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Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Pernambucano » Guitarrista Paulo Rafael relançará seu primeiro disco solo

Músico que acompanha Alceu Valença também fez parte de banda Ave Sangria e vive bom momento


A expressão “braço direito” já quer dizer muito sobre quem é visto como tal. Entretanto, ela não faz justiça ao pernambucano Paulo Rafael, de 59 anos. Para ficar no exemplo mais importante, o guitarrista e produtor teve papel fundamental na definição do som de Alceu Valença, trazendo a força do rock para canções influenciadas pela música regional nordestina, além de tocar com ele há 40 anos e ter produzido vários de seus discos. Paulo trabalhou com outros medalhões da MPB, lançou álbuns solo, compôs para cinema e, hoje, comemora a volta do interesse em relação ao Ave Sangria, grupo de rock que marcou o Recife dos anos 1970.

“Na época do Ave, a gente ia muito para Olinda. A cidade ainda era meio abandonada, meio deserta, maravilhosa para tocar violão. Certo dia, Alceu passou por lá e a gente estava tocando na rua, em frente à Igreja da Misericórdia. Ouviu o som e perguntou meu nome, mas não sabia quem ele era. Reconheci-o numa propaganda do disco Molhado de suor e, pouco depois, nos encontramos de novo. Disse que qualquer dia faríamos um som. Era um momento forte para as artes em geral, estava começando a me inserir nesse movimento”, lembra Paulo.

Naquela época, ele havia acabado de participar de outro trabalho cultuado, o psicodélico disco Paêbirú (1975), de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Paulo Rafael já era absolutamente fluente no rock progressivo. Nascido em Caruaru, no agreste pernambucano, ouviu muito Gonzagão e Jackson do Pandeiro, mas, ao chegar ao Recife, logo foi arrebatado pelo peso da guitarra. Quando Alceu foi convencer os pais de Paulo a deixá-lo embarcar para o Rio de Janeiro, onde tocariam no Festival Abertura, talvez não imaginasse que sua música estava prestes a mudar para sempre.

Em Ipanema, os dois dividiram uma quitinete com o poeta Carlos Fernando. “A gente falava muito de música, virei roqueiro e blueseiro e o Alceu tinha aquele lado de violeiro e embolador muito forte. Isso me influenciava e, ao mesmo tempo, ficava enfiando o rock no meio. Alceu dizia: ‘Pense no pife’. E eu: ‘Pife, o caramba’. E entrava castigando com a guitarra. Muita gente emendava a música nordestina com o rock, como o Raul Seixas. A gente, não: misturávamos para ter uma terceira coisa. Ninguém ficava pensando nisso, saía naturalmente”, revela.



Apesar de Alceu bater na tecla da música nordestina tradicional, eles sempre buscaram sonoridade diferente, de forma que o regional fizesse a ponte para o universal. “Até hoje, rock é algo a que ele não se liga tanto. Já de blues ele sempre gostou. Ele se amarrava em John Mayall”, revela. A parceria foi iniciada com discussões em torno de arranjos e seleção de repertório. A sintonia se afinou durante uma temporada na França, ainda nos anos 1970. “Tocamos violão só nós dois, muito solto e com muita improvisação”, lembra Paulo.


De volta à psicodelia

Não há maior alegria para Paulo do que ouvir elogios ao Ave Sangria vindos de jovens que poderiam ser seus filhos. Integrada por ele e outros cabeludos há quatro décadas, a banda durou apenas alguns anos e lançou só um disco: Ave Sangria (1974), que foi censurado. O impacto reverbera até hoje. No início do mês, alguns ex-integrantes (inclusive Paulo) se reuniram para um show histórico no Teatro Santa Isabel, no Recife, e anunciaram o relançamento do álbum e de material inédito em vinil e CD.

“Essa reedição se deu por conta de uma avalanche de novos fãs. Eles descobriram o Ave Sangria principalmente por uma gravação pirata do nosso último show, em 1974. O mentor foi o Marcos da Lata, baixista da banda Anjo Gabriel. Tudo isso me deixou surpreso. Sabia que o Ave vinha sendo muito ouvido pela nova geração, mas não imaginei quanto. Fiquei pasmo com a dedicação e o esmero dos produtores, respeitando o material e técnica”, elogia. A apresentação derradeira, naquele mesmo teatro, foi registrada num vinil duplo intitulado Perfumes y baratchos.

Paulo reaproveitará os bons ventos para viajar com o Ave Sangria, que já foi cotado para festivais como Coquetel Molotov e Abril Pro Rock. “Começam a pintar convites, mas não dá para retomar totalmente a banda, pois todos os integrantes têm outras atividades”, explica Paulo. Em tempo: está para ser relançado em vinil e CD seu primeiro trabalho solo, Caruá (1976), um dos primeiros discos independentes gravados no Recife, com Zé da Flauta e Lenine (na época, percussionista).

Depoimento de Alceu de Valença:

“Paulo Rafael também é da minha região e, naquele primeiro momento, a geração dele negava um pouco as músicas das nossas raízes. Ele descobriu com a gente que não precisava negar as influências do rock, que também poderia se voltar para o regional. Tornou-se um dos guitarristas mais originais do Brasil e conhece a música do interior, dos violeiros e aboiadores. Isso os guitarristas não conhecem, pois sabem é de balada, não de toada; do rock, e não do xote. Ele é supercriativo, tem sonoridade e bom gosto inacreditáveis. Originalíssimo. É uma referência e um grande amigo. Trabalhamos juntos na definição do meu som – ele teve um papel fundamental nisso.”

Eduardo Tristão Girão - Estado de Minas

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