Seguidores

Para Que Vim


Esse blog tem como objetivo difundir a Música Popular Brasileira em geral, seja ela qual for: a música do Sul, a musica do Cariri, a Pajeuzeira ou mesmo outros ritmos de regiões diferenciadas. Nasci no Sertão do Pajeú, lugar onde a poesia jorra com muita facilidade e que os Poetas do Repente cospem versos com uma precisão incrível. Sempre tive esta curiosidade de fazer postagens e construir um blog. Aliás, criar um blog é simples e rápido, mas, o difícil mesmo é mantê-lo vivo e pulsante. Uma tarefa difícil e tem que ser feita com muita dedicação e precisão, sei que às vezes agradamos a uns e desagradamos a outros; também pudera, não somos perfeitos e isso acontece em todas as áreas e campos de trabalho. E para que o blog aconteça, tenho que desafiar o meu tempo e fazer propagar até aqueles que acessam e fazem aquisições de temas no gênero da música, da poesia e outros segmentos da cultura brasileira. Não tenho a experiência de um Blogueiro profissional, mas, como se diz: “Experiência só se conquista com tempo, perseverança e dedicação”. É isso aí, espero que curtam esse espaço que faço com exclusividade para vocês.


Obs.: Do lado direito do seu monitor adicionei uma rádio (Cantigas e Cantos) com a finalidade de que você leia e ao mesmo tempo ouça uma seleção musical exclusivamente feita por mim. Também inserí fotos Antigas da Capital da Poesia (S. José do Egito), fotos retiradas do Baú do Jornalista Marcos Cirano.


Texto: Gilberto Lopes

Criador do Blog.

domingo, 26 de julho de 2020

Poesia: "Nos caminhos do saber", um poema de Andrade Lima

Foto: Jair Som

NOS CAMINHOS DO SABER

A nossa capacidade
Por ninguém será medida
E em cada degrau da vida
Haverá uma verdade.
Quem tem força de vontade
Sabe que pode vencer
E quem faz só por fazer
Anda, mas é tropeçando....
A vida aprende ensinando
Nos caminhos do saber!

Somar o conhecimento
É trocar experiências
E nós somos reticências
Por não sermos cem porcento.
Ninguém estará isento
Dos erros, mas ao reler,
Quem sabe saberá ver
Os que estão se dedicando...
A vida aprende ensinando
Nos caminhos do saber!

Quem pensou qu'eu não sabia
Não sabe nem a metade
Do que sei e a faculdade
Tem sido meu dia a dia.
O Professor que me guia
Já nasceu sabendo ler.
É Mestre de todo ser
E o mundo tem seu comando.
A vida aprende ensinando
Nos caminhos do saber!

A criança nos fascina
E sabe ser verdadeira.
Até numa brincadeira
Que nós fazemos, lhe ensina.
A sua alma é tão divina
Que faz a gente aprender.
Ninguém tem antes de ser
E quem é vive educando...
A vida aprende ensinando
Nos caminhos do saber!

Ninguém foge da missão
Que a vida lhe concebeu.
No seu caminho e no meu
Terá sempre uma lição.
Pra tudo tem solução
E quem o melhor fazer
Ouvirá alguém dizer:
- Você está me inspirando...
A vida aprende ensinando
Nos caminhos do saber!

Mote e glosas: Andrade Lima
26/07/2020

Poesia: “Dia dos Avós”, um poema de Ivan Patriota de Siqueira


Especial Dia dos Avós | Internet, apps, segurança e muito amor ...
Foto: Imagens/internet

DIA DOS AVÓS

Nesse Dia dos Avós
Dia vinte e seis de julho
Festejemos com orgulho
Tudo o que eles são pra nós
Porque tanto tempo após
Eles são pais novamente
E perpetuam na gente
O sentido de família
Numa constante vigília
Que neles se faz presente.

Pra nós que somos avós
Agradeçamos a Deus
Com todos os nossos eus
Essa dádiva que nós
Ganhamos com os xodós
Que são os netos queridos
E pra sempre agradecidos
No coração bem mais pomos
Os netos que também fomos
Em saudosos tempos idos.


A imagem pode conter: 2 pessoas, selfie

CANTIGAS E CANTOS

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Poesia: "Meu querido professor", um poema de Arlindo Lopes em homenagem ao prof. Heráclio Felipe Barbosa


MEU QUERIDO PROFESSOR

Meu Professor estimado
Você pra mim é eterno
Inda guardo no caderno
Tudo por você ditado
Isto, sim, é o legado
Da sua nobre missão...
Você passou a lição
Com qualidade avançada...
Enquanto estava atrasada
A visão da Educação

Meu querido professor
Não posso dizer "PRESENTE"
Bote "FALTA", estou ausente
Neste momento de dor...
Na missão de Educador
Você foi só singular
Pois na arte de ensinar
Foi além de absoluto
Sem deixar substituto
Ocupando seu lugar

Daqui, escuto o Dobrado
Ecoado da Corneta
E o rufar de uma baqueta
Em um tarol afinado...
E o compasso bem marcado
Do repique do tambor...
Não digo adeus Instrutor
Porque adeus é partida
Direi sem ter despedida
Até sempre Professor.

Arlindo Lopes “Pirraia”

CANTIGAS E CANTOS

terça-feira, 21 de julho de 2020

Pinto do Acordeon, músico paraibano, morre com câncer, em São Paulo, aos 70 anos

Pinto do Acordeon estava internado no Hospital da Beneficiência Portuguesa, em São Paulo, desde janeiro, onde faleceu.

Pinto do Acordeon, músico paraibano — Foto: Rafael Passos/Secom-JP

  o músico paraibano pinto do acordeon morre na madrugada desta terça-feira (21), aos 70 anos, vítima de um câncer. de acordo com o filho dele, mô lima, pinto estava internado no hospital da beneficiência portuguesa, em são paulo, desde janeiro, onde faleceu.

o corpo do músico será velado na cidade de joão pessoa, em um cemitério privado, e enterrado no município de patos, no sertão paraibano. a previsão é queo corpo chegue em joão pessoa por volta das 16h.

em 2015, pinto do acordeon teve parte de uma das pernas amputadas por conta de complicações causadas por diabetes. anteriormente, o cantor já havia sido internado e submetido a uma angioplastia.

francisco ferreira lima, o pinto do acordeon, nasceu no município de conceição, no sertão paraibano. ele se tornou popular a partir de apresentações que realizava junto a trupe de luiz gonzaga. ele gravou cerca de 20 álbuns durante a carreira. "neném mulher" é uma das músicas mais conhecidas do repertório.

ele lançou seu primeiro lp solo (1976), no mesmo ano, a canção “arte culinária”, uma parceria sua com lindolfo barbosa, fez sucesso com o trio nordestino; o lp “gosto da bahia”, pela gravadora japoti (1970); o álbum “as filhas da viúva” (1980); o lp “o rei do forró sou eu” nova produções (1994); participou da gravação do dvd do grupo paraibano clã brasil (2006); e os cds: 20 anos de estrada, de língua, forró cocota, me botando pra roer, projeto divino, eco nordeste, vem viver essa paixão, deixa o dia clarear; sertanejo, entre outros. durante toda a carreira, somam-se cerca de 20 álbuns gravados, entre lps e cds.

de autoria do deputado delegado wallber virgolino, o projeto de lei foi aprovado por unanimidade na assembleia legislativa, durante uma votação realizada no dia 18 de junho.

em setembro do mesmo ano, ele foi reconhecido com o título "mestre das artes canhoto da paraíba". a homenagem foi oficializada pela secretaria de cultura do estado através de uma publicação no diário oficial do estado.

o título de mestre das arte’ foi criado pela lei estadual º 7.694, conhecida como lei canhoto da paraíba. ela é uma homenagem ao músico francisco soares de araújo, conhecido como canhoto da paraíba, que morreu em 2008. o objetivo é proteger e valorizar os conhecimentos, fazeres e expressões das culturas tradicionais paraibanas.

por meio do registro no livro de mestres das artes (rema), as pessoas que contribuem há mais de 20 anos com atividades culturais na paraíba recebem o título de “mestres e mestras”, ao terem suas artes reconhecidas.

Por G1 PB



quinta-feira, 9 de julho de 2020

Poesia: "Encontrei um pedaço de saudade No terreiro da casa que morei"., um poema do poeta Antônio Carneiro




ENCONTREI UM PEDAÇO DE SAUDADE
NO TERREIRO DA CASA QUE MOREI

Regressei ao lugar que fui criado
Como quem vai cumprir um juramento
Avistei os arreios do jumento
Pendurados na cerca do cercado.
No curral que papai trancava o gado
O chocalho da vaca eu procurei
Bem ao lado da casa encontrei
Os resquícios da minha mocidade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

Avistei o meu cabo de enxada
Encabando uma velha Tramontina
A ferrugem comendo a lamparina
E uma cela de couro empoeirada.
Mas chorei quando vi uma latada
E o cavalo de pau que eu montei
No cavalo da História disparei
Retornei aos quarenta de idade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

Encontrei bem no "pé" do casarão
O meu carro de flandre na poeira
Adentrando avistei uma roqueira
Dos folguedos de noite de São João.
Vi meu rádio de pilha campeão
Meu cachorro de caça não achei
Mas a cama velhinha que deitei
Inda mora comigo na cidade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

Vi pedaços de bola canarinho
Enganchados em cima do telhado
Vi um saco de estopa amarelado
Que a galinha de mãe fazia ninho.
A "camisa" bonita do meu pinho
Que nas noites de lua dedilhei
O balanço que um dia despenquei
Lembrarei para toda eternidade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

Na "sapata" da casa eu vi salina
Vi "bezerros" de osso no oitão
Vi pegadas de gado pelo chão
Num aceiro a carcaça da turina.
Recordei de uma tarde de neblina
Da arapuca no mato que armei
Quando vi a chinela que calcei
Relembrei toda minha castidade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

No oitão também vi uma balança
Onde a pedra de quilo era o peso
Um arame farpado que era teso
Uma estaca apontada como lança.
O sapato que eu ia numa dança
O sabugo de milho que usei
Pra fazer o chiqueiro que criei
Pra prender toda aquela liberdade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

A gamela que pai tomou um banho
O cacete assassino de uma rês
Algaroba, um angico, dois ipês
Que serviam de sombra pro rebanho.
Vi um prato branquinho de estanho
A rural de madeira que ganhei
Vi o cinto de pai que apanhei
Com requinte de pura crueldade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

A cumbuca de mãe guardar azeite
Enxerguei pendurada no pereiro
Avistei lá em cima do chiqueiro
A caneca que pai tirava leite.
A cabeça de vaca como enfeite
Que um dia na cerca enganchei
Vi um banco velhinho que sentei
E o cupim só deixou uma metade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

Encontrei um pedaço de cocão
Uma mesa de carro sem fueiro
Uma roda, tarugo e um tamueiro
Do transporte mais belo do Sertão.
Uma tira de pano e um botão
Uma agulha de saco que comprei
E a Monark que tanto pedalei
Eu garanto de Vê-la ter vontade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

Uma tampa de vinho indiano
Com o rótulo do índio Jurubeba
O cotoco do rabo de um peba
A moldura do nosso Soberano.
Uma quarta da peça de um pano
Que num ano de safra eu comprei
E uma braça de terra que enterrei
As agruras da minha enfermidade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

A cangalha surrada do jerico
Pendurada no torno da parede
Candeeiro, pavio e uma rede
Um machado, uma foice, um maçarico.
Um martelo, uma mala e um pinico
Um gibão que um dia campeei
No cavalo rudado que esporei
Cavalgando a procura da verdade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

Caco velho que mãe torrava massa
Caldeirão pra botar milho de molho
Uma lasca de lenha e um ferrolho
Chaminé, um isqueiro, uma cabaça.
A garrafa verdinha de cachaça
Que papai dava trago, não traguei
Eu pensando em voltar inda pisei
Numa foto da minha identidade
"Encontrei um pedaço de saudade
No terreiro da casa que morei".

Glosa: Poeta Antônio Carneiro
Mote: Doutor Ricardo Moura.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Poesia: "Pássaro Rogaciano", um poema de Lucas Rafael em homenagem a Rogaciano Leite


A imagem pode conter: 1 pessoa, close-up
Foto: Arquivo/CentenarioRogacianoLeite

Pássaro Rogaciano
.
Tu partiste, ó grande vate
Aos quarenta e nove anos,
Levando para os espaços
Teus poéticos desenganos.
Mas tua escrita erudita
Venceu o tempo, é bonita,
Como o céu ao sol se pôr.
Tua obra vasta e humana
É densa - como a savana.
É livre - como um condor.

Como foste também livre
Na conduta e nos papéis.
Do tapete dos palácios
À mesa dos cabarés.
Inveterado boêmio,
Da vida fizeste um grêmio,
Na arte ergueste teus bustos.
Decantaste a liberdade
A favor da humanidade,
Por homens bons e mais justos.

Cristo ainda não desceu
Para nos salvar, Poeta.
E a mesa dos desgraçados
Amanheceu incompleta.
Incompleta de alimentos,
De saúde e mantimentos...
De até um simples pão duro.
E os flagelados disseram
Que até hoje ainda esperam
Por mais justiça e futuro.

A justiça e o futuro,
Que através de penas leves
Suplicaste em tuas rimas:
- “Governantes, sejam breves!
Olhem para os desgraçados,
Cada vez mais humilhados.
Que tragédia humana é esta?”.
Nem eu mesmo sei dar nome...
Mas nos carnavais da fome
Quem não come não faz festa.

Como todo bom boêmio
(Que ninguém aqui os risque),
Embebedaste as palavras
Em teus copos de uísque.
Teu intelecto bravio
Deixou-te forte e sadio,
Como um coqueiral em pé.
Teu cabedal sempre austero
Guardava os versos de Antero,
Cruz e Sousa e Baudelaire.

Pediste, ó vate, desculpas
Aos Poetas premiados,
Mas, no fundo, todos eles,
Apesar de renomados,
Não souberam como a vida
No Sertão é bem vivida,
Depois que a chuva lhe acha.
Nem provaram, no pagode,
Do cuscuz por sobre o bode
Chupando as bordas da graxa.

Ó bardo pajeuzeiro,
Imenso farol altivo,
Teu corpo foi decomposto,
Mas teu espírito está vivo.
Agora estás, sem entraves,
De braços com Castro Alves,
O teu mestre, teu mentor.
Ambos em um mesmo posto:
Da vida - lembrando o gosto
Do mundo - sentindo a dor.

Acorda, Rogaciano!
Ressurge com mais cobiça.
O mundo, cambaleante,
Não vê paz nem tem justiça.
O Ceará te conclama,
Pernambuco ainda te ama.
Não foi terminado o jogo.
Rasga o véu da tua insônia.
Vem olhar para a Amazônia
Se consumindo no fogo.

Por meio do jornalista,
E apurador mais fecundo,
Do Poeta e do boêmio,
Foste um cidadão do mundo.
Como nem tudo assim passa,
Colocaram-te na praça...
Tua imagem se renova.
E o teu nome se compara
A distancia que separa
Moscou de Cacimba Nova.

Do Pajeú tu te foste,
Tornaste um vate inconteste
(Dos afluentes do Norte
Aos carrascais do Nordeste).
Por mais que tenhas andado,
Levaste, eu creio, guardado,
O gosto amargo do umbu.
E em teus garbos colarinhos,
A poeira dos caminhos
Do Vale do Pajeú.
.
Lucas Rafael. 








CANTIGAS E CANTOS