
QUANDO CHOVE NO SERTÃO”
Mote: Autoria de Antônio Carneiro
Na moita da catingueira
Canta belo uma Perdiz
Um Xexéu trança feliz
A palha da Bananeira.
No verdor da Aroeira
Se apresenta um Azulão
E a cantiga do Carão
Supera na partitura
MUDA O TRAJE DA NATURA
QUANDO CHOVE NO SERTÃO.
Na primeira trovoada
A água desce na grota
No baixio uma Garrota
Amanhece atolada.
A água dá de lapada
Na pedra do ribeirão
No leito do cacimbão
Acaba com a rachadura
MUDA O TRAJE DA NATURA
QUANDO CHOVE NO SERTÃO.
Um trovão cedo estremece
Parece que a nuvem racha
E Deus da brecha despacha
Aquele que fez a prece.
Um roceiro amanhece
Levado pela emoção
Com a mochila na mão
Semeia na sepultura
MUDA O TRAJE DA NATURA
QUANDO CHOVE NO SERTÃO.
Uma Formiga correndo
Pra boca do formigueiro
Um Galo sobe ao poleiro
Um trovão estremecendo.
A água vai escorrendo
Fazendo rastro no chão
Parece Deus com a mão
Lidando na agricultura
MUDA O TRAJE DA NATURA
QUANDO CHOVE NO SERTÃO.
A rama do maxixeiro
Se mistura a Jitirana
Gerimum, cana caiana
Se apoiam no fueiro.
No carro desse carreiro
Tem milho,sorgo e feijão
Toca notas no cocão
No carro 'chei' de fartura
MUDA O TRAJE DA NATURA
QUANDO CHOVE NO SERTÃO.
Se despede um Sabiá
No garrancho da Jurema
Se esconde a Seriema
Pra coivara vai Preá.
Numa vara um Mangangá
Pra o buraco vai Furão
Quando ecoa um trovão
Roncando na nuvem escura
MUDA O TRAJE DA NATURA
QUANDO CHOVE NO SERTÃO.
Poeta Antônio Carneiro
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