quarta-feira, 24 de julho de 2013

Poesia: Sobresser, um soneto de Anderson Braga Horta


SOBRESSER

Não chego a ser trezentos e cinquenta,
Como Mário de Andrade, nem ecoa
Em mim a heteronímia de Pessoa,
Mas ser mais do que sou meu ser violenta.

Desbordado de mim, já me apoquenta
Este excesso de ser, aura ou  coroa,
Sobrepele, sei lá! – sobrepessoa
Que sem tollher meu eu meu ser aumenta.

Aumenta?  Diminui que me embaraça
O olhar, como um reflexo na vidraça,
Jogo entre mãos e títeres, engodo

De ser múltiplo sol, mas descontente,
Que ardo de não arder completamente,
Na dor de sobresser sem ser de todo!

Anderson Braga Horta

Fonte: Besta Fubana

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