Cantora traz show comemorativo ao Chevrolet Hall e manda recado à comunidade LGBT, confira entrevista
Era 1999 quando a voz da mineira Ana Carolina soou pelo país e se tornou conhecida ao cantar os versos da música Garganta, lançada na época. Emprestando seu nome ao primeiro álbum, a moça, que começou se apresentando em barzinhos de Juiz de Fora, cidade natal, ganhou espaço nas rádios e casas de show Brasil afora. Neste sábado (20), uma nova versão daquela Ana Carolina, mais madura e já consagrada na MPB, sobe ao palco do Chevrolet Hall, em Olinda, para celebrar seus 15 anos de carreira.
Sobre a fase comemorativa, a cantora afirma que, se voltasse no tempo, não mudaria nada em sua trajetória. "Me arrependo somente do que ainda não fiz, e o que mais me orgulha nesses 15 anos é viver da música, porque isso é um presente divino, uma alegria", diz. Revela ainda que, em breve, gravará o DVD de seu álbum mais recente, #AC (2013) e que ainda viajará por mais um ano com esse mesmo show. No repertório, traz as faixas novas e hits marcantes, além de três novidades: versões de Fire, de Bruce Springsteen, Coração selvagem, de Belchior, e Periguete, de MC Papo - esta última em meshup com Você não vale nada, composta por Dorgival Dantas e popularizada pelo grupo Calcinha Preta. O cantor Ricky Vallen completa a noite, com releituras de nomes como Aciolly Neto e Geraldo Vandré.
Assumidamente bissexual desde a adolescência, Ana aproveita o fim de semana em que o Recife vive a Parada da Diversidade de Pernambuco para mandar seu recado, em entrevista exclusiva ao Viver: "Temos que amar independente de qualquer coisa, o amor não escolhe, e não exclui, o amor é universal e um direito de todos."
ENTREVISTA >> ANA CAROLINA
Nesses quinze anos de carreira, percebeu mais mudanças em seu lado pessoal ou profissional?
Creio que todos nós mudamos a cada segundo. Nesses 15 anos, muita coisa aconteceu, tanto no campo profissional, quanto pessoal, é claro. Olhando para trás fico orgulhosa do caminho percorrido, das parcerias artísticas, da produção e evolução. Como compositora, fiz grandes amigos e músicas. Vivo o presente, foco sempre no hoje e como posso construir a próxima etapa, um próximo arranjo etc.
Você começou cantando em bares, na vida noturna mineira. Se pudesse dar um conselho aos cantores independentes que estão tentando a sorte em shows em barzinhos, qual seria?
Que encarem o trabalho da mesma forma que encarariam ao cantar em um estádio. Que observem o público e não deixe de imprimir uma assinatura. Que sejam plenos, fiéis à qualidade e suas verdades artísticas. Tocando para um ou para milhares, a dedicação deve ser sempre a mesma.
Certa vez, você declarou que poderia ser fruto de uma traição de sua mãe, ao dar uma entrevista se referindo a uma música sua que recebe o nome Traição, no álbum N9ve. Mais alguma de suas letras refletem segredos de sua intimidade?
Não faço da música meu caderninho pessoal, meu diário. Algumas delas podem até conter algum traço biográfico, mas na maioria das vezes o foco está em traduzir sentimentos, sensações de todos nós, do público que ouvirá, que se identificará. Não acho legal compor olhando para o próprio umbigo. Muitas das canções são escritas com parceiros, então o resultado não é fruto apenas de episódios da minha vida.
Ana Carolina aprecia ouvir a si mesma? Se sim, em que momentos?
Aprecio cada etapa do trabalho, da gênese de um arranjo ou melodia, à execução das canções em shows. Sou realmente dedicada à minha música, mas nas "horas vagas" gosto de ouvir o trabalho dos outros, interagir com material que me inspire e me transporte para novos horizontes.
Que artistas brasileiros mais lhe serviram de inspiração nesses quinze anos?
São tantos! Mas gosto de citar aqueles com quem acabei trabalhando, trocando "figurinhas" e somando artisticamente. A lista é grande mas posso citar Chico Buarque, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Guinga, Tom Zé, Maria Gadú, Totonho Villeroi, Edu Krieger, Seu Jorge, Luiz Melodia, Ângela Rô Rô, Zizi Possi, Roberto Carlos e muitos outros.
Podemos esperar um novo álbum a caminho? Se sim, quando?
Em breve gravarei o DVD do #AC e viajarei por mais um ano, no mínimo, com o show. Tenho mais de 50 músicas prontas e mantenho o hábito de compor religiosamente, quando for a hora certa, um novo trabalho aparecerá.

No fim de semana de seu show no Recife, a cidade estará vivendo o clima da Parada da Diversidade, em prol das causas LGBT, que acontece no domingo. Que mensagem você gostaria de deixar à comunidade LGBT que estará engajada na caminhada?
Que vale caminhar pela igualdade de direitos entre todos os seres humanos, independente de cor, religião, gênero, partido. Temos que amar independente de qualquer coisa, o amor não escolhe, e não exclui, o amor é universal e um direito de todos.
Numa entrevista (Jô Soares), você disse: "homossexualidade, mediunidade e voz, todo mundo tem. Mas, só alguns desenvolvem". Sente ter contribuído para a liberdade e respeito à comunidade LGBT ao se assumir bissexual?
Nunca vi no ato de falar abertamente sobre sexualidade uma plataforma política. Sempre fui fiel aos meus princípios e trato com naturalidade do assunto pois sou como sou e não iria mascarar minha personalidade ou formatá-la de acordo com uma vontade de outrem . Cada um sabe de si, é dono de si e temos que conviver e respeitar as diferenças. No final do dia, todos somos iguais, morreremos iguais e é perda de tempo querer transformar o outro.
Em ano eleitoral, pretende se engajar à campanha de algum candidato, vestir a camisa de alguém? Ou levantar alguma bandeira específica?
Pretendo cumprir meu dever de cidadã, votar consciente e escolher a melhor opção dentre as possibilidades. Não misturo as coisas, minha bandeira é viver honestamente e ser feliz.
Quando visita o Recife, o que mais gosta de fazer? Há algum lugar que goste de visitar?
É sempre tão rapidinho que nunca dá muito tempo para desfrutar o quanto deveria, gosto das comidas e do visual daquela região de Porto de Galinhas que é pertinho.
Haveria como escolher algumas de suas canções que mais reflitam sua personalidade? Quais seriam?
Sou um pouco de todas elas e nenhuma delas conseguiria expressar exatamente quem sou. Me descubro a cada dia, a cada canção.
O que gostaria que lhe perguntassem e nunca lhe foi perguntado? E qual seria a resposta?
Se eu usaria vestido ou saia em um videoclipe? Eu diria que sim, talvez no próximo. (risos)
SERVIÇO
Ana Carolina no Chevrolet Hall, com Ricky Vallen
Onde: Chevrolet Hall (Av. Agamenon Magalhães, Olinda)
Quando: 20 de setembro de 2014
Quanto: R$ 40 (pista meia-entrada) R$ 80 (pista inteira), R$ 70 (frontstage meia-entrada), R$ 140 (frontstage inteira) e de R$ 900 a R$ 1,3 mil (camarote para 10 pessoas), à venda nas Lojas Renner, na bilheteria do Chevrolet Hall e pelo site Ingresso Rápido
Informações: (81) 3207-7500
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