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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Poesia: "A cidade condena sua memória ao jazigo cruel da indiferença", um mote glosado por Virgílio Siqueira


"A cidade condena a sua memória
Ao jazigo cruel da indiferença"

Recitei assim, numa das praças que deixaram de ser.
Duas praças havia na cidade
Estratégicas na minha juventude
Onde fui tão feliz o quanto pude
Com os vigores de minha mocidade
Hoje, ambas sem autenticidade
São dois polos: o vazio e a descrença
Duas vítimas cruéis de uma sentença
Que elimina o teor da própria história
A cidade condena sua memória
Ao jazigo cruel da indiferença

Duas praças, onde eu, quando menino
Fui traquinas, brinquei de aribusca
A criança que eu fui ainda busca
No poeta a essência do ladino
O sentido que havia em meu destino
E se perdera, envolvido em desavença
Contra o mal que se impôs, e ainda pensa
Ser da mão de minha sina a palmatória
A cidade condena sua memória
Ao jazigo cruel da indiferença

Lá na praça da igreja havia a feira
Pro meu deleite, quebra-queixo e macaúba
Amendoim, picolé, bolo de puba
Bolo de goma, de milho e de macaxeira
Enxada, foice, facão, faca-peixeira
E outros ferros que a roça não dispensa
Hoje o espaço finca o ferro da ofensa
Numa alquimia esquisita, aleatória
A cidade condena sua memória
Ao jazigo cruel da indiferença

Em mergulhos, sonhei no Quixadá
Caraíbas, Cuiabá, Curupaiti
Sempre que a chuva encantava Ouricuri
E me despertava do sono pra sonhar
Lá na Serrinha, onde eu pairava sem voar
Numa saudade convertida em recompensa
Que hoje me ensina que eu talvez ainda vença
Esse martírio que me ataca a trajetória
 
A cidade condena sua memória
Ao jazigo cruel da indiferença

Tive a infância marcada pelo couro
Em que se tinge alguma essência de sagrado
À sapataria deverei ter consagrado
Os meus momentos valiosos, feito ouro
Nesse universo de luzes, meu tesouro
Resplandecido, ativado em flama imensa
Em fulgurante, reativa, acesa, intensa
 
Lembrança rara desse tempo e dessa glória
A cidade condena sua memória
Ao jazigo cruel da indiferença

Encantadas eram a roça de seu Zeca
E a choupana de seu Chico Mariano
A singeleza especial de Zé Tutano
Passa no filme da lembrança, que não seca
Feito carrinho-de-mão, pião, peteca
Um pilão velho, o parafuso de uma prensa
Minha emoção, por explodir, sempre propensa
Me abala em tudo, até por coisas irrisórias
A cidade condena sua memória
Ao jazigo cruel da indiferença


Virgílio Siqueira
Virgilio Siqueira

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