
Solta a voz quando chove no Sertão.
No Poeta que nos deixou saudade.
Me refiro a quem com simplicidade
Assistiu Beija-flor, a flor cheirando.
João cantou e até hoje está cantando
Para Deus as belezas do seu chão.
Na cantiga do verso foi carão
Que advinha o inverno, quando canta.
São nos palcos da vida que a garganta
Solta a voz quando chove no Sertão.
Quando escuto a toada do vaqueiro.
Os meninos brincando no terreiro,
Quando vi, belas cenas revivi...
No casebre de taipa me senti:
Novamente a criança que no oitão
Toda tarde brincava de pião,
Vendo a água cair molhando a planta.
São nos palcos da vida que a garganta
Solta a voz quando chove no Sertão.
Amanhã sairemos bem cedinho!
Colocava a boiada no caminho
E pra roça feliz cantando ia.
Com enxada escavava a terra fria
E soltava a semente de feijão.
Com meus pés eu cobria grão por grão
Pra nascer e brotar na "terra santa".
São nos palcos da vida que a garganta
Solta a voz quando chove no Sertão.
.
Na panela de barro Mãe fazia
A comida com gosto e a mistura
Era carne bovina e rapadura.
E o almoço era sempre ao meio dia.
Não faltava na nossa moradia
Uma máquina, moinho, nem pilão.
Minha irmã trabalhava feito o "cão"
E quem sabe da história se espanta.
São nos palcos da vida que a garganta
Solta a voz quando chove no Sertão.
Era a meta que tinha pela frente.
Trabalhando e sofrendo no sol quente
De meu pai aprendia ensinamentos.
Eu juntei o suor e os sofrimentos
Mergulhando nos livros com razão.
Vendo a seca voraz no meu torrão.
Eu roguei a quem com fé nos levanta.
São nos palcos da vida que a garganta
Solta a voz quando chove no Sertão.
Retratando meu chão, meu pé de serra.
As lembranças estão naquela terra
Onde um dia bebi água de pote.
O cabrito, a vaquinha e o garote:
Nos cercados correndo ainda estão.
A canção de Luiz "Rei do Baião":
Asa branca virou saga e me encanta!
São nos palcos da vida que a garganta
Solta a voz quando chove no Sertão.
.
Mote e glosa: Andrade Lima.
Maracanaú - CE, 08/09/2015.
Nenhum comentário:
Postar um comentário