Homens do Drº Augusto Santa
Cruz - Livro Guerreiro "Togado"
No
final do século XIX os Partidos Liberal e Conservador, procuram uma
maneira de adaptação com o novo Sistema Vigente da República. Eram recentes as
mudanças de um duradouro modo de viver político da Nação.
Sequencialmente,
grandes fatos ocorreram para que tais mudanças "viessem" e se faziam
necessário adaptar-se. Fatos como, em 1888 a Abolição dos Escravos, 'mexendo'
com modos e patrimônio dos latifundiários, os coronéis; Um anos após, ou seja,
em 1889 vem a República, exigindo um novo modo de viver. Se fez necessário um
período de adaptação, os quais, nem todos concordaram e/ou seguiram.
Com a República,
extinguem-se as Províncias, sendo criados os Estados Federativos do País. Com
eles, são criadas as Leis regionais, através de constituições individuais em
cada Estado. Em 5 de agosto de 1891 é promulgada a Constituição Republicana da
Parahíba(Paraíba). Com elas, vieram grandes mudanças, e, essas mudanças
trouxeram uma grande dor de cabeças para aqueles que sempre impuseram seu
poder. A partir desse momento, também se fez necessário uma reorganização
política nos municípios, pois a mesma, tornou-se uma ameaça à oligarquias
hereditárias, abalando as estruturas dos poderosos.
No
Cariri paraibano, mais precisamente na Alagoa do Monteiro, por volta da
segunda metade do século XIX, chega João de Santa Cruz Oliveira, o qual vinha
do Estado vizinho, Pernambuco, da Vila de Correntes, localizada no agreste do
Estado citado. Coronel da Guarda Nacional, dono de várias propriedades,
sendo também um influente político, deputado pelo Partido Liberal, como não podia
deixar de ser, torna-se logo logo, uma pessoa influente e destacada naquela
região.
Casado com
Ornecinda Bezerra, filha do tenente Manoel dos Santos Bezerra, que pertecia a
uma família tradicional naquela comunidade. Tiveram cinco filhos, Miguel,
Arthur, Augusto, Teotônio e Francisca. Formaram-se em Direito os três
primeiros, pela Faculdade de Direito do Recife, uma das mais conceituadas à
época.
Por vários
anos a política no município de Monteiro, foi 'dirigida', comandada pela
família Santa Cruz. Além do pai, seu filho mais velho, Miguel Santa Cruz,
apesar de não ter tanta afinidade política, também tomou as rédeas do pode.
Preferindo
exercerem as magistraturas, os irmãos de Augusto Santa Cruz, Miguel e Arthur,
saem da política. Contrariamente a ele que entra de corpo e alma dentro dela.
O Presidente do Estado da Parahíba, no início do
século XX, Álvaro Machado, queria por que queria acabar com o domínio dos Santa
Cruz naquela região. Passou a investir suas 'fichas', no coronel Pedro Bezerra
da Silveira Leal. Homem sem pertencer a família importante, que galgou seu
posto por méritos e esforços próprios. Mas, tinha um detalhe, era
semianalfabeto, tornando-se um 'peão' fácil de manobrar no 'tabuleiro' dos
jogos pelo poder. Diferentemente do Drº Augusto Santa Cruz, possuidor de
vontades, individual e política, próprias, com dons carismáticos, afeito ao
poder, que tinha projetos próprios e uma liderança incontestável.
Augusto Santa Cruz - tokdehistória,blogspot.com.br
Em
outro município paraibano, Teixeira, ocorre fato semelhante. O Presidente, como
em Monteiro, investe no coronel Dario Ramalho de Carvalho. contra o médico Drº
Franklin Dantas, que dominava a política até então.
O
Drº Augusto não conforma-se com tal situação. Achou muito desprestígio,
mesmo um insulto aos seus conhecimentos e liderança. Rompe com os chefes
locais. Em sua revolta, passa a agir de forma agressiva. Vários fatos ocorridos
com violência, perseguições, invasões, espancamentos, mortes passam a ser-lhe
atribuído. Em 1910, rompe com o coronel Pedro Bezerra. Articula emboscadas e
invade a Vila de São Tomé, atual Sumé. Acabando por ser pronunciado, por tais
crimes, pela Justiça.
Sua
inconformação vai as alturas e ele começa a arrebanhar jagunços, cangaceiros
pistoleiros e toda espécie de mal feitores. conseguindo formar um grande grupo com
200 cabras, parte, sitia e invade, em 1911, a cidade de Monteiro. Numa
alucinada busca sangrenta, não impede que sua horda cometa os maiores crimes.
Invade a cadeia e libera os prisioneiros, desatinos, atrocidades e saques dos
estabelecimentos e residências dos seus inimigos políticos são cometidos.
Por fim, faz reféns todas as autoridades locais e as conduz para sua
propriedade, a fazenda Areal. Segundo alguns autores, ele pretendia fazer
negociações, usando os reféns, para anistiarem os crimes pelos quais fora
pronunciado.
Em vez de
acatar suas exigências, o Governo ordena que tropas partam e resgatem os reféns
a bala. O tiro saiu pela culatra, o Drº Augusto estava em maus lençóis, pois
havia também a ordem para prende-lo. A tropa cerca e ataca a sede da Fazenda
Areal. Depois de intenso tiroteio, vendo a derrota se aproximar, Augusto Santa
Cruz foge com a maioria dos seus homens, levando os reféns. A tropa, ciente que
seu alvo escapou, bota fogo na fazenda.
Sem
nem pensar em desistência, ele alia-se ao Drº Franklin Dantas e juntos,
conseguem um contingente de 400 homens. Seus planos seria atacar, invadir, a
Capital do Estado. Descendo a Serra do Teixeira, em maio de 1912, ele invade a
cidade de Patos, segue então para Taperoá, Santa Luzia do Sabugi, Soledade e
São João do Cariri. A partir desse ponto, as Forças do Governo, começam a darem
combate, impedindo sua caminhada rumo ao litoral. Augusto ver que seus
planos estão indo por água abaixo, então foge, primeiro para Pernambuco e
depois segue com destino ao Ceará.
Quanto
aos reféns, algumas literaturas citam que são soltos pelo caminho, mas, o
restante só é liberado nas proximidades, ou mesmo na cidade, de Juazeiro do
Norte- CE, onde foi pedir pedir proteção ao Padre Cícero.
Augusto
Santa Cruz é submetido a júri popular em março de 1913, na cidade de Monteiro,
tendo seus irmãos, Miguel e Arthur, como defensores. Foi absolvido por
unanimidade pelos jurados.
Por Sálvio Siqueira
Blog Ofício das Espingardas
Adorei a aula de históra. Gostaria de saber algo dos Nunes da Costa que se instalaram em Patos e Teixeira.
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