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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

sábado, 25 de outubro de 2014

Histórias do Sertão: A mulher do cacimbão

HISTÓRIAS DO SERTÃO: A MULHER DO CACIMBÃO

Desta feita a história era de um menino que todo dia ia no cacimbão para buscar água. Mas de uma hora para a outra, sem mais nem menos, se negava a ir. A mãe desse menino, atarefada nos afazeres da casa, insistia muito, mas o menino não queria ir mais no cacimbão de jeito nenhum. A mãe desse menino ficou cabreira com aquilo e se aquietou. E perguntou o que tinha lá no cacimbão. O menino assustado disse sussurrando que toda vez que ia buscar água, tinha uma mulher lá, sentada em cima da tampa. E essa mulher não era gente não.mcb
Passou o tempo e ninguém mais quis buscar água no cacimbão. Ninguém tinha coragem de ir lá por causa da mulher sentada na tampa. Por causa disso, tempos depois se descobriu que o filho do coronel, dono daquelas terras, tinha assassinado uma mulher e jogado o corpo no cacimbão, descobrindo assim um crime que talvez nunca teria sido descoberto.
O sertão é uma colcha de retalhos de histórias que não têm fim. Ainda hoje, as pessoas se reúnem em torno da mesa da cozinha para prosear. Conversa vai, conversa vem, a prosa descamba sempre para as histórias de alma penada. Quase todo mundo sabe de uma dessas histórias, ou que ouviu alguém contar ou mesmo que conheceu alguém que a protagonizou.
Meu avô, muito eloquente, contador de causos, se adiantava sempre quando o assunto era esse. Os meninos se acotovelavam na mesa, assustados com mais aquela história. A luz da lamparina tremulava, projetando sombras descomunais na parede. O cheiro do cuscuz e do café enchiam as narinas. Lá fora, a noite era escura como breu, salpicada das brasas dos vaga-lumes e o vento frio ondulava as palhas das carnaubeiras, prateadas pela lua branca, silvando e rangendo nos galhos secos do cajueiro. De quando em quando, o pio da rasga-mortalha cortava o silêncio.
O sertão por si só já é um poema.
Meu avô sabia de um monte de histórias assim. Dizia até que dava pra escrever um livro. E dava mesmo. Mas nunca escreveu. Não porque não sabia escrever, mas porque gostava mesmo era de contar com a boca. Cada vez que contava uma mesma história, tinha coisas novas, que era para aumentar a história como se fosse outra. Sempre começava dizendo que tinha ouvido alguém contar aquela história e que tinha acontecido há muito tempo, quando não tinha esse negócio de televisão nem de internet, quando as pessoas pareciam ser mais inteligentes e criativas. Mas o bom da internet é que agora a gente conta essas histórias para o mundo todo.
Bem que o Conselheiro avisou que o sertão ia virar mar.
Newton Silva
Ai Dento! - Newton Silva - Jornal Besta Fubana

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