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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

poesia: "São nos palcos da vida que a garganta, solta a voz quando chove no Sertão", um poema de Andrade Lima


São nos palcos da vida que a garganta 
Solta a voz quando chove no Sertão.

Quando fiz este mote foi pensando
No Poeta que nos deixou saudade.
Me refiro a quem com simplicidade
Assistiu Beija-flor, a flor cheirando.
João cantou e até hoje está cantando
Para Deus as belezas do seu chão.
Na cantiga do verso foi carão
Que advinha o inverno, quando canta.
São nos palcos da vida que a garganta 
Solta a voz quando chove no Sertão.

Eu recordo os momentos que vivi
Quando escuto a toada do vaqueiro.
Os meninos brincando no terreiro,
Quando vi, belas cenas revivi...
No casebre de taipa me senti:
Novamente a criança que no oitão
Toda tarde brincava de pião,
Vendo a água cair molhando a planta.
São nos palcos da vida que a garganta
 
Solta a voz quando chove no Sertão.

Quando a chuva chegava, pai dizia:
Amanhã sairemos bem cedinho!
Colocava a boiada no caminho
E pra roça feliz cantando ia.
 
Com enxada escavava a terra fria
E soltava a semente de feijão.
Com meus pés eu cobria grão por grão
Pra nascer e brotar na "terra santa".
São nos palcos da vida que a garganta
 
Solta a voz quando chove no Sertão.
.
Na panela de barro Mãe fazia
A comida com gosto e a mistura
Era carne bovina e rapadura.
E o almoço era sempre ao meio dia.
Não faltava na nossa moradia
Uma máquina, moinho, nem pilão.
Minha irmã trabalhava feito o "cão"
E quem sabe da história se espanta.
São nos palcos da vida que a garganta
 
Solta a voz quando chove no Sertão.

Estudar e buscar conhecimentos
Era a meta que tinha pela frente.
Trabalhando e sofrendo no sol quente
De meu pai aprendia ensinamentos.
Eu juntei o suor e os sofrimentos
Mergulhando nos livros com razão.
Vendo a seca voraz no meu torrão.
Eu roguei a quem com fé nos levanta.
 
São nos palcos da vida que a garganta
 
Solta a voz quando chove no Sertão.

Eu narrei minha história nesse mote
Retratando meu chão, meu pé de serra.
As lembranças estão naquela terra
Onde um dia bebi água de pote.
O cabrito, a vaquinha e o garote:
 
Nos cercados correndo ainda estão.
A canção de Luiz "Rei do Baião":
Asa branca virou saga e me encanta!
São nos palcos da vida que a garganta
 
Solta a voz quando chove no Sertão.
.
Mote e glosa: Andrade Lima.
Maracanaú - CE, 08/09/2015.

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