De origem humilde e vida simples, o poeta/compositor
José Marcolino Alves muito nos encantou e encanta com suas poesias e canções
registradas, principalmente, através do tom grave da sua voz. Acho que ninguém
retratou tão bem a alma sertaneja, nem descreveu tão profundamente o sertão
como Zé Marcolino. Em 19 de setembro de 1987, o carro em que viajava, ao tentar
desviar de uma vaca na estrada, capotou e feriu gravemente o poeta que veio a
falecer no dia seguinte, aos 57 anos de idade.
Presto aqui minha homenagem ao poeta com duas décimas; a primeira, evocando dez
dos seus grandes sucessos:
“A Estrada” ficou no mesmo chão
Nem o tempo secou “Cacimba Nova”
E a “Saudade Imprudente” se renova
Quando ouvimos o “Pássaro Carão”
A “Cantiga de Vem-Vem” é baião
Pra “Cintura de Abelha” forrozar
E o chiado da “Pedra de Amolar”
No “Serrote Agudo” nós inda temos
Pra animar “A Dança de Nicodemos”
“Numa Sala de Reboco” de lá.
A segunda, glosando o seguinte mote:
“Bate o vento no terço da saudade
No pescoço da cruz de Marcolino”
O poeta, parece, ainda canta
No descanso da última morada
Sucumbido que foi numa estrada
Seu legado a todos nós encanta
E o tom grave da sua garganta
Que até hoje ecoa tão cristalino
Para mim é como escutar um hino
Despertando o dom da simplicidade
Bate o vento no terço da saudade
No pescoço da cruz de Marcolino.
CANTIGAS E CANTOS
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