
Dos meus carros de madeira,
Do meu pião que girava
Enrolado com ponteira
E de caçar passarinhos
Com minha baleadeira.
De peteca e teatrinho;
Joguei pedras no riacho
Ao ver um redemoinho,
E também pra matar pombos
Da criação do vizinho.
Eu ia, de madrugada,
Botar ração para o gado,
Buscar leite pra coalhada
E beber leite fresquinho
Da minha vaca malhada.
Que eu tive que decorar,
Aprendendo a dividir,
Somar e multiplicar,
Pra fazer contas na venda,
Quando eu ia despachar.
Recordando esse passado,
Quando vivi minha infância
Na cidade de Condado.
Meu pai trabalhava muito,
Mas filho fez um bocado.
Com as surras que levava,
Quando meu pai me batia,
Por artes que eu praticava.
Quanto mais ele batia
Muito mais dele eu gostava.
Agindo como uma santa,
Pois fingia me bater
Pra minha dor não ser tanta,
Só um coração de mãe
A dor do filho aquebranta.
Inhame com charque assada,
Macaxeira com manteiga
E sopa bem misturada,
Com a sobra do almoço
Que mãe deixava guardada.
De jogador de basquete,
Com carrinhos de madeira
Brincava de levar frete,
E meus piões eu fazia
Com serrote e canivete.
Num rádio de minha tia,
Para acompanhar os jogos,
Porque TV não havia,
E acompanhava a novela
Que uma rádio transmitia.
Nos brinquedos de estrelinhas,
De pedra, papel, tesoura,
Pega, pega e argolinhas,
Gastando o resto do tempo
Com álbuns de figurinhas.
Quando eu lembro me comovo,
Vendo os pintinhos nascendo
Bicando a casca do ovo...
Ah, se eu pudesse viver
A minha infância de novo!
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