco, R$23), com 11 parcerias inéditas da dupla nas vozes de Dominguinhos, Waldonys, Elba Ramalho, Guadalupe, Maciel Melo e André Rio, entre outros. As melodias foram feitas em poucas horas, durante almoço na casa do amigo Paulo Vanderley. O surgimento das canções foi registrado no vídeo Da criação à gravação, acessível no site do Viver. O dom do músico pode ser observado e compreendido em documentários, CDs e DVDs nos quais Dominguinhos desponta como talento puro por trás de uma sanfona nunca silenciada.
Diário de Pernambuco
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