terça-feira, 26 de março de 2013

MÚSICA: Xico Bizerra lança disco com melodias inéditas de Dominguinhos

Foto: Paulo Vanderley/ Acervo pessoal













Você certamente já ouviu alguma música do poeta cearense Xico Bizerra, radicado no Recife há mais de duas décadas. Desde que começou a sua carreira artística, há sete anos, ele já teve cerca de 350 canções gravadas. É o compositor de forró mais gravado atualmente – e ainda calcula que tem umas cinquenta canções inéditas. O seu maior sucesso é Se tu quiser, que já recebeu 150 gravações diferentes. A mais famosa é na voz de Elba Ramalho.
parceria com Dominguinhos, Luar Agreste no Céu do Cariri. São onze músicas inéditas – mais Lua Brasil, de 2010 – com melodias do mestre da sanfona e letra de Bizerra.
A parte do sanfoneiro aconteceu sem aviso, durante um almoço na casa do amigo de ambos e pesquisador do forró Paulo Vanderley, em algum dia do mês de dezembro de 2010. “Dominguinhos sentou, pegou a sanfona e em duas horas me deu doze melodias”, lembra Xixo Bizerra.
Paulo Vanderley gravou toda a sessão e Xico Bizerra foi para casa com o peso de ter que colocar letra em músicas de Dominguinhos. “É meu ídolo, então era muita responsabilidade. Já tinhamos sido parceiros antes, mas agora seria um disco todo. Ele não deu tema nenhum. Me deu liberadade total”, conta Xixo Bizerra. “Dominguinhos tinha uma característica muito interessante: ele se abria muito com as pessoas de cabelo branco”, lembra Xico.
Acostumado a acordar cedo, Xico Bizerra gosta de compor pela manhã. O amor é o tema principal de suas letras. “É o sentimento que mais intenso que existe”, diz.
Daquela sessão de composição de Dominguinhos ainda existe uma canção inédita, a valsa Eternamente nós, que foi gravada por Geraldo Maia e Irah Caldeira, mas, de última hora não entrou no disco. “É talvez a valsa mais bonita melodia que ele me deu”, diz Xico. “Mas, com o disco quase pronto, ele me ligou e pediu para deixar a música para o disco de Guadalupe (Mendonça, ex-mulher do sanfoneiro)”, conta o poeta. Como ele não gosta de números ímpares, puxou Lua Brasil, do disco Com a sanfona garrada no peito, de 2010, para fechar o disco com doze canções.

Vale destacar a edição cuidadosa, luxuosa até, de Luar Agreste no Céu Cariri, com capa dura, letras das músicas e ficha técnica em cada faixa. O disco custou R$49 mil e, caso raro nos lançamentos auais, não teve incentivo do governo, mas patrocínio direto da Copergás e apoio da Facform.


por Carolina Santos
Diário de Pernambuco 

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