domingo, 17 de março de 2013

MÚSICA: DVD reafirma qualidade de Gal Costa em Recanto ao vivo

Caetano Veloso foi maior responsável a volta da cantora aos palcos.


Em 1971, Gal Costa fez uma temporada, no Teatro Tereza Raquel, em Copacabana, que seria registrada no álbum Fa-tal, considerado um dos seus melhores trabalhos, e um dos grandes discos ao vivo da MPB. Em outubro do ano passado, dois dias depois de se apresentar no Teatro Guararapes, no Recife, ela voltou ao mesmo local, agora com o nome de Theatro NetRio, para um show da turnê Recanto, que resultaria no CD (duplo) e DVD Recanto ao vivo (Universal Music). Quando canta Vapor barato (Jards Macalé/Waly Salomão), ela é mostrada por dois ângulos. Num deles está visivelmente emocionada. Vapor barato, o hino dos "desbundados (o pessoal "cabeça) dos anos de chumbo, era a música que fechava o show FA-tal e em Recanto faz o link entre passado e o presente musical da cantora: "Foi bacana a memória. O teatro está diferente, mas foi comovente e emblemática esta volta", diz, em entrevista por telefone.
Recanto foi uma retomada em vários sentidos. Nos anos 2000, Gal Costa manteve a carreira em low profile, como nunca aconteceu desde o final dos anos 60. Seu último disco de estúdio foi Hoje, lançado em 2005 sem muita divulgação pela Trama. Caetano Veloso, amigo desde os tempos do Teatro Vila Velha, em Salvador, montou um repertório composto por ele e assumiu a produção do CD. Um álbum especial, com uma ousadia que há muito não existia nos discos de Gal Costa. Não apenas as canção não são pop digestivo e radiofônico para os dias atuais como tem guitarras barulhentas em algumas faixas, programações eletrônicas.
Se alguém temeu pela recepção do público ao repertório estranho, não foi a cantora, que comentava ter chegado no dia anterior de Petrolina, no Sertão pernambucano, onde fez mais uma apresentação de Recanto: "As pessoas me absorvem, é natural. Sou a típica mutante e elas já estão acostumadas porque eu procuro mudar, diversificar", comenta Gal Costa, ressaltando que, embora o disco tenha pouco mais de um ano de lançado, a interpretação e arranjos foram sofrendo modificações à medida que a turnê ia se desenvolvendo, modificando-se e adaptando-se às demais canções que formam o repertório de 28 músicas.
Foram bem dosados os sucessos de carreira. Meu bem, meu mal(Caetano Veloso), Folhetim (Chico Buarque), Dom de iludir (Caetano Veloso), Um dia de domingo (Sullivan/Massadas), Força estranha (Caetano Veloso) e Modinha para Gabriela (esta muito mais porque, na época do show, a canção voltou às paradas pela inclusão no remake da novela pela TV Globo): "As músicas procuram seguir a linha estética do disco, ter uma ligação com as músicas de Recanto, porém algumas estão de forma tradicional", diz Gal, citado Dia de domingo que, no disco Bem bom (1985), é cantada com Tim Maia (no show ela quebra um pouco o clima, imitando a voz de Tim Maia).

O show é tocado em tons sombrios, dramático, como são as músicas novas, em sua maioria. O contraponto são as canções mais conhecidas, como acontece entre Recanto, que é seguida por Divino maravilhoso (1968), que recebeu uma roupagem atualizada, com programações eletrônicas e guitarras mais para o noise. A própria Folhetim, originalmente um bolero, aqui está mais para o blues, marcado pelo baixo de Bruno de Lulli. Na banda, ela conta apenas com mais dois músicos, Pedro Baby (guitarra) e Domenico Lancellotti (bateria, MPC 1000 e vocal).
A ótima qualidade sonora do show e a interpretação certeira e elegante de Gal Costa fazem com que o álbum duplo não seja uma redundância. As canções originais estão mais fortes, cantadas com mais vigor. Cara do mundo tem uma pegada quase grunge, com guitarra barulhenta de Pedro Baby enfatizada no arranjo. Entre as antigas estão algumas que há anos Gal Costa não cantava em público, entre estas Deus é o amor, que gravou em 1969, ou Da maior importância, lançada há 40 anos no disco Índia, uma música da fase "contracultura" dos baianos, depois da volta de Caetano e Gil do exílio londrino.: "Não sei quando vai acabar a turnê. Agora com o lançamento do DVD ela vai continuar . Vamos voltar ao Recife com certeza", diz a cantora, que pegou gosto novamente pela estrada.

O show é tocado em tons sombrios, dramático, como são as músicas novas, em sua maioria. O contraponto são as canções mais conhecidas, como acontece entre Recanto, que é seguida por Divino maravilhoso (1968), que recebeu uma roupagem atualizada, com programações eletrônicas e guitarras mais para o noise. A própria Folhetim, originalmente um bolero, aqui está mais para o blues, marcado pelo baixo de Bruno de Lulli. Na banda, ela conta apenas com mais dois músicos, Pedro Baby (guitarra) e Domenico Lancellotti (bateria, MPC 1000 e vocal).
A ótima qualidade sonora do show e a interpretação certeira e elegante de Gal Costa fazem com que o álbum duplo não seja uma redundância. As canções originais estão mais fortes, cantadas com mais vigor. Cara do mundo tem uma pegada quase grunge, com guitarra barulhenta de Pedro Baby enfatizada no arranjo. Entre as antigas estão algumas que há anos Gal Costa não cantava em público, entre estas Deus é o amor, que gravou em 1969, ou Da maior importância, lançada há 40 anos no disco Índia, uma música da fase "contracultura" dos baianos, depois da volta de Caetano e Gil do exílio londrino.: "Não sei quando vai acabar a turnê. Agora com o lançamento do DVD ela vai continuar . Vamos voltar ao Recife com certeza", diz a cantora, que pegou gosto novamente pela estrada.

José Teles
JC

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